Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias
Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, cognominada de "Mãe dos Brasileiros", foi a esposa do Imperador Pedro II e Imperatriz Consorte do Brasil de 1842 até a Proclamação da República, em 1889. Nascida como Princesa do Reino das Duas Sicílias, ela era filha do rei Francisco I, pertencente ao ramo italiano da Casa de Bourbon, e de sua esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha, uma das irmãs mais novas da rainha Carlota Joaquina, avó paterna de seu marido. Ela patrocinou estudos arqueológicos na Itália e ajudou à Imigração italiana no Brasil.
Nascimento
Teresa Cristina nasceu no dia 14 de março de 1822 no Palácio Real em Nápoles, Duas Sicílias. Era a décima segunda filha, a sétima menina, do então Duque de Calábria, Francisco, que três anos depois tornou-se o rei Francisco I das Duas Sicílias. Pertencia à Casa de Bourbon-Duas Sicílias através de seu pai, do ramo italiano da Casa de Bourbon. Era descendente do rei Luís XIV da França na linhagem masculina, através de seu neto o rei Filipe V da Espanha. A mãe de Teresa Cristina era a infanta Maria Isabel de Bourbon, filha do rei Carlos IV de Espanha e uma das cinco irmãs mais novas de D. Carlota Joaquina, esposa do rei D. João VI de Portugal, avô paterno de seu marido. Por isso, Teresa Cristina era prima direta de D. Pedro I e prima em primeiro grau e meio de seu futuro esposo, D. Pedro II do Brasil, ou seja o Imperador do Brasil era seu primo-sobrinho, eles estavam ligados por estreitos laços familiares, então foi apresentado ao Papa Gregório XVI um pedido de dispensa especial, para poder finalizar o acordo matrimonial consanguíneo, obtida a dispensa, foi organizado o casamento por procuração, no 30 de maio de 1843, em Nápoles.
Casamento
Vincenzo Ramírez, embaixador das Duas Sicílias no Império Austríaco, se reuniu em Viena no início da década de 1840 com Bento da Silva Lisboa, 2.º Barão de Cairu, o enviado brasileiro encarregado de encontrar uma esposa para o jovem imperador D. Pedro II do Brasil. Até então, todas as casas reais procuradas mostraram-se reticentes já que temiam que Pedro II fosse desenvolver uma personalidade semelhante a de seu pai D. Pedro I, conhecido por sua inconsistência e por ter várias amantes. Ramírez não deu muita importância para a reputação do monarca e propôs a mão de Teresa Cristina ao imperador. Por fazer parte de uma família grande, e assim capaz apenas de um dote, as perspectivas de casar a princesa com o imperador não podiam ser postas de lado tão facilmente.
Vida doméstica
Teresa Cristina tornou-se uma parte vital da família e da Corte. Nunca preencheu o papel de amante romântica ou parceira intelectual, no entanto, a sua devoção ao imperador permaneceu firme, mesmo temendo ser suplantada. Sempre apareceu em público com o marido, que sempre a tratou com respeito e consideração. A imperatriz não foi rejeitada nem desprezada, porém a relação dos dois mudou. Com o tempo Pedro ficou mais maduro e seguro de si, afirmando sua força de caráter e poder, deixando de temer conspirações e aprendendo a discernir quando estava sendo manipulado passou a tratá-la mais como uma amiga íntima e companheira do que como esposa. A visão há muito difundida é que a imperatriz aceitou o papel circunscrito que lhe foi dado, o dever e o propósito estavam ligados a sua posição de imperatriz. Na sua correspondência particular verifica-se que podia ter um temperamento forte, e algumas vezes entrou em conflito com Pedro, tinha uma vida própria, embora restrita. Teresa Cristina afirmou numa carta datada de 2 de maio de 1845: "Não vejo a hora de te abraçar novamente, bom Pedro, e pedir-te perdão por tudo o que te fiz nestes dias", noutra carta de 24 de janeiro de 1851, reconhece o seu temperamento "difícil", "Não estou irritada contigo [Pedro] deves perdoar este meu caráter". A sua filha Leopoldina descreveu-a, numa carta, como "dominadora", dizendo, "A mãe gosta tudo como ela quer, apesar do Evangelho dizer que a mulher deve submissão ao marido".
Condessa de Barral
Havia um laço emocional entre Pedro e Teresa Cristina baseado na família, no respeito mútuo e nos afetos. A imperatriz era uma esposa obediente, sempre apoiou as decisões do imperador. O casal sofreu uma dor enorme com a morte de seu filho mais velho Afonso Pedro em junho de 1847. O Príncipe estava a brincar na biblioteca do Palácio de São Cristóvão quando começou a sofrer de convulsões, morrendo pouco depois. Foi um choque muito grande para Teresa Cristina que temeu pela sua saúde, já que estava grávida da princesa Leopoldina e daria à luz em um mês. Outra tragédia veio com a morte do segundo filho, Pedro Afonso, em janeiro de 1850. Com o falecimento dos dois meninos, o Brasil tinha duas mulheres como herdeiras e, apesar do império não seguir a lei sálica, criou-se um problema de sucessão já que Pedro e Teresa Cristina acreditavam que apenas um homem poderia comandar o país (mais tarde, ficaria provado que não era assim), uma situação que piorou, já que a imperatriz nunca mais engravidou, restando as duas princesas.
Fim do império
Quando as filhas chegaram à idade de casar, Pedro começou a procurar os maridos para as filhas a fim de assegurar a sucessão imperial. Depois de avaliar vários candidatos e consultar a sua irmã a princesa D. Francisca de Bragança e o cunhado Francisco, Príncipe de Joinville, o imperador escolheu os netos do rei Luís Filipe I da França: os príncipes Gastão, Conde d'Eu, e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota. Os dois viajaram até o Rio de Janeiro onde se casaram em 1864 com as princesas Isabel e Leopoldina, respectivamente. Elas pouco depois deixaram de viver com os pais para formar sua própria família, tendo Leopoldina ido viver com o marido na Europa.
Morte
A chegada da família imperial a Lisboa coincidiu com as cerimônias de ascensão do rei D. Carlos I, e logo o governo português informou Pedro que a presença de um soberano deposto não era bem-vinda à capital naquele momento. Humilhados pela recepção, o imperador e a imperatriz foram para a cidade do Porto enquanto Isabel e seus filhos partiram para a Espanha. A família imperial recebeu a 24 de dezembro a notícia oficial que haviam sido banidos para sempre do Brasil. Até aquele momento, fora pedido que eles partissem sem nenhuma indicação sobre quanto tempo teriam que ficar longe. A "notícia aniquilou a vontade de viver de D. Teresa Cristina". Pedro escreveu no seu diário, do dia 28 de dezembro: "Ouvindo a Imperatriz queixar-se fui ver o que era, está com frio e dor nas costas; mas não tem febre". Assim, o imperador saiu para passear pela cidade e visitar a biblioteca. A respiração de Teresa Cristina ficou cada vez mais pesada enquanto o dia passava e uma falha no seu sistema respiratório levou a uma paragem cardiorrespiratória às 14h daquele mesmo dia.
Apesar da aparente indiferença de Pedro para com Teresa Cristina no início do casamento, o imperador sofreu muito com sua morte. Segundo o historiador José Murilo de Carvalho: "mesmo com a decepção inicial que lhe causou a sua prometida, a falta de atracção por ela e as relações que teve com outras mulheres, mas, o facto de terem vivido 46 anos juntos desenvolveu um forte sentimento de amizade, de afecto e de grande respeito por ela, sentimentos que sua morte trouxe à tona". Roderick J. Barman fez uma análise similar; segundo ele, apenas depois da morte da esposa é que Pedro "começou a apreciar sua atenção, sua amabilidade, sua abnegação e sua generosidade". Muitas vezes chamada de "minha santa" e considerada a mais virtuosa da relação, o imperador imaginava que seria no paraíso onde ela receberia o reconhecimento e as recompensas de tudo que ele não lhe havia conseguido dar em vida. Para Barman, a personalidade de santidade que Pedro conferiu a Teresa Cristina lhe assegurou o perdão por não tê-la tratado tão bem, além de lhe ter garantido uma protecção pela eternidade já que ela certamente interviria a seu favor.


