Movimento de pinça
O movimento de pinça, também conhecido como envolvimento duplo ou duplo envelopamento, é uma sofisticada manobra militar. Nela, as alas defensivas de um exército atacam simultaneamente os flancos do oponente, movendo-se como os braços de uma pinça em resposta a um ataque inimigo central. O objetivo primordial é cercar o atacante. Em sua execução completa, forças defensivas adicionais circundam o inimigo pela retaguarda, impedindo o envio de reforços e buscando a aniquilação ou rendição das tropas adversárias.
Pontos-chave
- O movimento de pinça envolve o ataque simultâneo aos flancos do inimigo por duas alas defensivas.
- Seu objetivo principal é cercar completamente as forças atacantes, cortando reforços e rotas de fuga.
- Sun Tzu, em 'A Arte da Guerra', desaconselhou o cerco total, sugerindo uma rota de fuga para evitar a luta desesperada do inimigo.
- A Batalha de Maratona (490 a.C.) é considerada a primeira aplicação documentada da manobra.
- A tática evoluiu significativamente, culminando na blitzkrieg alemã da Segunda Guerra Mundial, que integrou múltiplas disciplinas militares.
Um envolvimento duplo, por sua própria natureza, força o exército atacante a combater em múltiplas frentes: pela frente, em ambos os flancos e pela retaguarda. Quando os 'braços da pinça' se fecham completamente na retaguarda, o inimigo se vê totalmente cercado. Batalhas que culminam nesse tipo de cerco geralmente resultam na rendição ou na completa destruição das forças inimigas. Contudo, tropas cercadas podem tentar uma fuga, atacando o cerco por dentro para tentar rompê-lo, ou uma força aliada externa pode tentar abrir uma rota de escape para os cercados.
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O estrategista Sun Tzu, em 'A Arte da Guerra', especulou sobre essa manobra, mas recomendou cautela em sua aplicação. Ele argumentava que o mais provável era a fuga do exército atacante antes da conclusão do cerco, e que seria mais prudente deixar uma rota de fuga, pois um exército completamente cercado lutaria com muito mais ferocidade. A primeira utilização provável da manobra ocorreu na Batalha de Maratona, em 490 a.C. O historiador Heródoto descreve como o general ateniense Milcíades organizou suas forças de 10 mil hoplitas atenienses e 900 plateienses em uma formação em 'U'. As alas eram significativamente mais profundas (com mais filas de soldados) do que o centro. Superado em número pelos persas, Milcíades optou por afinar seu centro e reforçar as alas. Durante a batalha, as formações centrais, mais fracas, recuaram ordenadamente, criando espaço para as alas convergirem por trás da linha frontal persa, o que gerou pânico nas forças inimigas, mais numerosas e menos armadas.
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Uma variação dessa manobra era a tática padrão dos impis zulus, conhecida como formação 'chifre de búfalo'. Uma forma rudimentar também foi empregada por Gengis Khan, apelidada de tática dos 'chifres', onde dois flancos de cavalaria cercavam o inimigo, embora raramente se encontrassem na retaguarda, deixando uma rota de fuga. O movimento de pinça atingiu sua perfeição na blitzkrieg da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, a manobra transcendeu uma simples tática de infantaria, evoluindo para uma complexa empreitada multidisciplinar. Ela envolvia o avanço rápido da infantaria mecanizada, o uso coordenado de barragens de artilharia, bombardeios aéreos e o emprego eficaz de comunicações por rádio. O objetivo era desmantelar as hierarquias de comando e controle inimigas, minar o moral das tropas e desorganizar as linhas de suprimentos, culminando na destruição das forças adversárias.


