Batalha da Roliça
A Batalha da Roliça foi travada no dia 17 de agosto de 1808, na proximidade da localidade da Roliça, durante a primeira invasão francesa de Portugal, no âmbito da Guerra Peninsular (1807–1814).
O Exército de Observação da Gironda, após atravessar Espanha, entrou em Portugal no dia 17 de novembro de 1807, acompanhado por três divisões espanholas. No dia 30 daquele mês, pelas 09h30, Junot entrava em Lisboa com cerca de 1 500 homens esgotados da violenta marcha que acabavam de fazer. O grosso do exército chegou nos dias seguintes em condições igualmente deploráveis. Não só não houve resistência à invasão como houve a preocupação das autoridades, seguindo as directivas reais, não hostilizarem o invasor. As forças invasoras foram distribuídas pelos principais pontos estratégicos do país. Junot ficou em Lisboa e, em breve, a sua acção governativa iria pesar cada vez mais no quotidiano dos Portugueses. Acumulavam-se as dificuldades e acumulavam-se as afrontas cometidas pelo ocupante. Dia após dia crescia o descontentamento e, quando eclodiu a revolta em Espanha (2 de maio de 1808), a posição de Junot tornou-se difícil de sustentar porque nas tropas espanholas que o tinham acompanhado surgiam indícios de simpatia pela revolta. As revoltas surgiram em Portugal em junho e julho de 1808 e conduziram à decisão de enviar um contingente britânico. Após terem sido coordenados os apoios necessários com a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que se formara no Porto, uma força expedicionária britânica iniciou o seu desembarque em Lavos, imediatamente a Sul da Figueira da Foz, no dia 1 de agosto. O desembarque durou até ao dia 5 desse mês. O comando da força era, então, da responsabilidade do Tenente-general Sir Arthur Wellesley.
O campo de batalha da Roliça situa-se na freguesia da Roliça, na parte Norte do concelho do Bombarral, entre Torres Vedras e Óbidos. A primeira posição do exército francês ocupou um pequeno planalto junto à aldeia da Roliça. Para Norte desta povoação estende-se uma planície por onde se deu a aproximação do exército anglo-luso. A Sul o terreno apresenta-se recortado pela elevação da Serra do Picoto e Planalto das Cesaredas, onde, num segundo posicionamento, os franceses tentaram fazer face à superioridade numérica do inimigo, tirando partido do acentuado declive e do difícil acesso que os passou a separar.
Forças Britânicas e Portuguesas
As forças britânicas e portuguesas, sob comando do Tenente-general Sir Arthur Wellesley, somavam 15 870 homens. A infantaria britânica estava organizada em seis brigadas: A cavalaria britânica formava um corpo sob o comando do Tenente-coronel C. D. Taylor e era formada por forças do 20º Regimento de Dragões Ligeiros (20th Light Dragons) com um efectivo de 180 homens. A artilharia britânica (Royal Artillery), sob comando do Tenente-coronel W. Robe, dispunha de 16 bocas de fogo. Destas, foram atribuídas a cada brigada 2 peças de 6 libras e, às 1ª, 2ª e 6ª brigadas, foi atribuído um obus a cada uma. Uma boca de fogo ficou sob controlo do comando das forças. Os efectivos portugueses reforçaram a artilharia britânica.
Forças francesas
As forças francesas, comandadas pelo General de Divisão Delaborde, tinham a seguinte constituição:Infantaria: comandada pelo General de Brigada Brenier, tinha um efectivo total de 4 mil homens distribuídos da seguinte forma: Cavalaria: uma força do 26.º Regimento de Caçadores a Cavalo (Chasseurs à Cheval) com um efectivo de 250 homens; Artilharia: Uma bateria com cinco bocas de fogo, o que correspondia a um efectivo de 100 homens.
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Wellesley dividiu a sua força em três colunas. A coluna da direita era comandada pelo tenente-coronel Trant e era constituída por cerca de 1 200 homens da infantaria portuguesa e 50 cavaleiros; tinha como missão tornear a esquerda do dispositivo francês. A coluna da esquerda, sob comando do tenente-general Roland Ferguson, era constituída pela 4ª Brigada (Bowes) reforçada com três companhias (Rifles) da 6ª brigada e um corpo de cavalaria composto por 20 cavaleiros britânicos e 20 portugueses; tinha a missão de tornear a direita do dispositivo francês e vigiar a aproximação de Loison. A coluna do centro, sob comando directo de Wellesley, era constituída pelas restantes forças, cerca de 9 mil homens de infantaria e 12 bocas de fogo de artilharia. As tropas de Delaborde posicionaram-se nos terrenos mais elevados da região da Roliça por forma a cobrir a máxima largura possível, determinando que o dispositivo não pudesse ser muito forte em profundidade, mas estavam preparadas para retirar rapidamente, com ordem, quando os flancos começassem a ser envolvidos.
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Sendo o primeiro combate terrestre entre britânicos e franceses da Guerra Peninsular, este combate foi também o primeiro da carreira europeia de Wellesley; o sucesso obtido aqui e no Vimeiro foi determinante para que, após o escândalo suscitado em Londres pela Convenção de Sintra, lhe viesse a ser entregue o comando do exército britânico na Península em 1809. Em 1814 foi com esse mesmo exército, entretanto reforçado com tropas portuguesas e espanholas, que invadiu o sudoeste de França, concorrendo indiretamente para a primeira abdicação de Napoleão; e foi esse sucesso continuado que o levou ao comando das forças aliadas na famosa batalha de Waterloo. Wellesley escreveu mais tarde que, no início da batalha, estava receoso do confronto direto com os franceses, sendo a primeira vez que ia enfrentar o temível adversário que ocupava toda a Europa (isto apesar da sua superioridade numérica); e reconheceu a importância deste dia para o futuro da sua carreira.


