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Bloqueio do X no Brasil

O bloqueio do X no Brasil refere-se à suspensão imediata, completa e integral do funcionamento da X Brasil Internet Ltda. e outras empresas relacionadas ao Elon Musk no país, determinada em 30 de agosto de 2024 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, relator do mandado de intimação.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Histórico

Contexto

Musk reconhece que os vários países em que o X opera têm leis diferentes com relação à liberdade de expressão. Em 26 de abril de 2022, Musk tuitou "Por 'liberdade de expressão', quero dizer simplesmente aquilo que corresponde à lei." Em junho de 2023, ele disse que "o Twitter não tem escolha a não ser obedecer aos governos locais. Se não obedecermos às leis do governo local, seremos fechados. O melhor que podemos fazer é realmente seguir a lei em qualquer país, mas é impossível fazermos mais do que isso ou seremos bloqueados e nosso povo será preso." Em países como Índia e Turquia, por exemplo, o X aceitou derrubar perfis e conteúdos considerados inapropriados conforme determinação das autoridades locais.

Investigações

No dia 3 de abril de 2024, o jornalista norte-americano Michael Shellenberger reacendeu a polêmica sobre o ministro Alexandre de Moraes ao publicar críticas no que chamou “Twitter Files Brazil”. Shellenberger compartilhou e-mails de um ex-executivo do X que criticavam pedidos do judiciário brasileiro por dados de usuários da plataforma, o que iria contra a política da rede social. O jornalista acusou Moraes de exigir que a plataforma revelasse dados de usuários e censurasse postagens para combater apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. No dia 6 de abril de 2024, Elon Musk se posicionou contra as decisões de Moraes, sob a alegação de constituírem censura, e ameaçou reativar os perfis de usuários bloqueados pela Justiça. Segundo Musk, os perfis estavam sendo censurados por razões políticas. Moraes afirmou que não cabia à empresa contestar bloqueio de contas por não ser parte do processo, apenas destinatária das ordens.

Fechamento de escritório e suspensão da plataforma

Em 17 de agosto, Elon Musk anunciou que o X fecharia o seu escritório no Brasil. Segundo Musk, a decisão foi tomada após o ministro Alexandre de Moraes decretar a prisão de Rachel de Oliveira Villa Nova, então representante da empresa no país, por "desobediência a decisões judiciais". Em 28 de agosto, o Supremo Tribunal Federal, por meio do seu próprio perfil no X, intimou Elon Musk, publicando a decisão do ministro Alexandre de Moraes a indicar um representante legal para a empresa, citando a possibilidade de suspensão da rede social caso a empresa não cumpra decisões do Judiciário. O prazo se encerrou às 20:07 do dia 29 de agosto, com a própria empresa informando que esperava que a rede social fosse bloqueada no país após o fim do prazo estabelecido por Moraes.

Bloqueio de recursos financeiros da Starlink

Em 29 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de recursos financeiros da Starlink, também de propriedade de Musk, para garantir o pagamento de multas aplicadas à rede social X no Brasil. No dia seguinte, a empresa Starlink Holding recorreu ao STF contra a decisão do ministro. No dia seguinte, o ministro do STF, Cristiano Zanin, negou o recurso da empresa Starlink contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes que bloqueou as contas da companhia no Brasil. Em 1 de setembro, a Starlink comunicou ao presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, que não vai cumprir a decisão do ministro Alexandre de Moraes, de suspender o acesso de seus usuários à rede social X. A Starlink avisou a Anatel de que não vai cumprir a ordem até que as contas da empresa, bloqueadas também por determinação do ministro, sejam desbloqueadas pela Justiça. No dia seguinte, a Starlink pediu novamente ao STF o desbloqueio de suas contas bancárias no Brasil após ter o primeiro recurso negado pelo ministro Cristiano Zanin.

Pagamento de multas e desbloqueio

Em 4 de outubro, o X pediu o desbloqueio após pagar a multa de 28,6 milhões de reais. Moraes respondeu que o X depositou o valor da multa em uma conta errada, da Caixa Econômica Federal, em vez de pagar na conta correta, do Banco do Brasil, e que o X sabia da existência da conta correta. Segundo o X, a empresa foi orientada a pagar por meio de uma guia de depósito judicial, orientação do próprio STF. Após 3 dias, no dia 7 de outubro, a Caixa transferiu o dinheiro para a conta certa. Em 8 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o desbloqueio do X no Brasil após a plataforma ter comunicado o pagamento das multas e o bloqueio de contas exigidos pelo STF.

Arquivamento de investigação

No dia 10 de março de 2026, a pedido do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, arquivou o inquérito aberto para investigar Elon Musk por suposta obstrução de justiça e envolvimento com milícias digitais. Gonet citou a inexistência de "provas que sustentem a tese inicial de instrumentalização dolosa da rede social X" para justificar o pedido de arquivamento.

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Reações

X e Elon Musk

Musk rotulou Moraes de "ditador brutal" e alegou que a Justiça estava tentando censurar contas populares no Brasil. Reagindo à decisão, Musk escreveu em sua conta no X: "A liberdade de expressão é a base da democracia e um pseudojuiz não eleito no Brasil está destruindo-a para fins políticos." Pouco depois de sua suspensão, o X criou a conta "@AlexandreFiles", supostamente para lançar "uma luz sobre os abusos da lei brasileira cometidos por Alexandre de Moraes". A conta começou a postar ordens seladas de Moraes em 31 de agosto. Musk também retuitou pedidos de protesto e pelo impeachment de Moraes.

Judiciário

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou, por unanimidade, a decisão de Moraes de suspender o X por descumprimento de ordens judiciais. Apesar de também ter apoiado a decisão, o ministro Luiz Fux fez uma ressalva, destacando que a medida não deve afetar pessoas ou empresas que não participaram do processo, exceto se usarem a plataforma para fraudar a decisão com manifestações ilegais, como racismo ou incitação ao crime. Os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin também votaram a favor da decisão, com Dino ressaltando a soberania e o respeito à liberdade de expressão e criticando o bilionário Elon Musk por desrespeitar a soberania da justiça brasileira. Zanin reforçou que o descumprimento reiterado das ordens judiciais justificava a suspensão, enquanto Cármen Lúcia destacou que empresas estrangeiras devem obedecer às leis do Brasil para operar no país. Dino afirmou que "o poder econômico e o tamanho da conta bancária não fazem nascer uma esdrúxula imunidade de jurisdição".

Políticos

Em uma entrevista em 30 de agosto, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que Elon Musk deveria respeitar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), criticando-o por supostamente ofender autoridades locais. Lula da Silva afirmou que a sociedade brasileira não tem um "complexo de inferioridade". Mais tarde, ele disse que o mundo poderia aprender com o exemplo do Brasil e não é "obrigado a aturar a extrema direita de Musk só porque ele é rico." Membros do Congresso Nacional do Brasil expressaram opiniões variadas sobre a decisão. O direitista Nikolas Ferreira, membro da Câmara dos Deputados, declarou: "Os tiranos [sic] querem transformar o Brasil em outra ditadura comunista, mas não vamos recuar. Repito: não votem em quem não respeita a liberdade de expressão. Orwell estava certo". A deputada de direita Bia Kicis afirmou que "as consequências dos ataques de Alexandre de Moraes a Elon Musk, X e Starlink serão lamentáveis ​​para os brasileiros". Ela também pediu que Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal, agisse. O deputado Marcel van Hattem escreveu no X: "Estou tuitando isso com VPN."

Mídia

A decisão recebeu ampla atenção internacional. O The New York Times descreveu a situação como o teste mais significativo até agora para os esforços de Musk para transformar a rede social em uma plataforma onde quase tudo é possível. A Associated Press destacou que a medida intensifica o conflito em andamento entre Musk e Moraes sobre liberdade de expressão, contas de extrema direita e desinformação. O The Washington Post observou que a ação ocorreu após a recusa de Musk em nomear um representante legal no Brasil. Enquanto isso, o El País afirmou que a decisão de Moraes representou uma sanção pública rigorosa sobre os limites da liberdade de expressão e os esforços para combater a desinformação.

Outros

Em 18 de setembro, mais de 40 intelectuais e professores de vários países, como Reino Unido, México, Argentina, Estados Unidos e até do Brasil, divulgaram uma carta aberta em que declaram apoio ao Brasil em relação ao bloqueio do X e criticam o bilionário Elon Musk. O texto expressa preocupação com a influência das chamadas big techs, grupo representado por Google, Meta, Apple, Amazon e Microsoft, sobre a soberania digital do Brasil, e destaca o caso do X em desobedecer decisões judiciais. Donald Trump, na carta enviada ao governo brasileiro em 9 de julho de 2025, acusou o governo do Brasil de “ataques insidiosos contra eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”, incluindo a censura de “plataformas de mídia social dos EUA”.

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Fontes consultadas

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