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Amélia de Leuchtenberg

Amélia de Leuchtenberg foi uma princesa da Casa de Beauharnais que se tornou, por casamento, imperatriz consorte do Brasil como segunda esposa do imperador Pedro I, exercendo esse papel entre 1829 e 1831. Era filha de Eugênio de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e da princesa Augusta da Baviera, pertencendo a uma família ligada ao legado napoleônico e às casas reinantes da Europa. Seu casamento com Pedro I ocorreu após a morte da imperatriz Maria Leopoldina da Áustria, inserindo-a no contexto político do final do Primeiro Reinado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Início de vida

Amélia foi a quarta dos sete filhos do general Eugênio de Beauharnais e de sua esposa, a princesa Augusta da Baviera. Seu pai era filho da famosa imperatriz Josefina e de seu primeiro marido, o visconde Alexandre de Beauharnais. Viúva, Josefina casou-se em segundas núpcias com Napoleão Bonaparte, e Eugênio foi adotado oficialmente pelo imperador francês como filho e feito vice-rei da Itália durante as tratativas de seu casamento com Augusta. A mãe de Amélia era filha do rei Maximiliano I José da Baviera e de sua primeira consorte, a princesa Augusta Guilhermina de Hesse-Darmstadt. Entre os irmãos de Amélia estavam Josefina de Leuchtenberg, rainha consorte de Óscar I da Suécia, e Augusto de Beauharnais, príncipe consorte de Maria II de Portugal (enteada de Amélia). Napoleão III foi seu primo-irmão. Depois da queda de Napoleão em 1814, Eugênio, tendo assumido o título de duque de Leuchtenberg, fixou residência em Munique, mas após sua morte a família ficou em situação incerta, sem grandes perspectivas para o futuro. Embora fossem nobres, seu parentesco com Napoleão não facilitava seu trânsito entre as cortes e o reconhecimento de sua nobreza. O surgimento da possibilidade de casar Amélia com o Imperador do Brasil pareceu à mãe, Augusta, a melhor alternativa para garantir as pretensões da Casa de Leuchtenberg a um status régio.

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Casamento

Após a morte da primeira esposa, a arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina, em dezembro de 1826, Pedro I do Brasil incumbiu o Marquês de Barbacena de lhe buscar na Europa uma segunda esposa. Sua tarefa não foi fácil, e vários fatores complicaram a busca. Em primeiro lugar, Pedro havia estipulado quatro condições para aceitar uma nova consorte: ela deveria ser de bom nascimento, bela, virtuosa e culta. Não eram muitas as princesas disponíveis que satisfaziam todos os requisitos. Além disso, a imagem do Imperador na Europa não era boa, seu envolvimento com a Marquesa de Santos era notório e dificilmente alguma candidata deixaria as cortes europeias para casar-se com quem tinha fama de infiel, assumindo além disso cinco enteados. Para piorar a situação, o antigo sogro de Pedro, o imperador austríaco Francisco I, não tinha o ex-genro em bom conceito e divergia de suas ideias políticas, e aparentemente agiu para boicotar um novo casamento a fim de garantir que seus netos herdassem o trono brasileiro, se sobrevivessem à infância.

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Chegada ao Brasil e vida como imperatriz

Amélia de Leuchtenberg chegou ao Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1829, na fragata Imperatriz, vinda de Oostende, na Bélgica, bem antes da data prevista. Consta, que ao saber que o navio se aproximava, D. Pedro embarcou em um rebocador para encontrá-lo fora da barra, e ao ver que a beleza da esposa correspondia às suas altas expectativas, desfaleceu de emoção. Acompanhavam-na a bordo o Marquês de Barbacena e a pequena Maria da Glória, a futura Maria II de Portugal, em favor de quem o pai renunciara aos seus direitos ao trono português em 1828. Barbacena, que na mesma viagem havia recebido a missão de levar Maria para os cuidados de seu avô, o imperador Francisco I, no meio do trajeto soube da usurpação do trono português por Miguel, irmão de Pedro, e decidiu em vez levá-la para a Inglaterra, que considerou um lugar mais seguro. Após concluir as tratativas do enlace imperial, buscou-a novamente, embarcando-a de volta para o Brasil junto com a comitiva de Amélia, onde se encontrava também o irmão da noiva, Augusto de Beauharnais, 2.° Duque de Leuchtenberg. Pouco depois do primeiro encontro do casal, os filhos do primeiro casamento de Pedro conheceram sua madrasta ainda no navio que a trouxera, para almoçarem todos juntos.

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De volta à Europa

Amélia seguiu com Pedro, agora com o título de duque de Bragança, de navio para a Europa. Encontrava-se grávida de três meses e sofreu muito com enjoos. O primeiro porto a ser alcançado foi do Faial, no arquipélago dos Açores. Após se reabastecer, o navio seguiu viagem rumo a Cherburgo, na França, chegando ali em 10 de junho de 1831. Foram recebidos com honras de monarcas reinantes, com uma salva de 21 tiros de canhão e um destacamento de cinco mil soldados da Guarda Nacional. A Prefeitura da cidade ofereceu-lhes um palácio para que se acomodassem, mas em 20 de junho Pedro seguiu para Londres, deixando para trás Amélia, à qual se reuniu Maria da Glória em 23 do mesmo mês. Em seguida, Amélia estabeleceu residência em Paris, com Maria da Glória e Isabel Maria, Duquesa de Goiás, que acabaria adotando por filha. No dia 30 de novembro de 1831 a imperatriz deu à luz a princesa Maria Amélia de Bragança, sua única filha. O pai expressou sua felicidade em carta ao pequeno Pedro II, nos seguintes termos: "A Divina Providência quis diminuir a tristeza que sente meu coração paterno pela separação de V.M.I. [Vossa Majestade Imperial] dando-me mais uma filha e, à V.M.I., mais uma irmã e súdita".

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Viuvez e últimos anos

Os prolongados combates na cidade do Porto e a luta de trincheira, minaram a saúde de d. Pedro que contraiu tuberculose e faleceu em 24 de setembro de 1834. Amélia respeitou as disposições testamentárias do finado, que desejava ter sua filha ilegítima com a Marquesa de Santos, Maria Isabel, bem-educada na Europa, como estava sendo sua outra filha, Isabel Maria, Duquesa de Goiás, mas apesar do convite feito para que lhe enviasse a menina, a marquesa declinou. Pedro também estipulara dotes para outros de seus filhos adulterinos, que foram concedidos às expensas da herança de Amélia e de sua própria filha, expressando seu respeito pelo amor que Pedro dedicara a toda a sua prole, legítima ou não. Amélia não voltou a se casar; mudou-se para o Palácio das Janelas Verdes e dedicou-se a obras de caridade e à educação da filha, que demonstrou possuir grande inteligência e pendor para a música, ocasionalmente visitando a Baviera com sua menina. Apesar de estabelecidas em território luso, elas não eram consideradas parte da família real portuguesa. Amélia solicitou então ao governo brasileiro o reconhecimento dela e de sua filha como membros da família imperial brasileira, com direito a uma pensão, mas Pedro II ainda era menor de idade e o Brasil era governado por uma Regência, que temia uma possível influência da imperatriz-viúva nos negócios de Estado e, mesmo, sua adesão a facções políticas que pudessem vir a prejudicar o governo. Assim, recusou-se o reconhecimento de Maria Amélia como uma princesa brasileira e proibiu-se a ela e sua mãe de colocarem os pés no país. Entretanto, com a maioridade de Pedro II, que mantinha boas relações com elas, a situação mudou, e em 5 de julho de 1841 mãe e filha foram reconhecidas como membros da família imperial brasileira.

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Morte

D. Amélia faleceu às 5h da manhã de 26 de Janeiro de 1873, sem agonia, embora tenha passado muito mal a madrugada inteira. Sofreu colapso cardíaco seguido de óbito. Foram constatados edemas, lesões pulmonares e angina pectoris (dor no peito que apresentava desde 1834, época da morte do imperador). O quadro era muito grave. Há registros anteriores de febre, bronquite e sufocação, quando chegou a pedir os sacramentos, mas melhorou ao saber das visitas que sua irmã, a rainha Joséphine da Suécia, e D. Pedro II fariam a ela. Conforme notícia publicada em 29 de janeiro de 1873: "o cadáver de sua Magestade a Imperatriz do Brazil foi embalsamado pelos Drs. Barral, Manuel Carlos Teixeira, assistindo a este acto os testamenteiros e a Sr.ª Condessa de Rio Maior, D.Isabel. Antes do cadáver ser encerrado no caixão de chumbo, fizeram ver Sua Magestade os Srs. Marquezes de Resende, Viscondes de Almeida e de Aljezur, as damas e todos os criados de sua casa".

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Exumação

Em 2012 os restos mortais da imperatriz, bem como de Pedro I e de sua primeira esposa, Leopoldina, foram exumados pela primeira vez por uma equipe de cientistas liderada pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, junto com especialistas da Faculdade de Medicina da USP. O processo foi cercado de sigilo, e apenas em 2013 veio a público. Descobriu-se que o corpo de Amélia estava mumificado, com vários órgãos preservados. Os exames realizados revelaram que ela sofria de grave escoliose, uma deformação na coluna espinhal, e osteoporose, um enfraquecimento dos ossos. Media entre 1,60 m e 1,66 m de altura e havia perdido vários dentes. O vestido que usava era preto, já que desde a morte de seu esposo, Pedro, ela guardara luto. As causas da mumificação ainda não foram bem esclarecidas, mas descobriu-se que seu corpo sofreu um processo de conservação após a morte, com a inoculação de substâncias aromáticas como cânfora e mirra. Também deve ter contribuído o lacramento hermético do caixão, impedindo a invasão de microrganismos que decompõem a matéria orgânica. Após os estudos, o corpo recebeu um novo tratamento para sua conservação, semelhante ao usado na época de seu falecimento.

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Títulos, estilos, honras e brasões

Honras

Enquanto Imperatriz Consorte do Brasil, Dona Amélia foi Grã-Cruz das seguintes Ordens:

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Descendência

Com D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal:

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