Barroco paulista
O barroco paulista é uma expressão artística barroca que se desenvolveu no estado de São Paulo entre os séculos XVII e XVIII, com forte presença principalmente na arquitetura e na imaginária sacra, dentro do contexto da colonização portuguesa e da atuação das ordens religiosas, especialmente jesuítas e beneditinos. Ele teve características próprias, distintas do barroco mineiro ou baiano; por exemplo, em seu início, suas artes do lado exterior das igrejas eram marcadas pela simplicidade e pela economia de ornamentos, enquanto o interior delas eram repletos de detalhes e artes, o que deu origem à produção de exemplares originais e de grande qualidade no campo artístico. O termo "Barroco Paulista" foi utilizado por Germain Bazin em 1956 para caracterizar uma arte mais simples e menos erudita. Estudos posteriores, como os de Eduardo Etzel, adotaram uma abordagem neutra, enquanto trabalhos mais recentes evidenciam a variedade e riqueza da produção artística paulista, tais quais os de Percival Tirapeli, professor de História da Arte da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e do restaurador Júlio Moraes, que, ao trabalhar na restauração do Sítio Santo Antônio, em São Roque, afirma: "Estamos desfazendo o preconceito de que o barroco paulista era pobre e inexpressivo. Existem de fato muito mais obras e artistas do que se pensava".
O barroco paulista, em seu desenvolvimento inicial, diferente dos barrocos mineiro e baiano, tem por características a simplicidade e linhas retos em seu exterior, enquanto o interior é rico em detalhes e ornamentos. Posteriormente, mesmo diante da escassez de recursos, mão de obra e meios técnicos, a Capitania de São Paulo conseguiu erguer igrejas com certa ornamentação, obedecendo a princípios das ordens clássicas e de proporção descritos em tratados arquitetônicos. Por exemplo, os conventos franciscanos de Itanhaém (Convento de Nossa Senhora de Conceição) e Taubaté (Catedral de São Francisco das Chagas), e o beneditino de Santos (Igreja e Mosteiro de São Bento), ainda que reformados posteriormente. No século XVIII, o crescimento da economia, impulsionado pela cultura da cana-de-açúcar e pelo comércio com as regiões mineradoras, promoveu reformas significativas nas igrejas paulistas. Muitas fachadas passaram a adotar o estilo barroco, com frontões curvilíneos, linhas interrompidas e elementos decorativos típicos, como janelas arqueadas. As cidades de Santos e São Paulo se destacaram nesse contexto, não só pela quantidade de templos com fachadas barrocas, mas também pelo florescimento da arquitetura em pedra, influenciada por nomes como Bento de Oliveira Lima e Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas.


