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Bolsonarismo

Bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e cariz fascista que eclodiu no Brasil com a ascensão da popularidade de Jair Bolsonaro, especialmente durante sua campanha na eleição presidencial no Brasil em 2018, que o elegeu presidente. A crise do petismo durante o governo Dilma Rousseff, precipitada e acelerada pela crise político-econômica de 2014, fortaleceu a ideologia bolsonarista e a nova direita brasileira, que se inserem no contexto da ascensão do populismo da Nova Direita ao nível internacional.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Origens e contexto

O bolsonarismo é um fenômeno que surge como resposta da classe dominante a alguns fatores: o antipetismo direitista, o medo e a reação à insurgência esquerdista de 2013, assim como as crises econômicas de 2008 e 2014. A principal figura do bolsonarismo ficou por toda sua carreira na política institucional como um político sem expressão nacional. Foi somente com o acúmulo desses fatores que Jair Bolsonaro se tornou uma opção viável. Mesmo na época do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o bolsonarismo era um elemento ainda minoritário no cenário político. Bolsonaro conseguiu capitanear a imagem de um político capaz de corrigir a "velha política" e as mazelas do Brasil. Ele conseguiu associar à esquerda o vínculo do petismo e uma suposta degradação moral da sociedade. A multiplicidade de grupos que constituem o bolsonarismo, as diversas alas (militar, ideológica, religiosa, capital, etc.), não só têm discordâncias pragmáticas, mas essas sim, estratégias, objetivos e métodos distintos. Dessa forma, bolsonarismo é uma unidade momentânea, não necessariamente um projeto político de longo prazo.

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Apoiantes

Em geral, os "bolsominions" são descritos como pessoas de extrema-direita intransigentes, reacionárias e favoráveis a uma intervenção militar, isto é, um golpe de Estado, para solucionar os problemas relacionados a saúde pública, educação e segurança. São pessoas com medo e que se sentem impotentes diante do jogo socioeconômico e adeptas ao anti-intelectualismo. São favoráveis ao porte de armas de fogo. Costumam trajar a camiseta amarela da Seleção Brasileira de Futebol politicamente, apesar de serem avessos ao nacionalismo e ao desenvolvimentismo, correntes políticas que classificam erroneamente como "comunismo", defendendo, em vez disso, o neoliberalismo. Eles defendem que os fins justificam os meios e que a mudança na estrutura da sociedade brasileira é mais importante que a corrupção do patriarca ou a saúde da população, desde que as classes altas sejam beneficiadas prioritariamente. Veem a relação entre intervenção militar e moralidade como fatores intimamente ligados e são, em geral, antagônicos a pautas consideradas progressistas ou identitárias de origem estadunidense, embora se posicionem a favor do entreguismo e da submissão política, econômica e cultural do Brasil aos Estados Unidos. Alguns também defendem a teoria refutada há séculos de que a Terra seja plana.

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Características

O bolsonarismo tem sido associado por estudiosos a elementos do neofascismo, da necropolítica, do antifeminismo[nota 2] e do protestantismo, bem como à defesa da ditadura militar brasileira. Em um estudo que analisa a dimensão linguística da ideologia bolsonarista, Cris Guimarães Cirino da Silva diz que o "termo bolsonarismo tem sido amplamente utilizado para caracterizar práticas populistas que combinam ideias neoliberais e autoritárias embutidas nas falas do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro e seus seguidores". Desse modo, o bolsonarismo transcende a imagem do culto à imagem de Bolsonaro, encontrando repercussões também entre seus apoiadores e na formulação da política externa brasileira da gestão Bolsonaro, bem como na chamada "onda bolsonarista". Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas [...] Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos"

Olavismo

Olavo de Carvalho foi considerado um ideólogo do bolsonarismo, suas teorias influenciaram na formação do pensamento dos seguidores do ex-presidente e nos rumos que ele adotou para o governo. A chamada "ala ideológica" do governo Bolsonaro é um grande expoente dos discursos contrários à China, movimentos sociais, imprensa e à esquerda, além de sustentar teorias conspiratórias, como uma suposta farsa do aquecimento global e a suposta falsa pandemia do corona vírus. O termo "ala ideológica do governo Bolsonaro" comumente se refere ao grupo de pessoas, ligadas ao governo ou dos bastidores dele, sob tutela intelectual do ex-astrólogo, escritor e influenciador digital Olavo de Carvalho, Vélez Rodríguez, Carlos Bolsonaro, Abraham Weintraub, Filipe Martins e Ernesto Araújo, por exemplo, além daqueles ligados ao fundamentalismo neopentecostal, como maior exemplo, a ministra Damares Alves.

Militarismo

Houve, no início do governo, mais militares no gabinete de Bolsonaro do que durante o primeiro governo da ditadura militar. Durante o seu governo, quase 3 mil militares estavam espalhados por ministérios e outros órgãos federais. Os militares no Brasil assumiram cada vez mais cargos na administração federal, como a construção de estradas ou a proteção da Floresta Amazônica. O governo também planejava construir cerca de 200 novas escolas militares até 2023. O conteúdo do ensino inclui a alegação de que o golpe de 1964 foi "necessário para impedir o avanço do comunismo". O professor de Harvard Yascha Mounk, especialista em movimentos populistas, considera "preocupante" a crescente influência dos militares no Brasil. O fascínio bolsonarista por armas tem simbiose com esse novo militarismo. "Quero um povo armado", disse Bolsonaro, facilitando a aquisição de armas, a qual resultou em 2020 no aumento do número de vendas de armas em 200% em relação a 2019. A população que defende a flexibilização da legislação sobre armas é composta principalmente por pessoas brancas, ricas e heterossexuais.

Messianismo

Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. O bolsonarismo foi apoiado por uma forte base eleitoral cristã, principalmente do protestantismo, e é apontado como uma ameaça às religiões afro-brasileiras, a exemplo do candomblé. A pastora Romi Bencke, que protocolou um pedido de impeachment contra Bolsonaro, disse que ele "nunca representou e nem representa" os desejos cristãos, mas que "é hábil em manipular a fé". O bolsonarismo tem um componente que se afirma religioso, expresso no culto à personalidade do Bolsonaro como o Messias do Brasil. Para seus fãs, de "mito" ele se tornou o "salvador da pátria". Ele mesmo se vê como aquele que "salvou o Brasil do comunismo". Seria por isso que "Deus" teria salvado sua vida após o atentado a faca. Segundo o escritor Castro Rocha, autor de livro sobre a retórica do ódio, a guerra cultural dos bolsonaristas se aproxima do fundamentalismo: "É uma fábrica de inimigos em série". Essa forma de culto à personalidade surgiu ainda durante sua campanha eleitoral em 2018, quando pastores de diferentes igrejas rogaram a ideia de que Bolsonaro seria um escolhido de Deus.

Anticomunismo

Em 2016, Eduardo Bolsonaro apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados, cujo objetivo era a criminalização do comunismo no país. No dia em que assumiu o cargo, Bolsonaro gritou que o povo havia começado a "se libertar do socialismo". Para o especialista em literatura João Cezar de Castro Rocha, um livro intitulado Orvil é parcialmente responsável por essa visão – palavra "livro" escrita de trás para frente. Escrito pelos militares logo após a redemocratização, a obra descreve como a esquerda do Brasil supostamente se infiltrou nas instituições desde a década de 1970. É a partir disso que o bolsonarismo deriva sua "guerra cultural" contra tudo e contra todos que considera suspeitos. Portanto, o governo destruiu de dentro para fora os ministérios e secretarias da Educação, Cultura, Meio Ambiente, Família e seus órgãos vinculados, considerados como "antros" do esquerdismo. Jair Bolsonaro prometeu no Piauí, em agosto de 2019, que vai "varrer essa turma vermelha". Nesta mesma época, foi revelado que ele queria fundar um Centro de Inteligência Nacional na Abin, para combater "ameaças à segurança do Estado". O bordão "nossa bandeira jamais será vermelha" tornou-se um slogan do movimento.

Negacionismo e teorias da conspiração

A religiosidade do bolsonarismo é acompanhada por uma hostilidade à ciência e à razão, que se tornou particularmente clara durante a pandemia da COVID-19. Bolsonaro elogiou a hidroxicloroquina como uma cura milagrosa contra a COVID-19 e fez intensa propaganda e defesa do referido medicamento, a qual não há evidências científicas de sua eficácia. Diversos parlamentares bolsonaristas se pronunciaram contra a vacinação e o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que a pandemia era uma "conspiração globalista". Essa hostilidade à ciência já era evidente em 2019, quando dezenas de milhares de incêndios queimaram a Bacia Amazônica, e Bolsonaro chamou os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de "mentiras".

Autoritarismo

O autoritarismo é uma característica marcante do fenômeno bolsonarista. O autoritarismo no Brasil não é novo. De fato, conforme um estudo acadêmico sobre o lado autoritário do bolsonarismo: A rigor, o Bolsonarismo está para além da figura de Jair Bolsonaro, embora esta figura grotesca e bizarra tenha significados sociopolíticos, trazendo à baila marcas históricas da formação social brasileira e da nossa própria cultura política, materializadas no conservadorismo, no machismo, no racismo, na misoginia, nas discriminações de múltiplas naturezas. Bolsonaro parece bem encarnar a perspectiva colonialista de submissão, elitismo e violência, a atravessar a história do País, reatualizando-se no reacionarismo político-cultural, em pauta no Brasil do Presente.

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Relações com outras ideologias e fenômenos

Fascismo

Muitas comparações são feitas entre o bolsonarismo e o fascismo que surgiu nos anos 1920 e 1930. Apesar de exibir algumas características frequentemente associadas ao fascismo, o bolsonarismo não pode ser incluído nessa categoria, conforme diversos autores como Marilena Chauí e Rui Costa Pimenta. A escritora, filósofa e professora Marilena Chauí não usa o termo fascismo para se referir ao bolsonarismo por três razões: Marilena Chauí aponta, no entanto, diversos traços do bolsonarismo comuns ao fascismo, como: "racismo, homofobia, misoginia; o uso das tecnologias de informação que levam a níveis impensáveis as práticas de vigilância, controle e censura; e o cinismo ou a recusa da distinção entre verdade e mentira como forma canônica da arte de governar." Outro traço do bolsonarismo que se assemelha ao fascismo, ainda segundo Chauí, é o contato direto com o povo, sem intermediação das instituições.

Integralismo

O bolsonarismo também é associado com o Integralismo brasileiro, movimento fascista criado por Plínio Salgado. Bolsonaro resgatou o lema "Deus, pátria e família" em 2019 ao tentar fundar o partido Aliança pelo Brasil. No dia 30 de dezembro de 2019, Paulo Fernando Melo da Costa, foi apontado como assessor para a Ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, durante o governo Bolsonaro. Melo da Costa é conselheiro da Frente Integralista Brasileira (FIB) e já fez parte do Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) de Enéas Carneiro, uma extinta sigla conhecida por abrigar integralistas. Bolsonaro já chegou a dizer que admirava Enéas Carneiro. A partir de 2018, a FIB aprofundou uma forte relação com o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), chefiado por Levy Fidelix. Na ocasião das eleições daquele ano, o próprio candidato do presidenciável Jair Bolsonaro ao Governo de São Paulo, Rodrigo Tavares, gravou um vídeo com o Presidente da FIB, ao final do qual gritou a saudação integralista “anauê”. Levy Fidelix, por sua vez, usava, durante sua campanha para deputado federal, o slogan “Deus, pátria e família”. Nas eleições, o PRTB foi o único partido a se coligar com o Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, garantindo o vice-presidente de 2019 a 2022, o General Hamilton Mourão. Sara Winter, ex-membro do FEMEN Brasil, trabalhou no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos como coordenadora nacional de políticas à maternidade; enquanto membro do Femen, declarou simpatizar com as ideias de Plínio Salgado, se referindo a ele como um "defensor do país". Em 2021, lideranças da FIB filiaram-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de Roberto Jefferson,. outro partido que apoiou o governo Bolsonaro.

Janismo

Jair Bolsonaro já foi comparado com o ex-presidente Jânio Quadros. Ambos se posicionaram como figuras outsiders que desafiaram a velha política. Jânio utilizou seu carisma e sua imagem de moralista para conquistar o apoio popular, assim como Bolsonaro, que se aproveitou da insatisfação com os políticos tradicionais e da crise política para galvanizar seu eleitorado. Um governo com desavenças com o vice-presidente e choque constante com o Congresso Nacional, também foram pontos presentes nos governos dos dois líderes.

Chavismo

Embora o governo Bolsonaro tenha sido um inimigo da esquerda, há quem aponte semelhanças entre o bolsonarismo e o chavismoː em 1999, após Hugo Chávez ser eleito, Bolsonaro o elogiou e o comparou ao Marechal Castelo Branco. Em 2019, o site The Intercept Brasil publicou o texto "A pior direita: Bolsonaro quer ser Piñera, mas é um Hugo Chávez de sinal trocado." Em 2020, a jornalista Vera Magalhães cunhou o termo "bolsochavismo"ː para a mesma, o aumento das armas na população brasileira (via CACs) daria origem a milícias bolsonaristas. Uma outra semelhança com Chavéz seria o aumento de ministros no Supremo Tribunal Federal, podendo resultar em uma autocracia. Em 2018, o então vice-presidente Hamilton Mourão defendeu uma nova Constituição, em 2020, negou que o governo tivesse planos de uma nova Constituição, em 2022, eleito senador, Mourão defendeu mudanças no STF, como aumento de ministros. Em julho de 2024, após críticas de Lula a declarações de Nicolás Maduro durante sua campanha de releição, Maduro afirmou que as urnas brasileiras não são confiáveis, repetindo uma tese bolsonarista. Após as declarações de Maduro, Bolsonaro ironizou a situação no X (antigo Twitter) com frase "Maduro is my friend".

Trumpismo

Jair Bolsonaro, às vezes referido como o "Donald Trump brasileiro", que é frequentemente descrito como um extremista de direita, vê Trump como um modelo e, de acordo com Jason Stanley, usa as mesmas táticas fascistas. Assim como Trump, Bolsonaro encontra apoio entre evangélicos para seus pontos de vista sobre questões de guerra cultural e abraçou a agenda altamente conservadora e antiglobalização de Trump. Em agosto de 2018, ocorreu um encontro entre Steve Bannon, diretor-executivo da campanha presidencial de Donald Trump e Eduardo Bolsonaro, filho do então candidato Jair Bolsonaro, atuando como um conselheiro informal da campanha presidencial de Jair Bolsonaro para as eleições de outubro de 2018. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou que Bannon se colocou à disposição para ajudar nas atividades de inteligência da campanha, ações na internet e análise de dados, sem incluir qualquer auxílio financeiro. Eduardo Bolsonaro integrou O Movimento, grupo internacional de extrema-direita fundado por Steve Bannon.

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Separatismo

Em determinados momentos, declarações de figuras políticas ligadas ou simpáticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro foram vistas como estímulo a setores que defendem a divisão do Brasil. Em agosto de 2023, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sugeriu que estados do Sul e do Sudeste se articulassem em bloco para a defesa de seus interesses, o que foi interpretado por parte da opinião pública como um aceno ao separatismo. Em junho de 2025, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), declarou: "Daqui a pouco, se o negócio não funcionar muito bem lá para cima, nós passamos uma trena para o lado de cá e fazemos ‘o Sul é nosso país’, né?”. O movimento O Sul É o Meu País é um dos principais representantes dessa bandeira, defendendo a separação de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No mesmo sentido, em setembro de 2025, o deputado de São Paulo, Paulo Bilynskyj (PL), mencionou publicamente a ideia de dividir o país entre um “Brasil do Norte” e um “Brasil do Sul”, reforçando, para alguns, o discurso de grupos secessionistas.

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Ligações com a Associação Brasileira de Psiquiatria

Durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) desempenhou um papel central na formulação e apoio de mudanças na Política Nacional de Saúde Mental, alinhando-se com as diretrizes conservadoras promovidas pelo governo. A ABP, historicamente defensora do modelo biomédico e hospitalocêntrico, encontrou no bolsonarismo um ambiente favorável ao fortalecimento de suas pautas, que incluíam a ampliação dos leitos psiquiátricos, a reinserção de hospitais psiquiátricos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a legitimação de práticas como a eletroconvulsoterapia. Essas proposições foram formalizadas por meio da Nota Técnica nº 11/2019, que marcou o início de uma contrarreforma psiquiátrica no Brasil, sendo alvo de críticas de movimentos sociais, entidades científicas e organismos internacionais por representar um retrocesso em relação aos avanços da Reforma Psiquiátrica.

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Críticas a Paulo Freire

Imagem: Plataforma9 · BY-SA · Openverse

O filósofo e educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um dos pedagogos mais citados no exterior, é frequentemente criticado por Jair Bolsonaro e seus apoiadores, isso inclui desinformação que levou ao ataque de monumentos do educador, sendo mesmo descrito como um inimigo da ideologia bolsonarista. Desde a sua campanha eleitoral, a proposta de banir a suposta influência de Paulo Freire das escolas ganhou força nas redes sociais. Embora Freire tenha influenciado políticas de educação de adultos em diversos outros países, suas ideias nunca foram realmente aplicadas no Brasil, sua influência tendo sido apenas pontual. Em sua campanha eleitoral, em pronunciamento a empresários no Espírito Santo, Jair Bolsonaro defendeu "entrar com um lança-chamas no MEC para tirar o Paulo Freire de lá", explicando rejeitar as ideias freirianas por fomentarem o senso crítico: Em dezembro de 2019, Jair Bolsonaro definiu Freire como "energúmeno". Em seu discurso de posse como ministro da educação, Abraham Weintraub, questionou: "se o Brasil tem uma filosofia de educação tão boa, Paulo Freire é uma unanimidade, por que a gente tem resultados tão ruins comparativamente a outros países? A gente gasta em patamares do PIB igual aos países ricos". Embora o Brasil invista 5,7% do seu produto interno bruto, fração acima da média dos países desenvolvidos, o valor aplicado por estudante na rede pública é 54% menor do que a média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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