Afonso d'Escragnolle Taunay
Afonso d'Escragnolle Taunay foi um biógrafo, historiador, ensaísta, lexicógrafo, tradutor, romancista, heráldico e professor brasileiro. Ocupou a cadeira n.º 1 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 7 de novembro de 1929.
A Família Taunay, no Brasil, remonta a Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), pintor francês neoclássico, integrante da, assim chamada, Missão Artística Francesa que veio ao Brasil, como pensionista do reino, acompanhando a expedição que trazia a Princesa Leopoldina, em 1816. A chegada da missão ao Rio de Janeiro possibilitou a estruturação e a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, ainda em 1816, que viria a se tornar, em 1826, a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). Em 1821, recebeu o título de Barão de Taunay de D. João VI, porém descontente com a nomeação de Henrique José da Silva para diretor da Escola Real, retornou para Paris, indicando seu filho, Félix-Emile Taunay, para substituí-lo como professor de pintura de paisagem. Afonso Taunay nasceu na cidade de Desterro, atual Florianópolis, no Palácio Rosado, sede do governo da província de Santa Catarina. Filho do então presidente da província de Santa Catarina, Alfredo d'Escragnolle Taunay (1843-1899), o visconde de Taunay (título agraciado pelo Imperador em 1888 proposto pelo Visconde de Ouro Preto), e de Cristina Teixeira Leite (1854-1936), filha de Francisco José Teixeira Leite, o barão de Vassouras. O pai de Afonso, o visconde de Taunay, era filho de Félix-Emile Taunay, o 2º Barão de Taunay, e de Gabrielle Herminie de Robert d'Escragnolle, filha de Alexandre-Louis-Marie de Robert, o conde d'Escragnolle, e irmã de Gaston Louis Henri de Robert d'Escragnolle, o barão d'Escragnolle. Sua avó paterna, Gabrielle Herminie de Robert d'Escragnolle, era sobrinha do Visconde de Beaurepaire-Rohan, sendo Afonso Taunay, consequentemente, também descendente de anglo-portugueses.
Taunay dedicou sua vida a diversos cargos públicos. Mas a direção do Museu Paulista, que exerceu até a aposentadoria compulsória, em 1945, aos setenta anos de idade, foi a sua grande paixão. Ele foi nomeado diretor, sendo o segundo a assumir a administração, do Museu Paulista em 1917 com a incumbência de realizar os preparativos para o centenário da Independência do Brasil, a ser comemorado em 1922. No Museu foi criada a Seção de História Nacional (especialmente voltada para São Paulo e Etnografia), cumprindo plenamente um projeto muito almejado por Affonso d'Escragnolle Taunay: "inaugurar um museu histórico em São Paulo, sobretudo no monumento do Ypiranga, no local glorioso da Proclamação". (Taunay, 1926b, p. 47) Ele abandonou até a cátedra superior para não deixar a sua direção, quando da vigência da lei que impedia as acumulações. Estimava sobremaneira, o Museu Republicano de Itu por ele organizado. A inauguração do Museu Republicano Convenção de Itu, aconteceu em 1923, como instituição anexa ao Museu Paulista, voltada para a preservação da memória do movimento republicano em São Paulo.
História Geral das Bandeiras Paulistas
A História Geral das Bandeiras Paulistas, é uma das principais e com maior peso das obras do Taunay. Esse trabalho monumental resultou nos onze volumes publicados entre 1924 e 1950. Durante a década de 1920 foram publicados os cinco primeiros volumes da obra, na década seguinte foram lançados o sexto e o sétimo volumes e somente na segunda metade da década de 1940 os volumes oitavo, nono e décimo foram publicados, ficando ainda para o ano de 1950 a publicação do décimo primeiro e último volume da obra. A Editora Melhoramentos, que a editou, reeditou-a em 1961, em três volumes, fazendo parte das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo.
Afonso d'Escragnolle Taunay foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, em 7 de novembro de 1929, e convidado a ocupar a cadeira 1, sucedendo a Luís Murat, membro fundador da cadeira. Seu pai, Alfredo d'Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, foi um dos fundadores da ABL, em 20 de julho de 1897, ocupando a cadeira 13. Afonso foi recebido pelo acadêmico Edgar Roquette-Pinto, em 6 de maio de 1930. E, acostumado com as glórias, esteve diante das críticas mais duras que recebeu no período em relação a pontos de suas obras. No entanto, a entrada de Taunay na Academia Brasileira de Letras não significou um abandono de nenhum dos princípios que considerava válidos até então, mas a posição que desfrutava na década de 1930 permitiu-lhe dedicar-se a outros temas, para além da história das Bandeiras. Juntos, Taunay e Roquette-Pinto foram trabalhar com Humberto Mauro na execução dos filmes O descobrimento do Brasil (1937) e Bandeirantes (1940. Já como imortal Taunay divulgou na Revista da Academia Brasileira de Letras o filme Bandeirantes destacando o intuito que Roquette-Pinto tinha de prosseguir, após a realização de "O descobrimento do Brasil", a “difusão das cenas nobres da nossa terra”. Roquette-Pinto imaginou, segundo Taunay contou nesse artigo, a composição de um filme, destinado a todas as escolas do Brasil, “encerrando motivos hauridos da epopeia bandeirante”. Para a realização de tal empreendimento, ele solicitou a colaboração de Taunay que aceitou o convite e relatou ter vivido “longas horas das mais agradáveis” na execução deste trabalho. (TAUNAY, Afonso de E. História de um film. Revista da ABL, ano 40, v. 61, p. 298-307, 1941)
Incluem-se entre as criações de Afonso de Taunay:


