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Batalha de Albuera

A Batalha de Albuera, junto a La Albuera, foi travada em 16 de Maio de 1811. Durante a Guerra Peninsular, um corpo de tropas composto por forças britânicas, portuguesas e espanholas, sob o comando de Beresford, enfrentou o exército de Soult, que pretendia socorrer a guarnição francesa que se encontrava em Badajoz. A batalha resultou inconclusiva, segundo a opinião de Beresford mas, na realidade, o objectivo foi alcançado, se bem que à custa de pesadas baixas. O exército de Soult foi obrigado a retirar e o cerco a Badajoz foi mantido.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Antecedentes

No Verão de 1810, o corpo de tropas francês denominado L' Armée du Portugal, sob o comando do Marechal Massena, deu início à terceira invasão de Portugal. Em Outubro desse ano, perante o sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, Massena compreendeu que não tinha possibilidades de atingir Lisboa sem receber reforços. Numa tentativa de apoiar Massena, de acordo com as ordens recebidas de Napoleão, Soult dirigiu-se para a fronteira portuguesa. A entrada em Portugal por Sul, no entanto, estava bem defendida por praças fortes, em território português e em território espanhol. A 22 de janeiro de 1811, as tropas francesas conseguem a rendição de Olivença e, no dia 28, começam a construir as trincheiras do cerco à praça forte de Badajoz. A 19 de fevereiro, quando os espanhóis tentaram libertar aquela praça, sofreram uma pesada derrota na Batalha de Gebora e Badajoz acabou por se render a 11 de março. Então já as tropas de Massena, impossibilitadas de obterem abastecimentos num território devastado, estavam em retirada desde o 4 de março.

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O campo de batalha

A cerca de 25 Km de Badajoz, para Sudeste, situa-se a povoação de La Albuera que no início do século XIX se situava totalmente na margem ocidental do rio com o mesmo nome. La Albuera era uma aldeia grande com a torre da igreja muito alta, situada numa pequena colina frente à linha de alturas, a pouco mais de 150 metros da margem do rio. O Rio Albuera é um afluente do Rio Guadiana e forma-se por junção das ribeiras de Chicapierna e de Nogales. Não tem um grande caudal mas não deixa de constituir um obstáculo. A infantaria e a cavalaria (da época que estamos a tratar) podiam atravessá-lo sem dificuldade mas a artilharia e os trens, com os seus carros, necessitavam de utilizar a ponte situada um pouco a sul da povoação ou alguns pontos em que as margens não constituíam por si só um obstáculo. Na margem ocidental do Rio Albuera, onde se instalaram os Aliados, excluindo as zonas em que a margem apresenta pequenas escarpas, podemos dizer que o terreno sobe suavemente. Não oferecia, assim, uma nítida vantagem para o defensor. A leste do rio, o terreno, ainda mais suave, era arborizado o que permitia esconder os movimentos das tropas francesas.

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As forças em presença

Forças Aliadas

As Forças Aliadas eram constituídas por tropas britânicas, portuguesas e espanholas. As tropas anglo-lusas (10 449 britânicos e 10 201 portugueses) encontravam-se sob o comando de William Carr Beresford. A estas tropas juntaram-se os exércitos espanhóis (14 634 homens) do General Francisco Javier Castaños e do Capitão-General Joaquín Blake. As forças anglo-lusas somavam 20 650 homens. Estas forças estavam sob o comando do Marechal William Carr Beresford que era então o comandante do Exército Português. Encontravam-se organizadas da seguinte formaː Toda a cavalaria aliada estava sob o comando do Major-general William Lumley. Com um efectivo de 14 634 homens, pertenciam a dois corpos de tropas distintos: um comandado pelo General J Joaquín Blake (12 073 homens), outro pelo General Francisco Javier Castaños (2 561 homens). Estavam organizados da seguinte formaː

As forças francesas

As forças francesas eram comandadas pelo Marechal Soult e tinham um efectivo aproximado de 24 270 homens. Dispunha de uma considerável força de cavalaria. Estavam organizadas da seguinte formaː

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As operações

Além das forças anglo-lusas, Beresford dispunha dos corpos de tropas espanholas de Joaquín Blake e de Castaños. Blak vinha directamente de Cadiz, enviado pela Regência espanhola; desembarcou em Ayamonte e subiu o Guadiana até encontrar forças aliadas. Castaños encontrava-se em Mérida e juntou-se às tropas anglo-lusas ainda em Badajoz. Beresford assumiu o comando de todas estas forças com o acordo dos dois generais espanhóis e dispôs as suas tropas assumindo que Soult iria desencadear o seu ataque principal em La Albuera com a finalidade de romper o centro do seu dispositivo e ocupar as regiões mais elevadas à sua retaguarda, a partir de onde podia controlar a estrada para Badajozː Seguindo instruções de Wellesley, Beresford puxou as forças para a contra-encosta por forma que os franceses, quando se aproximaram, apenas viram a cavalaria portuguesa e as tropas posicionadas na posição de Albuera.

O ataque principal

O V CE avançou em direcção à posição ocupada pelas tropas de Zaya com uma formação em coluna cerrada, a Divisão de Girard à frente, seguida de muito perto pela Divisão de Gazan com uma formação idêntica. Nos flancos de cada divisão seguia um batalhão em linha e outro em coluna pronto a formar em quadrado prevendo um ataque da cavalaria aliada. Os 8 437 homens do V CE avançavam pois com uma frente de 500 homens. A Brigada de Werlé colocou-se à retaguarda do V CE constituindo a sua reserva. A cavalaria que a acompanhava juntou-se às unidades sob comando de Latour-Maubourg. Ao aperceber-se da gravidade da situação, Blake decidiu movimentar mais tropas em apoio de Zaya mas quando elas chegaram às posições que deviam ocupar já o ataque tinha sido desencadeado. Os quatro batalhões de Zaya tiveram de enfrentar uma divisão francesa mas, apesar das numerosas baixas, mantiveram-se firmes.

O ataque de diversão

A Brigada de Godinot marchou sobre La Albuera mas o seu ataque, tendo como objectivo iludir o inimigo quanto à localização ou existência de outro ataque, não pôs em perigo o dispositivo dos Aliados. Tanto assim foi que, a meio do ataque, Beresford ordenou a substituição dos dois batalhões da K.G.L. por tropas espanholas com a finalidade de empenhar as tropas alemãs na linha virada a Sul, onde se realizava o ataque principal. Ao ser efectuada esta rendição de tropas, os franceses ganharam terreno dentro da posição, mas as tropas espanholas conseguiram repeli-los com um vigoroso contra-ataque. Este ataque cumpriu a sua finalidade pois Beresford demorou a aperceber-se da manobra francesa e Blake, desobedecendo às ordens de Beresford, pois não estava convencido que o ataque principal estava a ser lançado de Sul, só muito tarde começou a transferir as suas tropas para a nova frente. O exame dos números relativos às baixas indica que a Brigada da K.G.L. perdeu cerca de 10% dos seus homens (mortos, feridos e desaparecidos). Este dado contrasta muito com as baixas das 2ª e 4ª Divisões.

Baixas

Os Aliados sofreram, no total, 5 916 baixas (mortos, feridos e desaparecidos) o que corresponde a 16,77%. Este dado, no entanto é enganador porque as baixas não foram regularmente distribuídas. Os britânicos (incluindo a K.G.L.) sofreram 39,80% de baixas, os portugueses 3,81% e os espanhóis 9,34%. Em cada uma destas nacionalidades, as unidades que maior empenhamento tiveram foram a Brigada Coborne com 68,39% de baixas, a Brigada Hoghton com 63,23% e a Brigada Myers com 51,86%, todas britânicas. Mesmo os quatro batalhões da Divisão de Zaya, que aguentaram o primeiro embate dos franceses, não perderam mais de 30% dos seus efectivos. A Brigada portuguesa de Harvey, ao utilizar a formação correcta (quadrado) para se defender da cavalaria francesa, sofreu apenas 6,94% de baixas.

Deserções

Nesta batalha, como em muitas outras, verificaram-se vários casos de deserção. Da parte do Exército Português conhecem-se os casos nomeados na Ordem do Dia de Beresford, de 15 de Junho de 1811 quando o seu quartel-general se encontrava em Elvas; diz o seguinte (a ortografia foi actualizada):.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

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Conclusão

Proporcionalmente aos efectivos empenhados, Albuera foi a mais sangrenta batalha da Guerra Peninsular. Este é um dado objectivo e as diferenças dos números que são apresentados por diferentes autores não alteram em nada esta análise. Os erros que são atribuídos a cada um dos comandantes já é um assunto mais polémico. Efectivamente, obras diferentes dão-nos, em vários aspectos, perspectivas diferentes desta questão. Serve este comentário apenas como alerta para quem desejar aprofundar o tema. Uma das consequências da batalha foi a de os Aliados voltarem a cercar Badajoz. Para além disso não teve, a médio ou longo prazo, um impacto significativo no desenvolvimento da Guerra Peninsular.

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