Arquitetura de Portugal
A arquitetura em Portugal foi, como na maioria das nações europeias, drasticamente influenciada pelos movimentos culturais e estéticos que caracterizaram as várias épocas da História da Arte, o que resultou num rico legado patrimonial. Refere-se às práticas da arquitectura realizadas no território português desde antes da fundação do país no século XII. O termo também pode se referir a edifícios criados sob influência portuguesa ou por arquitetos do país em outras partes do mundo, particularmente no Império Português.
Megalítico
Os primeiros exemplos de atividades arquitetónicas em Portugal datam do Neolítico e consistem em estruturas associadas com a cultura megalítica, cujos exemplares mais antigos datam do quarto milénio antes de Cristo (das primeiras culturas do sudoeste da Península Ibérica, 3 750 a.C. a 2 500 a.C.). A área de influência portuguesa é pontilhada com um grande número de dólmens (chamadas antas ou dólmenes), tumuli (mamoas) e menires. A região do Alentejo é particularmente rica em monumentos megalíticos, como a notável Anta Grande do Zambujeiro, perto de Évora. Podem ser encontradas perafitas circulares isoladas ou formando círculos de pedra (ou Cromeleques). O Cromeleque dos Almendres, também localizado perto de Évora, é o maior da Península Ibérica, com cerca de 100 menires dispostos em duas matrizes elípticas sobre uma orientação Leste-Oeste.
Povoados pré-romanos
Povoados fortificados pré-históricos que datam da Idade do Cobre são encontrados ao longo do rio Tejo como o de Vila Nova de São Pedro, perto do Cartaxo, e o Castro do Zambujal, perto de Torres Vedras. Estes locais foram ocupados por volta dos anos 2500-1700 a.C e foram cercados por muros de pedra e torres, um sinal do constante nível de conflito que se fazia sentir. Iniciado por volta do século VI a.C., o Noroeste de Portugal, assim como a vizinha Galiza, na Espanha, viu o desenvolvimento da cultura castreja. Esta região foi pontilhada com aldeias Castro (chamadas citânias ou cividades) que em sua maior parte continuaram a existir sob a dominação romana, quando a área foi incorporada à província da Galécia. Sítios arqueológicos notáveis são a Citânia de Sanfins, perto de Paços de Ferreira, a Citânia de Briteiros, perto de Guimarães, e a Cividade de Terroso, perto de Póvoa de Varzim. Por razões defensivas, estes fortes foram construídos em terreno elevado e foram cercados por anéis de paredes de pedra (Terroso tinha três anéis de parede). As casas eram de formato redondo, com paredes feitas de pedra sem argamassa e telhados feitos de brotos de relva. Banhos foram construídos em alguns deles, como em Briteiros e Sanfins.
A história da arquitetura portuguesa começa ainda na Idade do Bronze quando as primeiras aldeias começaram a surgir de forma minimamente organizada, com casas, assembleias, balneários e muralhas em seu redor. Nessa época apareceram os Lusitanos. Foi depois, no século III, com a ocupação romana, que as primeiras cidades começaram a crescer de forma organizada com inúmeros edifícios públicos e estradas pavimentadas que melhoram as comunicações em certas partes. Após a queda do Império Romano do Ocidente o panorama artístico ficou quase esquecido. Apenas no século VIII, com a invasão muçulmana a arte voltou a ser praticada de forma mais organizada e uniforme. Mesquitas e palácios surgiram nas principais vilas e cidades do país. Do intenso relacionamento cultural estabelecido pela dinastia de Avis entre Portugal e os principais centros italianos (sobretudo da Toscânia), reforçado à medida que a expansão marítima avançava, se a pintura foi a primeira, a arquitectura foi a última das artes a beneficiar. Enquanto já D. João I tinha como pintor régio um "António Florentino" e em Pisa - o porto mais frequentado pelos navios portugueses - florescia Álvaro Pires de Évora ( act. 1411-34 ), apenas passado o meado do século encontramos algum indício de atenção às novas formas construtivas italianas no campo da arquitectura militar, e talvez um vislumbre de ar toscano na religiosa como o claustro de D. Afonso V no Mosteiro da Batalha (1450) porventura explicável pelas comuns fontes espirituais do franciscanismo.


