Amador Bueno
Amador Bueno de Ribeira foi um proprietário de terras e administrador colonial da Capitania de São Vicente. Tornou-se conhecido como "O Aclamado".
Seu pai era espanhol, Bartolomeu Bueno, dito o Sevilhano porque nascera em Sevilha, por volta de 1555 e que morreu em São Paulo, por volta de 1620. Ele, seu pai, carpinteiro da Ribeira de Sevilha (as margens do rio Guadalquivir), veio para o Brasil na armada de D. Diego Flores de Valdez. Em 1616 foi vereador. Casou por volta de 1584 com Maria Pires, a mãe de Amador, nascida em 1564, filha de Salvador Pires, português do Porto, e de Mécia Fernandes, também conhecida como Mécia Uçu. Mécia Fernandes era filha de António Fernandes, português, e de Antónia Rodrigues, mameluca, descendente do cacique Piquerobi de Ururaí e de António Rodrigues, um dos dois portugueses encontrados por Martim Afonso de Sousa, que não se sabe como vieram parar no litoral paulista. Tinha, assim, ancestralidade portuguesa, indígena e castelhana.
Quando o duque D. João de Bragança assumiu o trono de Portugal em 1640, no ano seguinte Amador foi aclamado rei em São Paulo pelo poderoso partido de influentes e ricos castelhanos, liderados pelos irmãos Rendon de Quevedo, Juan e Francisco naturais de Coria, partido ao qual ainda pertenciam D. Francisco de Lemos, da cidade de Orens; D. Gabriel Ponce de León, de Guaira; D. Bartolomeu de Torales, de Vila Rica do Paraguai, D. André de Zunega e seu irmão D. Bartolomeu de Contreras y Torales, D. João de Espíndola e Gusmão, da província do Paraguai, e outros que subscreveram o termo de aclamação, a 1º de abril de 1641. Contrariando a Revolução do 1º de dezembro de 1640, no Reino de Portugal, os espanhóis não queriam ser súditos de D. João IV, que reputavam de vassalo rebelde a seu soberano, resolvendo provocar a secessão da região paulista do resto do Brasil, esperando talvez anexá-la aos domínios espanhóis limítrofes. Diz o historiador Afonso Taunay em "Ensaios Paulistas", pág. 631: «Oferecem o trono ao sogro, ele próprio filho de espanhol e homem do maior prol em sua república pela inteligência, a fortuna, o passado de bandeirante, o casamento, os cargos ocupados.»
Imagem: Uma câmera de celular na mão · BY · Openverse
Casou-se com Bernarda Luís, filha de Domingos Luís, o Carvoeiro, e de Ana Camacho, os quais em 10 de abril de 1603 haviam fundado a capela de Nossa Senhora da Luz no bairro do Guarepe, nos arredores da vila de São Paulo. Tiveram numerosa descendência, entre elas um filho, bandeirante, também chamado Bartolomeu Bueno como seu avô e seu tio e um filho chamado, para distinguir do pai, Amador Bueno, o Moço, também bandeirante. Entre seus irmãos os famosos bandeirantes Francisco Bueno e Bartolomeu Bueno, o Moço.
Imagem: Wesley Souza Fotos · BY · Openverse
Amador Bueno morreu em data incerta entre 1646 e 1650. Acredita-se que tenha sido sepultado na parte desaparecida do Convento de São Francisco.
Descendência de Amador Bueno entre a população brasileira
Amador Bueno foi o bisavô de outra personagem importante da história de São Paulo, Amador Bueno da Veiga, que comandou os paulistas na Guerra dos Emboabas. Foi também tio e tutor de Bartolomeu Bueno da Silva, o primeiro "Anhangüera". São muitos os brasileiros descendentes de Amador Bueno. Dentre eles estão vultos como Getúlio Vargas, Tancredo Neves, Roberto Marinho, Júlio de Mesquita Filho, Walter Moreira Sales, Armando de Sales Oliveira, Vicente de Carvalho, Carlos Drummond de Andrade, Frei Gaspar da Madre de Deus, Pedro Taques de Almeida Paes Leme e Bárbara Heliodora. A respeito dos descendentes de Amador Bueno, o geneticista Sérgio Pena explica por que o número deles é enorme:
Homenagens
Amador Bueno foi homenageado no discurso de abertura da Assembleia Geral, Constituinte, e Legislativa do Império do Brasil feito por Dom Pedro I em 3 de Maio de 1823: "Quando em S. Paulo surgiu dentre o brioso Povo daquela Agradável, e Encantadora Província, um partido de Portugueses, e Brasileiros degenerados, totalmente afeitos às Cortes do desgraçado, e encanecido Portugal, Parti imediatamente para a Província, Entrei sem, receio porque Conheço; que todo o Povo Me ama, Dei as providencias, que Me pareceram convenientes, a ponto que a nossa Independência lá foi primeiro, que em parte alguma, proclamada no sempre memorável sítio do Piranga. [sic] Foi na Pátria do fidelíssimo, e nunca assaz louvado Amador Bueno de Ribeira aonde pela primeira vez Fui Aclamado Imperador."


