Agronegócio no Brasil
O agronegócio no Brasil, também conhecido abreviadamente como "agro", refere-se a um conjunto integrado de atividades econômicas agropecuárias e todos os serviços, técnicas e equipamentos a ela relacionados, direta ou indiretamente, envolvendo a produção e distribuição de suprimentos e insumos, produção direta nas unidades agrícolas, processamento, acondicionamento, armazenamento e distribuição dos produtos agrícolas e outros produzidos a partir deles, e operações comerciais e financeiras. Estão incluídas no conceito a agricultura, a pecuária, o reflorestamento e a aquacultura.
Plano Safra
O Plano Safra é um programa criado em 2003 pelo Governo Lula para fornecer linhas de crédito especiais para financiar atividades agrícolas no Brasil. O programa tem vigência anual, começando em julho, e é dividido entre agricultura empresarial e agricultura familiar.
Faturamento
Em 2019, "43% das exportações brasileiras, em 2019, foram de produtos do agronegócio", relata a CNA, que ainda adiciona que o país é "o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes bovina e de frango; o terceiro maior de milho, e o quarto de carne suína. É também o maior produtor mundial de café e suco de laranja; o segundo na produção de açúcar, soja em grãos e de carnes bovina e de frango; e o terceiro na produção mundial de milho". Segundo a CNA, o país é o quarto maior exportador mundial de produtos agropecuários, atrás apenas da União Europeia, EUA e China.
Produtos mais exportados
De acordo com a CNA, "a soja (grãos) é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, responsável por aproximadamente R$1,00 de cada R$4,00 da produção do setor no Brasil". O faturamento dos 5 produtos mais vendidos pelo Brasil em 2020, segundo a Confederação, foi:
Maiores importadores
Em 2019, os cinco maiores importadores de produtos do agronegócio brasileiro foram:
PIB
Representeou 21,4% do PIB brasileiro (20,5 segundo o Cepea), sendo que a a soma de bens e serviços gerados chegou a R$ 1,55 trilhão, das quais a agricultura gerou 68% desse valor (R$ 1,06 trilhão) e a pecuária, 32% (R$ 494,8 bilhões). O PIB do agronegócio brasileiro alcançou participação de 26,6% no PIB brasileiro, relata o Cepea, ainda adicionando que "o PIB do agronegócio brasileiro subiu com força ao longo de 2020 e acumulou avanço recorde de 24,31% no ano". Entre 2021 e 2024, o agronegócio brasileiro permaneceu como um dos principais pilares da economia, representando 26,6% do PIB nacional em 2021, mas enfrentando variações nos anos seguintes. Em 2022, a participação caiu para 24,8%, devido ao aumento dos custos de insumos agrícolas. Em 2023, o setor manteve estabilidade relativa, apesar de pressões econômicas. Já em 2024, até o segundo trimestre, o PIB do agro acumulava queda de 3,5%, refletindo desafios como custos elevados e condições de mercado adversas.
Mercado de trabalho
O agronegócio brasileiro desempenha um papel crucial na economia do país, empregando, no primeiro trimestre de 2024, um número recorde de 28,6 milhões de pessoas, o que equivale a 26,85% do total de ocupações no Brasil. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento no segmento de agrosserviços, que registrou alta de 9,9%, e pela maior formalização do emprego, com um número significativo de profissionais contratados com carteira assinada. Esses dados destacam a relevância do setor para a força de trabalho nacional, refletindo sua capacidade de absorver diferentes níveis de qualificação e promover maior inclusão no mercado de trabalho.
O agronegócio brasileiro é um dos setores mais relevantes da economia nacional, destacando-se tanto pela produção em larga escala quanto pelo faturamento de suas principais empresas. Abaixo estão listadas as maiores empresas do setor, classificadas por diferentes critérios, como receita e área cultivada:
Maiores em receita
As maiores empresas do agronegócio brasileiro em termos de receita, segundo dados da revista Forbes, são:
Maiores em área cultivada
Empresas brasileiras que lideram em termos de área cultivada e produção agrícola:
O agronegócio é a principal origem do desmatamento verificado recentemente. Cerca de 85% do desmatamento registrado no país nas últimas décadas ocorreu para abrir espaço para pastagens. Dados do MapBiomas indicam que em 1985 14 milhões de hectares já haviam sido desmatados devido à pecuária, e em 2017 a área perdida havia passado para 53 milhões de hectares. Entre as consequências do desmatamento estão redução das chuvas (afetando o próprio agronegócio) e da oferta de serviços ambientais, perda de biodiversidade e aumento da emissão de gases do efeito estufa causadores do aquecimento global. Pecuária e agricultura também emitem grande quantidade de gases diretamente. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, mais de 70% das emissões brasileiras provêm da agropecuária e do desmatamento. A agropecuária sozinha, mesmo excluindo o desmatamento, ainda emite mais do que toda a indústria e transporte somados. O Brasil em 2021 era o quarto maior emissor mundial de gases estufa.
Crescimento de Produtividade no Setor Agropecuário Brasileiro Sem Expansão de Área
O Brasil tem demonstrado um crescimento significativo em produtividade no setor agropecuário sem a necessidade de expandir significativamente a área plantada. Entre 2022 e 2023, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) aumentou 1,9%, sendo impulsionado principalmente pelo recorde na safra de grãos e um aumento de 11,8% na produtividade, com um crescimento de apenas 5% na área plantada. Esse modelo reflete o uso mais eficiente das áreas já cultivadas e o avanço das técnicas agrícolas no país. A produção de soja, milho, cana-de-açúcar e outros produtos agrícolas continua a crescer de maneira sustentável, com inovações tecnológicas que permitem aumentar a produção sem uma expansão significativa de terras. O Brasil adota práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, como o uso de biotecnologia, melhoramento genético de sementes, sistemas agroflorestais e técnicas de plantio direto, que contribuem para o aumento da produtividade sem a necessidade de desmatamento.
A importância da silvicultura e recuperação de áreas degradadas
O crescimento da silvicultura, com destaque para o eucalipto, tem sido uma peça-chave na estratégia de sustentabilidade do setor agrícola. A silvicultura não só contribui para o combate ao desmatamento e o sequestro de carbono, mas também está diretamente ligada à recuperação de áreas degradadas, promovendo a restauração da biodiversidade e a melhoria da qualidade do solo. Com a crescente demanda por madeira e biomassa, o plantio de eucalipto, por exemplo, se mostra como uma solução eficiente para minimizar a pressão sobre as florestas nativas e contribuir para a produção de bioenergia, como o etanol, utilizado tanto para abastecer veículos como para a geração de energia elétrica.
Biotecnologia e melhoramento genético no agro
A aplicação de biotecnologia e melhoramentos genéticos tem impulsionado a eficiência e a sustentabilidade no agronegócio. O uso de sementes geneticamente modificadas e técnicas avançadas de melhoramento têm contribuído para uma maior resistência a pragas e doenças, redução do uso de defensivos e um aumento na produtividade por hectare. Tais inovações também são fundamentais para a adaptação das culturas às mudanças climáticas, permitindo que o setor agrícola se mantenha competitivo e sustentável a longo prazo. Essas tecnologias são particularmente acessíveis a pequenos produtores, viabilizadas pela escala e pela liderança das grandes empresas do agronegócio, que possibilitam a disseminação desses avanços para toda a cadeia produtiva.
O papel das instituições de pesquisa e ensino
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem desempenhado um papel fundamental no avanço da ciência e tecnologia no agro, promovendo pesquisas que têm resultado em novas variedades de plantas, práticas agrícolas mais sustentáveis e tecnologias que aumentam a eficiência do setor. Além disso, o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e as universidades brasileiras têm sido fundamentais para a capacitação de profissionais e a disseminação de conhecimentos que contribuem para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. A parceria entre essas instituições e o setor privado também tem gerado inovações, como a criação de novas fibras e materiais sustentáveis a partir de matérias-primas agrícolas, substituindo derivados do petróleo e promovendo uma economia circular mais verde.
Impactos econômicos e sociais positivos
O agronegócio brasileiro tem desempenhado um papel crucial no crescimento econômico do país, especialmente nas regiões Centro-Oeste e na Amazônia, que são vitais para a produção agrícola e pecuária. O estado do Mato Grosso, na região centro-oeste tem se destacado na exportação, representando mais de 40% do saldo positivo da balança comercial Brasileira em 2023. A atividade gera milhões de empregos diretos e indiretos e é responsável por uma significativa parte das exportações brasileiras. O Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, exerce uma função estratégica no abastecimento global, promovendo a segurança alimentar em diversos países. Além disso, o agronegócio brasileiro tem se tornado um importante motor de inovação, com o surgimento de um "Vale do Silício do agro", um hub de startups e empresas que prestam serviços tecnológicos e inovadores ao setor, gerando emprego, renda e tecnologia.
Imagem: Crea-SP · BY-NC-SA · Openverse
Paraguai
O agronegócio brasileiro possui uma presença ampla, influente e controversa no Paraguai, especialmente nos territórios que fazem fronteira com os estados do Mato Grosso do Sul e Paraná. Os latinfundiários brasileiros alteraram profundamente o panorama da agricultura e da distribuição de terras no país. Nos departamentos de Canindeyú e Alto Paraná, brasileiros são donos de 60,1% e 55,2% das terras, respectivamente. No país como um todo, a proporção de terras sob propriedade de brasileiro é de 14,2%. Foram responsáveis pela introdução da soja na década de 1970, e da soja geneticamente modificada na década de 1990, da qual controlam, segundo estimativas, 80% da produção. Além de outras commodities típicas do agronegócio brasileiro, como o milho, o trigo e os produtos da pecuária. Essa população brasileira no Paraguai divide-se geralmente em dois grupos - os brasiguaios, que habitam o país e são, na maior parte, donos de pequenas propriedades; e os empresários brasileiros, que vivem no Brasil e acumulam terras no país vizinho como extensão do agronegócio no centro-oeste e sul.


