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Batalha de Badajoz

A Batalha de Badajoz, travada na noite de 6 para 7 de abril de 1812, com o objectivo de capturar aquela praça, então ocupada pelos franceses, foi o culminar de um cerco efectuado pelo Exército de Wellington, com início a 16 de março. A guarnição francesa, sob o comando do General Philippon, só se rendeu quando as forças de Wellington se encontravam já dentro da praça. Este facto originou uma acção de saque que foi dos mais violentos da Guerra Peninsular.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Antecedentes

Enquanto decorria a Terceira Invasão Francesa, Soult capturou Badajoz, numa tentativa de criar condições para as suas tropas entrarem em Portugal pelo eixo Sul. A Praça de Badajoz caiu em poder das tropas francesas a 11 de Março de 1811. As ameaças surgidas na Andaluzia obrigaram Soult a voltar rapidamente para aquela província espanhola e a deixar uma guarnição francesa na Praça de Badajoz (Ver o artigo Primeiro Cerco de Badajoz). Os Aliados tentaram recuperar aquela praça mas não conseguiram o seu intento (Ver artigo Cercos de Badajoz na Guerra Peninsular). Finalmente, em 1812, após a captura de Ciudad Rodrigo que, juntamente com a Praça de Almeida, garantia o domínio do eixo de invasão a Norte, Wellington reuniu as suas unidades com a finalidade de obter o mesmo resultado no eixo Sul. Só desta forma poderia avançar em Espanha.

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A Praça de Badajoz

A cidade de Badajoz, na altura com 16 000 habitantes, cresceu à volta do castelo medieval. No século XVII, durante as Guerras da Restauração da Independência de Portugal, foi construindo um conjunto de muralhas adequado aos conceitos defensivos da época e que englobava todo o tecido urbano. A fortificação da cidade era constituída por oito baluartes, com cerca de 9 metros de altura, ligados através de muralhas muito fortes, com uma altura entre 7 e 8 metros, que se uniam no antigo castelo. Este situava-se na parte Nordeste das muralhas, sobre uma colina íngreme que atingia cerca de 30 metros acima do nível das águas do Rio Guadiana. O Rio Guadiana passava a norte da cidade. Na margem norte do Guadiana, o forte de San Cristobal dominava as zonas altas daquele lado do rio. Uma ponte antiga, a Ponte de Palmas, construída em 1460, com trinta arcos e 585 metros de comprimento, ligava as duas margens e, na margem norte, era defendida por uma fortificação que aparece designada, quer em língua francesa, quer em língua inglesa, por Tete Du Pont. Da praça saía-se para a ponte pela Porta de Palmas.

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As forças em presença

As forças francesas

O governador da praça de Badajoz - comandante da sua guarnição - era o General Armand Philippon. A guarnição da praça tinha um efectivo de aproximadamente 4 700 homens, contando com os elementos de apoio logístico e estado-maior, e dispunha de munições e de víveres para sete semanas. As tropas combatentes presentes no dia 15 de março eram as seguintes: Todas as tropas francesas e especialmente o governador e a maior parte do seu estado-maior conheciam bem a praça pois já ali se encontravam há vários meses.

O Exército de Wellington

O exército anglo-luso, sob o comando de Wellington estava organizado em dois corpos de tropas: a força de ataque a Badajoz, na qual se incluíam os meios para pôr cerco à praça, e a força de cobertura, destinada a conter qualquer tentativa de ajuda à guarnição francesa sitiada. Ao reunir as suas tropas na região de Elvas, Wellington contava com perto de 60 000 homens. Ao contrário do que sucedera em batalhas anteriores, o exército anglo-luso englobava agora um forte corpo de cavalaria, em situação de igualdade com o exército de Soult (Exército do Sul ou Exército da Andaluzia) que constituía a ameaça mais próxima. Para o ataque à Praça de Badajoz, Wellington utilizou as seguintes unidades:

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As Operações

A estratégia de Wellington

Quando Wellington começou a enviar a sua artilharia de cerco para Elvas, a infantaria e a cavalaria mantiveram-se nas mesmas posições para esconder dos franceses a intenção de se dirigir para Sul. Só a partir de 19 de fevereiro, as suas divisões começaram a retirar da forma mais discreta possível. O quartel-general de Wellington só saiu de Freneda, perto de Fontes de Onor, no dia 5 de março e a frente foi mantida à custa da 5ª Divisão e o 1º Regimento de Hussardos da King's German Legion. O objectivo era iludir as forças francesas por forma a que o Marechal Marmont, comandante do Armée du Portugal, continuasse a acreditar que o exército anglo-luso continuava concentrado a Norte.

A Preparação do Cerco

Após a captura de Ciudad Rodrigo, era necessário concentrar perto de Badajoz, as tropas, as armas e os equipamentos destinados ao cerco. Elvas, pela sua proximidade, era a base ideal para a reunião dessas forças. As unidades de infantaria, cavalaria e artilharia de campanha podiam deslocar-se normalmente pelas estradas (embora más) que conduziam para Sul. A artilharia de cerco, pesada e difícil de transportar, constituía o maior problema. Wellington enviou uma parte do seu trem de cerco pelas estradas da Beira e a outra parte por mar. Esta desceu o Douro em barcaças, foi transportada até Setúbal e daí, por barcaça, até Alcácer do Sal, de onde seguiram em carros puxados por bois até Elvas. Para coordenar estes movimentos a partir de Setúbal, Wellington enviou um oficial de artilharia, Alexander Dickson, a Setúbal. Este oficial tinha ainda outra missão: levar para Elvas vinte peças de 18 libras dos navios britânicos fundeados no Tejo. O Almirante Berkeley, comandante da esquadra, decidiu, no entanto, enviar vinte peças dos navios russos estacionados no Tejo desde 1808. Dickson conseguiu encontrar em Lisboa munições adequadas àquelas peças que eram também de 18 libras mas diferentes das britânicas.

A força de cobertura

No dia 16 de março, os dois corpos de tropas destinados a actuar como força de cobertura iniciavam a sua missão. O corpo de tropas do General Graham atravessou o Guadiana e avançou pela estrada que conduzia a Sevilha, por Santa Marta e Villafranca. O corpo de tropas do General Hill marchou pela margem norte do Guadiana, passou por Montijo e seguiu em direcção a Mérida que não estava ocupada por nenhuma força desde 17 de janeiro. A missão destes dois corpos de tropas era, por um lado, manter afastadas as divisões francesas de Drouet e de Daricau que se encontravam na Estremadura e, por outro, vigiar uma provável aproximação de Soult a partir da Andaluzia (Graham) e de Marmont a partir de Norte (Hill).

O cerco

No dia 16 de março, os engenheiros britânicos inspeccionaram a fortaleza. Puderam observar que as obras de defesa tinham sido melhoradas desde o último cerco, em 1811. A aproximação a alguns baluartes foi dificultada com a construção de uma barragem na Ribeira de Rivillas. Esta obra provocou a inundação da zona entre os baluartes de San Pedro e Trinidad. O forte Pardaleras tinha sido ligado à cidade por uma trincheira bem protegida. Foram construídas meias luas nos baluartes S. Vicente, San José e Santiago. Por um desertor francês, foi possível localizar as contra-minas defensivas para protegerem o baluarte de San Vicente e San José. Aqueles baluartes eram os mais acessíveis, mas as contra-minas iriam dificultar muito a aproximação às muralhas. O forte Picurina era mais fraco do que o forte Pardaleras. Se o primeiro destes fortes fosse capturado, ganhava-se uma posição muito vantajosa para bombardear os baluartes Santa Maria e Trinidad. Apesar da necessidade de não perder tempo e de as operações contra o Picurina demorarem um ou dois dias, este foi o plano de ataque à praça de Badajoz.

A batalha de Badajoz

Para o assalto à Praça de Badajoz foi concebido o seguinte plano: realizar o ataque principal na zona onde tinham sido criadas as brechas nas muralhas e, simultaneamente, realizar dois ataques secundários por forma a confundir o inimigo e impedi-lo de desviar mais forças para a zona do ataque principal. A 4ª Divisão de Infantaria (Colville) e a Divisão Ligeira (Barnard) receberam a missão de executar o ataque principal. A 4ª Divisão iria assaltar duas brechas: a que tinha sido aberta no baluarte Trinidad e a que tinha sido criada nesse mesmo dia, entre aquele baluarte e o Santa Maria. A Divisão Ligeira iria assaltar a brecha criada no flanco do baluarte Santa Maria. A inundação provocada no Rivillas deixava pouco espaço de manobra do lado direito, onde actuava a 4ª Divisão.

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Consequências da captura de Badajoz pelo exército anglo-luso

A captura das praças de Badajoz e Ciudad Rodrigo permitiu aos Aliados controlarem os dois eixos de invasão. A posse destes eixos iria permitir a Wellington tomar a iniciativa e preparar a invasão de Espanha. A preocupação dos franceses já não era a de expulsar os britânicos de Portugal. Para tentarem novamente essa possibilidade teriam de voltar a capturar Ciudad Rodrigo e Almeida no Norte, Badajoz e Elvas no Sul. No entanto o único trem de cerco existente estava empenhado no Cerco de Cadiz. Além disso, o Exército Aliado estava muito mais forte do que em 1810. As tropas portuguesas tinham experiência de batalha e mostraram ser tropas de confiança. A cavalaria britânica tinha recebido importantes reforços. Sem contar com o apoio que os espanhóis viessem a prestar, Wellington dispunha agora de um exército de campanha com cerca de 60 000 homens e estava senhor do terreno onde aquelas fortalezas constituíam fortes bases de operações.

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