Pesquisa · Mapa mental

Batalha das Pirâmides

A Batalha das Pirâmides, também conhecida como Batalha de Embabeh, foi um grande confronto travado em 21 de julho de 1798 entre o exército francês no Egito comandado por Napoleão Bonaparte e as forças locais mamelucas de Murade Bei. A batalha ocorreu perto da aldeia de Embabeh, do outro lado do rio Nilo vindo do Cairo, mas foi nomeada por Napoleão em homenagem à Grande Pirâmide de Gizé, visível a quase 15 quilômetros de distância. Engolido pela parte da margem oeste da cidade do Cairo, nada resta do campo de batalha hoje.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
01

Prelúdio

Depois de desembarcar no Egito controlado pelos otomanos e capturar Alexandria em 2 de julho de 1798, o exército francês liderado pelo general Bonaparte marchou pelo deserto em direção ao Cairo. Eles encontraram as forças dos mamelucos a 15 quilômetros das Pirâmides e a apenas 6 quilômetros do Cairo. As forças mamelucas eram comandadas por dois mamelucos georgianos, Murad Bey e Ibrahim Bey, e tinham uma força de cavalaria poderosa e altamente treinada sob seu comando, bem como milícias fellahin atuando como infantaria. Em 13 de julho, depois que batedores franceses localizaram o acampamento de Murad, Bonaparte ordenou um avanço em direção às forças inimigas, enfrentando-as durante a breve batalha de Chobrakit. Após a destruição de sua nau capitânia pela artilharia de campanha francesa, os mamelucos recuaram em vez de se engajaram, com a escaramuça assim terminando em uma pequena vitória francesa.

02

A Batalha

Em 21 de julho, depois de marchar a noite toda, os franceses alcançaram a força otomana nas proximidades da vila de Embabeh; após uma hora de descanso, os homens receberam ordens de se prepararem para a batalha. Bonaparte ordenou um avanço sobre o exército de Murad com cada uma das cinco divisões de seu exército organizadas em retângulos ocos com cavalaria e bagagem no centro e canhões nos cantos. Bonaparte exortou suas tropas a permanecerem firmes e manterem suas fileiras cerradas ao enfrentar a cavalaria mameluca. “Soldados! Vocês vieram a este país para salvar os habitantes da barbárie, para trazer a civilização para o Oriente e subtrair esta bela parte do mundo da dominação da Inglaterra. Do alto dessas pirâmides quarenta séculos vos contemplam!” — General Bonaparte, Ordem do Dia pré-batalha. As divisões francesas avançaram para o sul em escalão, com o flanco direito liderando e o flanco esquerdo protegido pelo Nilo. Da direita para a esquerda, Bonaparte postou as divisões de Louis Charles Antoine Desaix, Jean-Louis-Ébénézer Reynier, Charles-François-Joseph Dugua, Honoré Vial e Louis André Bon. Além disso, Desaix enviou um pequeno destacamento para ocupar a aldeia vizinha de Biktil, a oeste. Murad ancorou seu flanco direito no Nilo na aldeia de Embabeh, que foi fortificada e mantida com infantaria e alguns canhões antigos, enquanto seu flanco esquerdo foi ancorado na aldeia de Biktil, onde o resto de seus canhões foram colocados lá para protegê-los de manobras de flanqueamento dos franceses. Sua cavalaria mameluca desdobrou-se no centro, entre essas aldeias. O outro exército mameluco, comandado por Ibrahim Bey, ficou do outro lado do Nilo e observou os acontecimentos se desenrolarem, incapaz de atravessar e intervir. O plano original de Murad Bey era repelir os ataques franceses em seus flancos fortificados e depois atacar seu centro desmoralizado.

03

Consequências

Ao ouvir a notícia da derrota de sua lendária cavalaria, os exércitos mamelucos que esperavam no Cairo se dispersaram para a Síria. Napoleão Bonaparte entrou na capital conquistada do Egito em 24 de julho. Em 11 de agosto, as forças francesas alcançaram Ibrahim Bey, infligindo-lhe uma derrota esmagadora em Salalieh. Após a Batalha das Pirâmides, Napoleão instituiu a administração francesa no Cairo e reprimiu violentamente as rebeliões subsequentes. Embora Napoleão tentasse cooptar os ulemás egípcios locais, estudiosos como Al-Jabarti, ignorantes dos avanços que haviam ocorrido na Europa e entendendo pouco da chamada República da França, desprezavam as ideias e os modos culturais dos franceses. Apesar de suas declarações cordiais aos nativos, com alguns soldados franceses até se convertendo ao Islã para tomar esposas muçulmanas, clérigos como Abdullah al-Sharqawi, que chefiava o governo ou divã de Napoleão no Cairo, posteriormente descreveram os franceses como: "'materialistas, filósofos libertinos ... [que] negam a ressurreição, e a vida após a morte, e ... [os] profetas" enquanto para o francês, o matemático Joseph Fourier lamentou que "a religião muçulmana de forma alguma permitiria o desenvolvimento da mente".

04

Representações culturais

Pintura

Por uma questão de propaganda, Bonaparte decidiu chamar essa vitória de "Batalha das Pirâmides", um nome mais glorioso do que "Batalha do Cairo" ou "Batalha de Embabech" (onde o acampamento de Mourad Bey estava localizado e onde a luta realmente ocorreu), dando assim a impressão de ter ocorrido ao pé dos famosos monumentos. É também assim que o imaginário coletivo muitas vezes a representa, principalmente nas pinturas. Na realidade, as pirâmides deveriam ser no máximo vagamente visíveis no horizonte.

Literatura

A Batalha das Pirâmides serve de ponto de partida para Uma Paixão no Deserto, um conto de Honoré de Balzac, cuja continuação se passa durante a expedição ao Alto Egito. “Episódio de uma epopeia que se poderia chamar Os franceses no Egito […] Durante a expedição do general Desaix ao Alto Egito, um soldado que havia caído nas mãos de Maugrabins foi levado por esses árabes para além das cataratas do Nilo. Neste momento, Bonaparte estava viajando pelo Egito”.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando