Batalha de Canas
A Batalha de Canas (Cannae), também conhecida no meio militar como a Batalha da Aniquilação, travada em 2 de agosto de 216 a.C., foi uma batalha decisiva da Segunda Guerra Púnica, na qual o exército cartaginês liderado por Aníbal esmagou o exército romano liderado por Varrão.
Imagem: Rui Carita · BY-SA · Openverse
A palavra "púnico" deriva de poeni, que significa "Fenícios", termo que os romanos usavam para denominar os cartagineses. A Segunda Guerra Púnica (219 a.C. a 201 a.C.) começou quando Cartago invadiu uma cidade aliada dos romanos, Sagunto, na Península Ibérica. A invasão foi um modo de os cartaginenses afirmarem superioridade em solo onde os romanos tinham interesses e, num certo sentido, provocá-los, testar a sua postura frente a um desafio e conseguir uma revanche pela Primeira Guerra Púnica. Roma declarou guerra quase imediatamente. O general cartaginês Aníbal Barca, responsável pelo ataque a Sagunto, esperava a reação. Na verdade, ele tinha traçado planos de levar a guerra para a península Itálica, já que, na guerra anterior, Cartago permanecera na defensiva e perdera, não tendo oferecido a Roma razões suficientes para render-se. Nascido no ano de 247 a.C. em Cartago, norte da África, esse general era filho de Amílcar Barca, que já havia enfrentado os romanos na Primeira Guerra Púnica (264 a.C. a 241 a.C.). Nessa ocasião, Cartago fora derrotada e perdeu grande parte da antiga supremacia no Mediterrâneo, além do controle sobre a Sicília, a Sardenha e a Córsega. Para compensar isso, os cartagineses começaram a explorar a Península Ibérica. Lá foi fundada Nova Cartago.
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Aníbal resolveu não esperar a ação dos romanos e empreendeu uma expedição à península Itálica (composta de aproximadamente 50 mil homens e 37 elefantes). Os paquidermes eram a arma secreta dos cartagineses, pois a maioria dos povos ficava assustada e fugia diante das enormes criaturas. Em vez de utilizar a rota que seguia pela estrada beira-mar, Aníbal empregou uma travessia ousada pelos Alpes, devido ao bloqueio romano na Massília sob comando de Públio Cornélio Cipião. Foi um ato visto por alguns como estúpido, visto que Aníbal sofreu enormes perdas nos Alpes pelo frio e os ataques gauleses, mas também é preciso considerar que foi dessa maneira que os romanos foram pegos de surpresa com a notícia de que Aníbal havia surgido na Itália tendo simplesmente ignorado o bloqueio romano que ficara dias atrás dele. Os romanos, ao perceberem a sua estratégia, começaram uma perseguição. Aníbal obteve uma pequena vitória sobre os romanos na Batalha de Ticino e, logo depois, uma vitória bem mais chocante em Trébia, no vale do rio Pó. Na batalha a beira do lago Trasimeno, no ano seguinte, derrotou Caio Flamínio, na emboscada tida como a mais bem-sucedida de todos os tempos.
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Aníbal já mostrava inteligência estratégica, pois escolheu um campo de batalha que lhe era favorável, pois o Sol estaria às suas costas, e o vento estaria soprando na direção dos romanos. Aníbal traçou o seu plano. Ele dividiu o seu exército em três corpos principais, sendo que posicionou as suas tropas de elite nos flancos e colocou as suas tropas leves no centro, onde a batalha seria mais intensa. Colocou os fundeiros baleáricos e a infantaria ligeira na primeira linha e, em seguida, os gauleses e iberos. Estes ficaram um pouco à frente da infantaria pesada cartaginesa e líbia, que constituíam os flancos. Posicionou a sua cavalaria nos flancos extremos, formando, com isso, um "V" invertido. O seu centro era mais fraco do que o centro romano, que utilizava a formação padrão, sendo o centro composto por legiões romanas e, nos seus flancos, a infantaria aliada. A cavalaria romana foi dividida por igual em duas partes, sendo o flanco esquerdo composto pela cavalaria romana, e o direito, por aliados. Aníbal, por sua vez, colocou a cavalaria pesada no flanco direito, enquanto os cavaleiros ligeiros númidas formaram o flanco esquerdo.
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Como a cavalaria cartaginesa no flanco direito estava com superioridade de quase dois para um em relação à cavalaria romana à sua frente, Aníbal toma a iniciativa e ataca, vencendo a cavalaria romana que estava nesse flanco com facilidade. Então, a sua cavalaria pesada passa por trás das fileiras romanas, atacando a retaguarda dos cavaleiros aliados que estavam posicionados à esquerda (olhe a figura ao lado), sendo esta ala também atacada pelos númidas, que estavam a sua frente. Com isso, a cavalaria romana não era mais um problema. Rapidamente, Aníbal destruiu a cavalaria romana nos dois flancos, que havia fugido desordenadamente. Para garantir que não voltassem, o númidas perseguiram-nos por um bom tempo. Os romanos, em maior número e com fileiras cerradas, estavam vencendo a batalha no centro do campo com grande facilidade, forçando o frágil centro de Aníbal a recuar. Caio Terêncio Varrão viu isso e achou que significava que estava prestes a vencer a batalha, pois a linha central cartaginesa já havia recuado muito e estava aparentemente a ponto de fugir. Mandou, então, que as suas legiões continuassem avançando e concentrando a sua força no centro. Nesse momento, os romanos estavam exaustos pelo escaldante calor, pois os seus trajes pesados de metal faziam com que sofressem terrivelmente, enquanto que os cartagineses usavam pouca ou nenhuma armadura, sofrendo muito menos com o calor e com a poeira levantada pela batalha.
Os romanos, o mais poderoso e bem treinado exército da época, estavam derrotados. Eles confiaram deveras na sua superioridade numérica, só que nada foi feito para tentar isolar as manobras das unidades cartaginesas, e fizeram o que sempre haviam feito: avançaram. Isso se deveu provavelmente porque essa foi uma das maiores batalhas que os romanos participaram até então com comandantes inexperientes. Em Canas, os romanos não tinham tática alguma e simplesmente agiram com força bruta contra um oponente ágil e inteligente. O resultado para os romanos não poderia ter sido pior. Emílio Paulo, ferido no início da batalha por uma bala de argila, caiu. Pelo menos mais 29 tribunos morreram, e dos milhares de romanos que sobreviveram à batalha, mas foram capturados, os que ainda estavam "saudáveis" foram devolvidos à Roma sob um alto pagamento, e os que estavam feridos foram mortalmente cortados no tendão e deixados para morrer na planície de Canas.
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Aníbal tinha uma vantagem natural sobre os seus adversários, pois os comandantes romanos não tinham a experiência que Aníbal já havia adquirido noutras batalhas. Pode-se analisar aqui as ações de Aníbal sob uma visão de princípios estratégicos:


