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Batalha do Vimeiro

A Batalha do Vimeiro foi travada no dia 21 de agosto de 1808, durante a primeira invasão francesa de Portugal, no âmbito da Guerra Peninsular (1807–1814). Nesta batalha defrontaram-se as forças anglo-lusas comandadas pelo tenente-general Sir Arthur Wellesley e as forças francesas comandadas pelo general Jean-Andoche Junot. A batalha resultou numa vitória para as forças anglo-lusas e determinou o fim da primeira invasão francesa de Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Antecedentes

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

O Exército de Observação da Gironda atravessou a Espanha e entrou em Portugal no dia 17 de Novembro de 1807, acompanhado por três divisões espanholas. No dia 30 daquele mês, pelas 09h30, Junot entrava em Lisboa com cerca de 1,5 mil homens, esgotados da violenta marcha que acabavam de fazer. O grosso do exército chegou nos dias seguintes em condições igualmente deploráveis. Não só não houve resistência à invasão como também houve a preocupação das autoridades, seguindo as diretivas reais, não hostilizarem o invasor. Junot estava a trabalhar para Napoleão Bonaparte (Imperador de França). Quando eclodiu a revolta em Espanha (2 de Maio de 1808), a posição de Junot tornou-se difícil de sustentar, porque nas tropas espanholas que o tinham acompanhado surgiam indícios de simpatia pela revolta. Em Junho e Julho de 1808, as revoltas surgiram também em Portugal. Elas levaram à decisão de enviar um contingente britânico. Após terem sido coordenados os apoios necessários com a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que se formara no Porto, uma força expedicionária britânica iniciou o seu desembarque em Lavos, a sul da Figueira da Foz, no dia 1 de agosto. O comando da força era da responsabilidade do tenente-general Sir Arthur Wellesley. Das forças de Bernardim Freire de Andrade, que comandava um corpo de tropas portuguesas vindo do norte em direção à Península de Lisboa, juntaram-se aos britânicos 2 592 homens, que formaram o Destacamento Português, sob o comando do tenente-coronel Nicholas Trant.

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O campo de batalha

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A povoação do Vimeiro situa-se na margem direita do rio Alcabrichel, a 14 km a noroeste de Torres Vedras e 8 km a sul da Lourinhã. No Sudeste da povoação, existe uma colina que foi ocupada pelas brigadas de Anstruther e Fane. Hoje existe nessa colina um monumento comemorativo do centenário da batalha, mandado erguer pelo rei Dom Manuel II. O rio Alcabrichel corre de sul para norte; a seguir ao Vimeiro, curva em direção ao mar (oeste). O seu percurso, pouco antes de chegar ao Vimeiro, marca um vale com ladeiras íngremes na margem esquerda. Nesta, entre o Vimeiro e o mar, forma-se uma linha de elevações, de onde se pode dominar o vale do Maceira e as praias junto à sua foz. A norte do Vimeiro, entre ravinas difíceis de transpor, situa-se uma outra linha de elevações, por onde se atinge, em estradas secundárias, Ventosa, Santa Bárbara, Casal Novo, Lourinhã. A sul de Ventosa, no vale, existe a povoação de Toledo. A primeira daquelas povoações marca a posição norte posteriormente ocupada pelas brigadas de Ferguson, Nightingale e Bowes.

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As forças em presença

As forças anglo-lusas

O exército de Wellesley estava organizado em brigadas e apresentava um efetivo de 18 878 homens, dos quais 2 100 eram portugueses. A sua estrutura era a seguinte: A cavalaria formava um corpo sob o comando do tenente-coronel C. D. Taylor e era formada por forças do 20.º Regimento de Dragões Ligeiros (20th Light Dragons) com um efectivo de 240 homens e pela cavalaria portuguesa com um efectivo de 258 homens. A artilharia (Royal Artillery), sob comando do tenente-coronel W. Robe, dispunha de três baterias, um total de 18 bocas de fogo e 226 homens. A infantaria portuguesa estava sob comando do tenente-coronel Nicholas Trant. As forças portuguesas, infantaria e cavalaria, eram constituídas por efectivos das unidades seguintes:

As forças francesas

As forças que Junot utilizou na Batalha do Vimeiro tinham um efectivo perto dos 14 000 homens. A sua organização de origem é a que seguir se indica: A cavalaria francesa era constituída por uma divisão sob comando do general Pierre Margaron, com as subunidades seguintes: A artilharia francesa dispunha de 23 bocas de fogo.

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A batalha

Após a Batalha da Roliça (17 de agosto de 1808), Wellesley dirigiu as suas forças para as posições do Vimeiro, com a finalidade de proteger o desembarque de mais duas brigadas na praia de Porto Novo, na foz do Rio Alcabrichel. A primeira destas brigadas, sob comando do brigadeiro-general Robert Anstruther, desembarcou no dia 19. No dia 20, a segunda brigada, sob comando do brigadeiro-general Wroth Palmer Acland, iniciou o desembarque. Na manhã do dia seguinte, porém, ainda faltava desembarcar um terço das forças. Entretanto, Wellesley posicionou no terreno todas as forças desembarcadas. A intenção de Wellesley era, após o desembarque, caso não fosse atacado pelos franceses, continuar o seu movimento em direcção a Lisboa, pela estrada de Mafra. No dia 20 de agosto, Wellesley tomou conhecimento da chegada do tenente-general Sir Harry Burrard, oficial mais antigo que Wellesley. Por isso, aquele deveria assumir o comando. Os dois generais encontraram-se a bordo do navio Brazen, perto da foz do Rio Alcabrichel. Burrard decidiu que não seriam efectuados quaisquer movimentos para sul, até se lhes juntar uma divisão sob comando do tenente-general Sir John Moore, que se encontrava já ao largo da costa portuguesa. Burrard decidiu, contudo, passar mais uma noite a bordo. Dessa forma, o comandante das forças anglo-lusas durante a Batalha do Vimeiro foi Wellesley.

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Consequências da batalha

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Sir Harry Burrard, ao assumir o comando das forças, determinou que não haveria perseguição e que esperariam pela divisão de Sir John Moore, que deveria desembarcar em breve. Ainda no dia 21 de manhã, desembarcou na praia de Porto Novo outro oficial, que deveria assumir por sua vez o comando das forças: Sir Hew Dalrymple. Com pouca experiência de campanha, sem o espírito audacioso de Wellesley, decidiu igualmente por esperar Sir John Moore. Entretanto, o exército que se encontrava no Vimeiro, marchando ao longo da costa, contornou Torres Vedras e dirigiu-se para Mafra. Moore só iniciou o desembarque no dia 25 e este prolongou-se até ao dia 30. Em Torres Vedras, Junot e os seu generais reuniram-se para analisarem a situação. Resolveram que o exército não estava em condições de enfrentar nova batalha e que a melhor saída desta situação era tentarem negociar com os britânicos. Os franceses cediam Lisboa com todos os seus armazéns e riquezas intactos em troca da possibilidade de retirarem o exército para França em condições de segurança. Isto significava também que Kellermann foi encarregue destas negociações. O resultado das negociações que se seguiram foi a Convenção de Sintra que tão grande escândalo provocou. Em Setembro, as forças francesas saíam de Portugal.

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