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Anderson Torres

Anderson Gustavo Torres é um ex-delegado de polícia e ex-político brasileiro, filiado ao União Brasil (UNIÃO). Foi ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil entre 30 de março de 2021 e 1 de janeiro de 2023, durante o governo Jair Bolsonaro. Também foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal de 2019 a 2021 e brevemente em 2023.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Formação e carreira policial

Anderson Torres formou-se em direito pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB) e possui especialização em Ciência Policial, Investigação Criminal e Inteligência Estratégica pela Escola Superior de Guerra (ESG). Foi professor da Academia de Polícia Civil do estado de Roraima, da Academia da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e da Academia Nacional da Polícia Rodoviária Federal. Foi papiloscopista da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e desde 2003 é delegado da Polícia Federal. Coordenou investigações voltadas ao combate ao crime organizado na Superintendência da Polícia Federal, em Roraima, entre 2003 e 2005, tendo atuado em operações na reserva indígena Raposa Serra do Sol.

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Política

Imagem: Palácio do Planalto · BY · Openverse

Foi diretor de assuntos legislativos da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), em Brasília. Na Câmara dos Deputados, coordenou comissões sobre temas relacionados à segurança pública e combate ao crime organizado, bem como foi chefe de gabinete do deputado Fernando Francischini (PSL). De 2019 a 2021, foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, nomeado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Em 29 de março de 2021, foi anunciada a sua indicação pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Foi nomeado e tomou posse no dia seguinte. Em abril de 2021, Torres se filiou ao Partido Social Liberal (PSL) e foi designado como presidente do diretório do partido no Distrito Federal. Manteve-se filiado à legenda após a fusão do PSL com o Democratas (DEM), que constituiu o União Brasil. Com o término do governo Bolsonaro, Torres foi exonerado do cargo de ministro em 31 de dezembro de 2022.

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Participação no planejamento de um golpe de Estado

Imagem: Marcos Corrêa/PR · BY · Openverse

Invasões na Praça dos Três Poderes

No dia 8 de janeiro de 2023, seis dias após Torres assumir o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, militantes bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Torres se encontrava então nos Estados Unidos. Em sua conta no Twitter, condenou os ataques. Em razão do mal-estar político causado por sua ausência durante o ocorrido, além de ser acusado de negligência e de conivência com os atos, Torres foi exonerado pelo governador Ibaneis Rocha no mesmo dia. Mais tarde, ainda na mesma data, o presidente Lula decretou intervenção federal na área de Segurança Pública do Distrito Federal, e no dia seguinte o próprio governador do DF foi afastado temporariamente do cargo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Prisão

A Advocacia Geral da União (AGU) requereu ao STF a prisão de Anderson Torres, em virtude daquilo que foi interpretado como uma conduta omissiva da Secretaria de Segurança Pública do DF diante do ataque terrorista na Praça dos Três Poderes. O ex-secretário negou que tenha sido conivente com os ataques e chamou de "absurda" a hipótese de sua participação nos atos. No dia 10 de janeiro de 2023, o STF atendeu a requerimento do diretor geral da Polícia Federal e deferiu uma operação de busca e apreensão na casa de Torres, bem como a sua prisão preventiva. Na decisão, que também determinou a prisão do comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, o ministro Alexandre de Moraes considerou como fatos que indicariam a omissão e conivência do ex-secretário de Segurança Pública a ausência de policiamento necessário na Praça dos Três Poderes, em especial do Comando de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal; a autorização para que mais de 100 ônibus ingressassem livremente em Brasília, sem qualquer acompanhamento policial, mesmo sendo fato notório que faziam parte de atos violentos e antidemocráticos que vinham ocorrendo desde o fim das eleições de 2022; e a "total inércia" ao não desmontarem o acampamento criminoso na frente do QG do Exército, "mesmo quando patente que o local estava infestado de terroristas".

Investigação

Durante a busca e apreensão na casa do ex-ministro da justiça, foi encontrada uma minuta que previa a instauração de um estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, pretendia-se instaurar uma comissão a fim de fiscalizar o TSE e produzir um relatório que analisaria a lisura das eleições de 2022. Na ocasião, Torres alegou que este documento não era de sua autoria e seria "descartado oportunamente". Em depoimento perante a CPMI dos Atos Antidemocráticos, Torres reafirmou que a "minuta do golpe" não foi para o lixo por mero descuido e classificou o documento como "fantasioso". Em 18 de setembro de 2023, o portal Metrópoles divulgou que a Polícia Federal encontrou, no telefone celular apreendido de Torres, uma série de conteúdos considerados pelos investigadores como golpistas, por exemplo, material convocando para “concentração nos quartéis” com objetivo de “exigir intervenção federal”, notícias falsas sobre fraude nas eleições de 2022 e sobre o ministro Alexandre de Moraes, bem como uma imagem, datada de dezembro de 2022, insinuando a execução do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em uma forca.

Condenação

Em 11 de setembro de 2025, o réu Anderson Torres foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 24 anos de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 100 dias-multa, cada dia-multa no valor de um salário mínimo, isto é, R$ 151 800. Além disso, expediu também ordem à Polícia Federal para a perda do cargo de delegado federal, uma vez que o Código Penal prevê a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo em caso de condenação, em regime fechado, a um ano ou mais, por "abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública". Em 25 de novembro do mesmo ano, o STF declarou trânsito em julgado (esgotamento dos recursos cabíveis). Em 26 de novembro, iniciou o cumprimento da pena em regime fechado no 19.º Batalhão de Polícia Militar, que fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda e por isso tem o apelido de "Papudinha", em uma cela privativa, denominada "sala de Estado-Maior", por ter chefiado as forças de segurança do Distrito Federal.

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Investigação por crime ambiental

Imagem: Agência Brasília from Brasília, Brasil · BY · Openverse

Em 24 de fevereiro de 2023, sua casa foi alvo de uma ação de busca e apreensão do Ibama, onde encontrou-se mais de 60 aves silvestres. Torres recebeu uma multa de 54 mil reais, da qual recorreu. Em abril do mesmo ano foi alvo de uma segunda ação, desta vez movida pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), na qual foram apreendidas 55 aves, levadas para um criadouro do governo. Treze morreriam meses depois, de acordo com laudo da PF, que indica que elas estavam "debilitadas" quando da apreensão. Em julho do ano seguinte, acabou perdendo o processo e a licença para criação de aves, sendo considerado culpado, embora tenha conseguido reduzir a multa para 20 mil reais. Segundo o Conselho de Meio Ambiente do Distrito Federal, Torres tinha aves da fauna silvestre nativa "em desacordo com a licença ambiental obtida". Sua defesa recorreu e conseguiu em abril de 2025 uma liminar em segunda instância, revertendo o processo e determinando a devolução das aves, o levantamento da restrição para criar os animais silvestres e pagamento de multa, desta vez devida pelo Ibama a Torres. Passados três meses, a liminar não foi cumprida e assim em agosto de 2025 o Ibama foi condenado por um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região por litigância de má-fé. A defesa de Torres alegou que o Ibama agiu por motivação política.

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