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Augusto de Beauharnais

Augusto de Beauharnais, foi o primeiro marido da rainha Maria II e Príncipe Consorte de Portugal e Algarves de 26 de janeiro de 1835 até à sua morte, dois meses depois. Foi também a partir de 1824 e até 1835 o segundo Duque de Leuchtenberg e Príncipe de Eichstätt. Ele possuía o título brasileiro de Duque de Santa Cruz e o título francês de Duque de Navarra. Filho primogénito do príncipe Eugênio de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg e de sua esposa, a princesa Augusta da Baviera, era irmão da imperatriz Amélia, segunda esposa de Pedro I do Brasil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Início de vida

Augusto de Beauharnais nasceu em 9 de dezembro de 1810, em Milão, filho do príncipe francês Eugênio de Beauharnais, enteado de Napoleão Bonaparte, e da princesa Augusta da Baviera, filha do rei Maximiliano I da Baviera. Augusto passou a sua infância e parte de sua juventude na cidade de Munique, residência dos Wittelsbach, a família real da Baviera, da qual fazia parte, por sua mãe, uma princesa bávara. Augusto foi educado nos princípios da honra militar pelo pai, Eugênio, e da moral católica pela mãe, Augusta. Em 14 de novembro de 1817, seu avô materno, rei Maximiliano I, concedeu a seu genro Eugênio o título de Duque de Leuchtenberg e Príncipe de Eichstätt, com direito ao tratamento de Alteza Real, para ele, e Alteza Serena, para seus filhos, incluindo Augusto. Além da posição e herança consolidadas, Eugênio, falecido jovem, em 21 de fevereiro de 1824, deixou à família um ilustre parentesco (o filho de sua irmã Hortensia viria a ser, em 1852, o Segundo Imperador da França com o título de Napoleão III) e uma fama "liberal" consolidada que marcou a existência de Augusto.

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Candidato ao trono da Bélgica

A primeira chance do cadete da família, quase Napoleônica, veio após a Revolução Belga, que começou em 25 de agosto de 1830, com o levante de Bruxelas. A independência foi proclamada no dia 4 de outubro seguinte. O recém-eleito Congresso Nacional da Bélgica votou pela forma monárquica e procedeu à eleição de um governante hereditário. Por duas vezes, Augusto ficou em segundo lugar na votação: o duque de Nemours, segundo filho do rei Luís Filipe I da França, foi o preferido. Entretanto, este recusou a oferta, forçado pela oposição feroz das outras potências. Assim, o Congresso teve de se preparar para aceitar o candidato indicado pelos poderes, Leopoldo de Saxe-Coburgo-Gota. Para Augusto, príncipe de uma casa não reinante, esse resultado poderia ser considerado um meio-sucesso, ou seja, créditos para a próxima eleição. A segunda ocasião apresentou-se noutro pequeno reino com um presente turbulento: Portugal.

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Passagem pelo Brasil

Após o casamento, por procuração, do Imperador D. Pedro I do Brasil, com sua irmã Amélia — que insistiu para que ele a acompanhasse em sua viagem ao Brasil — Augusto não pretendia aceder ao desejo da nova Imperatriz, mas foi estimulado pela mãe a transferir-se para a corte do Rio de Janeiro. Antes de partir, o jovem, que ainda não havia atingido a maioridade, deixou pronto o seu testamento. Em solo brasileiro, passou a residir no Palácio Imperial de São Cristóvão e tornou-se muito próximo do cunhado. Em alvará datado de 5 de novembro de 1829, D. Pedro I concedeu a Augusto, enquanto príncipe de Eichstätt e duque de Leuchtenberg, o direito ao tratamento de Alteza Real em todo o território nacional. Em Carta Imperial datada do mesmo dia, o imperador concedeu-lhe o título de duque de Santa Cruz, também com tratamento de Alteza Real.

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Regresso à Europa e casamento com Maria II

Quando D. Pedro I partiu para reconquistar o trono de Portugal para sua filha, rainha Maria II, Augusto voltou para a Baviera, para junto dos seus familiares. Entretanto, foi escolhido pelo imperador para marido da jovem rainha portuguesa pelas qualidades verificadas durante sua estada no Brasil, quando acompanhou sua irmã Amélia. Cumprindo o desejo do cunhado, Augusto casou com a rainha Maria II, por procuração, a 1 de dezembro de 1834. E, por palavras e de presença, na Sé de Lisboa, a 26 de janeiro de 1835. Foi marechal do exército português e Par do Reino, tomando assento na Câmara Alta alguns dias após o matrimônio.

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Morte

Augusto morreu em 28 de março de 1835, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, ao cabo de escassos dois meses de casamento e sem ter chegado a engravidar a soberana. Sua morte repentina, e em tão pouca idade, aos 24 anos, gerou grande distúrbio popular em Lisboa — corria o rumor de que o príncipe consorte havia sido envenenado. Contudo, em carta enviada à duquesa Augusta, antiga aia dos irmãos, Fanny Maucomble, descreveu a rápida evolução da doença de Augusto: "[…] Parece-me que o Príncipe tinha começado a sofrer de uma ligeira dor de garganta na sexta-feira, dia 20. Não tinha dito nada, não dando importância ao facto. Infelizmente! Vós, como eu, tínhamos conhecimento de como ele pouco cuidava da sua saúde. […] Domingo, saiu por volta das 7 horas da manhã para passear e disparar alguns tiros de carabina, num pequeno parque ao redor [do palácio] da Ajuda. Fazia muito frio; pois neste país, na primavera, as manhãs e as noites são frias e, por isso, perigosas.

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Duque de Santa Cruz

Duque de Santa Cruz foi um título de nobreza do Império Brasileiro criado por Carta Imperial, de 5 de Novembro de 1829, por Pedro I do Brasil, para seu cunhado, príncipe Augusto de Beauharnais. O topônimo associado a este título é relativo à Fazenda Imperial de Santa Cruz, situada hoje no bairro de mesmo nome, na cidade de Rio de Janeiro. Houve apenas um agraciado para este ducado.

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Representações na cultura

Imagem: GOMES, Francisco Augusto · BY-SA · Openverse

O ator Miguel Thiré interpretou Augusto de Beauharnais na minissérie O Quinto dos Infernos.

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Fontes consultadas

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