Batalha de Jemappes
A Batalha de Jemappes, travada a 6 de Novembro de 1792, durante as Guerras Revolucionárias Francesas, foi um confronto entre as tropas francesas sob o comando do General Dumouriez, e as tropas austríacas sob o comando do Alberto de Saxe-Teschen. A vitória francesa foi a primeira numa acção ofensiva desde o início das hostilidades.
A Revolução Francesa tinha retirado a maioria dos poderes ao rei, Luís XVI. Parte da nobreza francesa tinha começado a emigrar e muitos, os émigrés, encontravam-se na Prússia e no Arquiducado da Áustria. Os tumultos sucediam-se na capital francesa e, de igual forma, a repressão. Luís XVI tentou a fuga mas foi preso em Varennes-en-Argonne. Uma manifestação para exigir a queda da monarquia provocou o Massacre do "Champ de Mars". Aproximava-se a data da aprovação da Constituição. Frederico Guilherme II da Prússia e Leopoldo II da Áustria, irmão da rainha Maria Antonieta, em reunião no Castelo de Pillnitz, na Saxónia, redigiram uma declaração, conhecida como Declaração de Pillnitz, na qual pediam que fossem restituídos os poderes a Luís XVI e faziam um apelo às potências europeias para agirem antes que as ideias da Revolução Francesa se expandissem para os seus reinos. Convidaram essas potências a unirem-se com a finalidade de restaurar o poder monárquico em França. Alguns países concordaram em começar a organizar contingentes militares para responderem a este apelo mas o Reino Unido declinou o convite.
Forças francesas
O Armée de l'Argonne era comandado pelo General Charles François Dumouriez que, frequentemente se referia a este corpo de tropas como Armée de la Belgique. No entanto, este nome nunca foi oficialmente reconhecido ou adoptado. Estas forças incluíam 63 batalhões de infantaria (40 mil baionetas), 27 esquadrões de cavalaria (3 mil sabres) e 100 bocas de fogo de artilharia. Era uma mistura de unidades de regulares, de voluntários e de guardas nacionais. Estas forças tinham a seguinte ordem de batalha:
Forças austríacas
As forças austríacas estavam sob o comando do Príncipe Alberto de Saxe-Teschen e tinham um efectivo muito mais reduzido: 11 625 baionetas, 2 168 sabres e 56 bocas de fogo de artilharia. Tinham a seguinte ordem de batalha:
Jemappes é, desde 1976, parte de Mons. Na época da batalha, era uma vila situada a 4 Km daquela cidade. Mons era uma peça importante do sistema defensivo austríaco mas as suas muralhas encontravam-se em estado muito degradado. Assim, os Austríacos decidiram posicionar as suas forças numa linha de alturas fortificada que formava um semi-círculo, a Oeste de Mons, que passava pelas vilas de Jemappes (antigamente escrevia-se Jemmapes), Quargnon e Cuesmes, o bosque de Flénu e o lugarejo de Bertaimont. À sua retaguarda estava a planície pantanosa e inundada onde corria os rios Hain e Troville. O percurso para a retaguarda tinha de ser feito sobre duas estradas em que as respectivas pontes garantiam a travessia daquela zona.
Os austríacos tinham adoptado o seguinte dispositivo: Dumouriez dispunha de nítida superioridade numérica e ainda contava com o apoio de 4 mil homens e 15 bocas de fogo de artilharia sob comando do General François Harville que devia reforçar a ala direita. A sua infantaria incluía 13 batalhões de Voluntários de 1792, mas a maior parte dos seus oficiais eram soldados experientes. Entre eles encontrava-se um oficial conhecido como General Egalité, o futuro rei Luís Filipe I de França. Com estas forças, Dumouriez planeou executar um ataque em ambos os flancos seguido de um ataque ao centro das posições austríacas. Enquanto estas acções se desenrolavam, Harville devia capturar Mont Palisel com a finalidade de cortar a retirada austríaca. O ataque começou com a preparação de artilharia, entre as 07h00 e as 10h00, com a finalidade de enfraquecer as defesas inimigas, ao amanhecer do dia 6 de Novembro. Após a preparação, foram iniciados os ataques sobre os flancos mas nenhuma delas obteve os efeitos esperados. Ao meio dia, Dumouriez lançou um ataque geral ao longo de quase toda a linha. Quando foi obtido algum sucesso, como a ala de Beurnonville, o contra-ataque da cavalaria austríaca obrigou as tropas francesas a retirar. Os comandantes franceses conseguiram reagrupar as tropas e foi lançado um novo ataque.


