Abraham Weintraub
Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub é um economista, ex-professor e político brasileiro, atualmente sem partido. Foi ministro da Educação do Brasil entre 2019 e 2020 e diretor executivo do 15.º Distrito do Conselho Administrativo do Banco Mundial, de 2020 a 2022. Também é ex-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de onde foi demitido em 2024 por abandono de cargo.
O pai de Abraham, o psiquiatra Mauro Weintraub, foi professor da Universidade de São Paulo (USP) e na década de 1980 escreveu um livro sobre cannabis, defendendo a dissociação da relação entre uso e criminalização, algo extremamente progressista para a época. O próprio Abraham já chegou a afirmar que o pai sofreu perseguição na época da ditadura militar por defender alunos que desapareceram durante o regime. Diferentemente do pai, Abraham e o irmão Arthur Weintraub possuem uma postura mais conservadora; ambos participaram do Governo Bolsonaro. Arthur foi assessor especial da presidência da República. Em 2011, os irmãos Abraham e Arthur entraram com uma demanda na Justiça de São Paulo pedindo para tornarem-se tutores de seu pai, Mauro Weintraub. O pedido foi julgado e indeferido pelo juiz Rui Porto Dias, que entendeu que não havia elementos suficientes que justificassem a interdição de Mauro Weintraub. Os irmãos recorreram da sentença, mas o tribunal negou provimento à apelação em março de 2016.
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Abraham Weintraub graduou-se em ciências econômicas pela Universidade de São Paulo (USP) em 1994, tendo realizado MBA Executivo Internacional e mestrado em administração (área de finanças) na Fundação Getulio Vargas (FGV). Executivo do mercado financeiro com mais de vinte anos de experiência, atuou como economista-chefe e diretor do Banco Votorantim e como sócio na Quest Investimentos. Também foi membro do Comitê de Negociação da BM&F Bovespa e do Comitê de Macroeconomia da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro. Foi integrante da equipe de transição do governo Jair Bolsonaro e em 1º de janeiro de 2019 foi nomeado secretário-executivo da Casa Civil. Foi professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em abril de 2023, Abraham Weintraub e sua esposa Daniela tiveram os salários suspensos da Unifesp por não comparecerem ao trabalho, e em dezembro do mesmo ano a Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou uma sindicância para apurar a ocorrência de abandono de cargo. Após a conclusão do processo administrativo disciplinar, Weintraub foi demitido da Unifesp em 7 de fevereiro de 2024.
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Em 8 de abril de 2019, foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de ministro da Educação, após a demissão do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Pouco após uma reunião no Palácio do Planalto entre Bolsonaro e Vélez, o presidente afirmou: Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de Ministro da Educação. Abraham é doutor,[nota 2] professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao prof. Velez pelos serviços prestados Weintraub foi muito ativo na rede social Twitter durante seu tempo a frente do Ministério da Educação, onde fez declarações controversas e ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT), à imprensa e à esquerda. Por causa das suas polêmicas declarações nas redes sociais, o escritor Ignácio de Loyola Brandão caracterizou Weintraub como um "ministro da educação sem educação, grosso, horrendo, nojento" e o colunista Demétrio Magnoli como "um seguidor inculto de Olavo de Carvalho". O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) classificou o ministro como um "desqualificado", "um desastre" e que "traduz a bandeira do ódio". Por fim, Weintraub em resposta diz "não querer brigar", "quero permanecer em paz". Não há no currículo de Weintraub formação ou experiência em gestão de políticas educacionais.
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Em julho de 2019, Weintraub envolveu-se em uma discussão com manifestantes em Alter do Chão, no Pará. Os manifestantes protestavam contra os cortes nas universidades federais. Weintraub tentou se defender, mas foi convencido a deixar o local após ser vaiado pelos presentes. O MEC soltou uma nota repudiando o ato. No mesmo dia, a ONG que promoveu a manifestação se defendeu no episódio dizendo que não teve intenção de humilhar ou hostilizar o ministro e sim de apenas manifestar. Em um ofício enviado ao ministério da economia em agosto de 2019, Weintraub utilizou em duas ocasiões os termos "paralização" e "suspenção", que não existem em Português. Após a repercussão negativa, ele afirmou que "erros acontecem". Entretanto, em maio de 2019, ele já havia trocado o nome do escritor Franz Kafka por "Kafta". Em junho, tentando se referir aos "asseclas" do PT, escreveu "acepipes". Em janeiro de 2020, ao responder no Twitter uma nota do então deputado Eduardo Bolsonaro, utilizou a palavra "imprecionante", apagando a mensagem depois, mas não evitou mais uma vez a repercussão negativa de sua grafia.
Cortes no orçamento das universidades federais
Logo após assumir o Ministério da Educação, foi anunciado um "corte" (termo utilizado pela mídia brasileira) de 30% em recursos destinados às despesas discricionárias de algumas universidades federais. "Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas", disse o então ministro ao jornal O Estado de S. Paulo. Posteriormente a medida se estendeu a todas as universidades federais para o 2.º semestre de 2019, sob a forma de bloqueio ou congelamento. As despesas discricionárias correspondem a 13,83% do total orçamentário, havendo então um contingenciamento (termo usado pelo ministro e pelo Governo Federal) de 3,5% deste total — o que de fato representa 30% das despesas não-obrigatórias — que devem ser liberados após setembro. “O contingenciamento vai voltar agora, a partir de setembro. Isso vai gerar um alívio, e vai ser a prova de que houve contingenciamento e não corte. E aí quem falou que teve corte vai ter que se explicar”, disse o ministro na Câmara dos Deputados, no dia 4 de setembro do mesmo ano.
Carteirinha Estudantil Digital
Em setembro de 2019, o governo assinou uma medida provisória que criava uma "carteirinha" estudantil digital para estudantes do ensino fundamental, médio e superior, liberada noventa dias após a assinatura da medida provisória para o ensino superior e em até seis meses para o ensino básico. A emissão da carteirinha seria gratuita por meio de aplicativos de celular e, no caso de uma emissão física, por meio da Caixa Econômica Federal. Uma lei de 2013 prevê que a carteirinha seja emitida por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e outras entidades estudantis municipais. Essas entidades cobram pela emissão da carteira, e essa medida foi vista por elas como uma retaliação pelos protestos estudantis, que as mesmas organizaram contra medidas relacionadas à educação no governo Bolsonaro. A medida provisória não foi apreciada pelas casas legislativas, e perdeu a validade em 16 de fevereiro de 2020, não tendo efeito portanto, para a emissão de novas carteirinhas digitais. Apesar disto, as carteirinhas estudantis emitidas naquele período permaneceram válidas.
Filmar professores em aula
Em abril de 2019, Weintraub afirmou que filmar professores é um direito dos alunos em sala de aula, e que isso é liberdade individual de cada um. Em contrapartida às declarações do ministro, juristas afirmaram que a filmagem de professores em aulas sem autorização pode violar direitos fundamentais dos educadores.
Ofensas a Emmanuel Macron
Em agosto de 2019, em meio a discussões verbais entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da França Emmanuel Macron, no contexto dos incêndios florestais na Amazônia naquele ano, Weintraub escreveu que os franceses elegeram um presidente "sem caráter" e que Macron era "apenas um calhorda oportunista buscando apoio do lobby agrícola francês."
Declarações sobre Lula da Silva e Dilma Rousseff
Em junho de 2019, um militar que integrava a comitiva do presidente Jair Bolsonaro para participar do G20 foi preso tentando transportar 39 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Em sua conta no Twitter, Weintraub escreveu: "No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?", o assunto foi um dos mais comentados nas redes sociais. A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente do PT, declarou que Weintraub “será acionado judicialmente pelas injúrias lançadas contra Dilma Rousseff e Lula”. A deputada Jandira Feghali classificou Weintraub como "desprezível" e "uma vergonha para o MEC, os trabalhadores da educação e o restante do país”. A Comissão de Ética da Presidência da República concluiu que Weintraub desrespeitou o decoro do cargo e aplicou a ele uma sanção por infringir o artigo terceiro do Código de Conduta.
Histórico escolar
Em maio de 2019, foram publicadas imagens do histórico escolar de Weintraub no curso de economia na USP. As imagens mostravam que ele foi reprovado em nove matérias em apenas três semestres, teve várias notas zero e frequência baixa às aulas. Weintraub reconheceu a veracidade do histórico e atribuiu seu mau desempenho a problemas familiares e de saúde. Ele também classificou o vazamento das imagens como "ilegal", mas não negou o desempenho acadêmico insuficiente.
Imagem: Pedro França/Agência Senado · BY · Openverse
Em abril de 2019, foi condecorado com a Ordem de Rio Branco, no grau de Grã-Cruz. Em 28 de maio de 2020, o então ministro foi agraciado pelo presidente Bolsonaro juntamente com outras personalidades políticas e diplomáticas com a Ordem do Mérito Naval, honraria destinada a pessoas e instituições que tenham prestado serviços relevantes à Marinha do Brasil, no grau de Grande Oficial. Em 13 de agosto de 2020, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou por unanimidade a concessão do título de persona non grata a Weintraub. A decisão ocorreu após críticas feitas pelo ex-ministro a Brasília, durante uma reunião do primeiro escalão do governo federal, em abril. À ocasião, ele chamou a cidade de "porcaria e cancro de corrupção e privilégio". As ofensas se tornaram públicas após a publicação de um vídeo do encontro. A moção, de autoria do deputado distrital Chico Vigilante (PT), citou "notória incompetência na condução das políticas educacionais" e "completa falta de educação e de respeito à democracia e às instituições."


