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Arquitetura barroca

A arquitetura barroca é o estilo arquitectónico praticado durante o período barroco que, precedido pelo renascimento e maneirismo, inicia-se a partir do século XVII, durante o período do absolutismo, e decorre até à primeira metade do século XVIII. A palavra portuguesa “barroco” define uma pérola de forma irregular; originalmente depreciativo, o termo barroco, indicava a falta de regularidade e ordem, que os adeptos do neoclassicismo, influenciados pelo racionalismo do Iluminismo, consideravam um indício de mau gosto. De facto, as características fundamentais da arquitectura barroca são as formas plásticas, com predilecção pelas linhas curvas, com movimentos sinuosos, como elipses, espirais ou curvas de construção policêntrica, por vezes com motivos que se entrelaçam, tanto que a sua geometria pode ser quase indecifrável. Tudo devia suscitar admiração e o forte sentido de teatralidade levou o arquitecto a procurar uma obra de arte unificada, fundindo pintura, escultura e estuque na composição espacial, e sublinhando tudo através de sugestivos jogos de luz e sombra.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Contexto histórico

O século XVII foi um período caracterizado por uma variedade de tendências nunca antes experimentadas. A concepção do cosmos tinha sido completamente revolucionada no século anterior, enquanto que as divisões desenvolvidas no interior da Igreja haviam-se tornado símbolo de uma desintegração de um mundo unificado e absoluto. No campo da arte, o sentimento de dúvida e a consequente alienação do indivíduo haviam encontrado expressão no maneirismo. Entre finais do século XVI e princípios do século XVII poder-se-ia observar alterações na atitude humana. Descartes, tendo aprendido que de tudo se podia duvidar, chegara à conclusão de que a dúvida era a única certeza; separando o ato de duvidar de qualquer elemento desconhecido, ele acabou por escrutinar os fundamentos do cepticismo. O homem voltaria então a perseguir a certeza, escolhendo entre as alternativas que lhe eram oferecidas na época; o novo mundo tornou-se "pluralístico", oferecendo ao homem uma variedade de escolhas e alternativas, tanto de carácter religioso como filosófico, económico e político.

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Periodização

A arquitetura barroca, que se prenuncia já em meados do século XVI nalgumas obras de Miguel Ângelo, desenvolveu-se em Roma e atingiu maior expressão entre 1630 e 1670; difundiu-se na restante península e no mundo ocidental, afirmando-se no século XVII e decorrendo até à primeira metade do século XVIII; quando Roma voltar-se-ia, de novo, para o classicismo, a exemplo de Paris. Em Itália, o primeiro período barroco corresponde à atividade de artistas e arquitetos como Carlo Maderno, Annibale Carracci, Caravaggio, Peter Paul Rubens. Um segundo período surge a partir da terceira década do século XVII, com as obras de Gian Lorenzo Bernini, Pietro de Cortona e Francesco Borromini, que fizeram de Roma o maior centro de atrações artísticas de toda a Europa. Mais precisamente nos pontificados de Urbano VIII Barberini, de Inocêncio X Pamphili e Alexandre VII Chigi, o barroco torna-se num estilo internacional que da capital dos Estados Pontifícios e sede do papado católico, se difunde por todo o mundo ocidental. O termo está relacionado com a decadência da Santa Sé, principalmente após a morte do papa Alexandre VII, em 1667; a destituição de Gian Lorenzo Bernini do projeto de ampliação do Louvre coincide com o início do declínio de Roma como principal centro irradiador de influência artística, e a afirmação de Paris neste contexto.

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Características da arquitetura barroca

Contrariamente à tese de que o barroco teve origem no maneirismo,[b] diversos estudos sustentam que foi o classicismo tardio que deu início ao novo estilo. De facto, a arquitetura maneirista não foi suficientemente revolucionária ao ponto de alterar radicalmente, no sentido espacial e não apenas a nível ornamental, o estilo da antiguidade para fins populares e retóricos num ambiente contrarreformista; por outras palavras, o maneirismo não correspondia às exigências artísticas da contrarreforma, por carecer de características relativas à clareza, realismo e intensidade emotiva requeridas pela Igreja do final do século XVI. Já no século XVI, Miguel Ângelo havia prenunciado o barroco nas formas colossais e maciças da cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma; as alternâncias de proporções e forças expressadas pelo mesmo arquiteto no vestíbulo da Biblioteca Medicea Laurenziana adicionadas à enorme cornija do Palácio Farnésio tinham despertado, à época, reações, justamente pela veemente alteração das proporções clássicas. Não obstante, noutras obras, Miguel Ângelo tinha cedido à influência da corrente maneirista. Entretanto, apenas quando o maneirismo chegava ao fim é que se redescobriria Miguel Ângelo como o pai do barroco.

Teatralidade

Torna-se urgente e faz sentido falar da vertente plástica, nos recursos cénicos, fundamentais à reflexão da materialidade do espaço teatral. A ideia de espectacularidade e do efémero — entendido no sentido que a vida é uma mutação constante e que nada perdura — aplicado à brevidade de um momento teatral (arte do provisório),[c] manifestam-se como métodos e linguagens na criação de cenários para teatro, traduzindo e impondo uma espacialidade concreta. Retêm-se propostas visuais que nos transmitem a ideia do pôr em cena e toda a visualização plástica do texto dramático. A presença metastasiana, insere-se no contexto do melodrama setecentista,[d] típico drama heróico onde se vivem os conflitos amorosos, juntamente com o sentimento de glória e de amor pátrio. Prática herdada das representações dos jesuítas, a utilização de uma engenharia teatral é agora amplamente aproveitada pelo espectáculo barroco numa perfeita autosuficiência e coerência ilusionísticas. Ao conjunto de todos os mecanismos cola-se a ideia do maravilhoso e de sublime — auroras, crepúsculos, núvens e paraísos — que pela beleza de imaginação e habilidade técnica produzem efeitos luminosos e acústicos.

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Temas da arquitectura barroca

Urbanismo

Em 1585, o papa Sisto V deu início aos trabalhos de transformação urbanística de Roma, contratando Domenico Fontana para vincular os principais edifícios religiosos da cidade por meio de grandes eixos estradais rectilíneos. O projecto, que tinha como propósito enfatizar o papel de Roma como "cidade santa", lançou premissas para uma série de transformações semelhantes em vários centros por toda a Europa. Assim, à planimetria centralizada e fechada das cidades ideais renascentistas, contrapôs-se a concepção barroca da "cidade capital", mais dinâmica e aberta face os seus próprios confins, mas ao mesmo tempo um ponto de referência para todo o território. Em Roma, os pontos focais do panorama urbano foram demarcados com a utilização dos antigos obeliscos egípcios e altas cúpulas; por outro lado, em Paris, os nós do sistema rodoviário foram definidos por praças simétricas, centradas em torno da estátua do soberano.

Igreja

Como ponto de partida da arquitectura barroca pode considerar-se a Igreja de Jesus de Roma, construída a partir de 1568 sob o projecto de Jacopo Vignola. O edifício, que representa uma síntese entre a arquitectura renascentista, maneirista e barroca, satisfazia plenamente as novas exigências contrareformistas: a disposição longitudinal da planta permitia acolher o maior número de fiéis, enquanto a planta em cruz latina com numerosos absidíolos representava um retorno à tradição do Concílio de Trento. Por outro lado, a presença de uma cúpula sublinhava a centralidade do espaço face o fundo da nave, e presagiava a busca por uma integração entre o planta longitudinal e o centralizado. Além disso, a fachada, construída de acordo com o projeto de Giacomo della Porta, antecipava os elementos mais marcadamente barrocos, comparáveis com os alçados das igrejas de Santa Susana e de Santo André do Vale.

Palácio

Na arquitetura civil é necessário distinguir dois tipos de residência nobre: o palácio da cidade e a villa de campo. O palácio italiano, embora com algumas variações regionais, manteve-se fiel à tipologia residencial do renascimento, com um edifício fechado em torno de um pátio interno. Geralmente as fachadas principais eram dotadas de corpos vanguardistas e decoradas com a utilização de colunas gigantes. Notamos também o prolongamento do eixo de simetria no interior do edifício, onde se abrem o vestíbulo e o pátio central; por exemplo, o eixo longitudinal introduzido no Palácio Barberini, em Roma, contribui para a definição do plano e sublinha a sua relação com o ambiente externo. Além disso, este edifício constitui um ponto de viragem na tipologia das residências de estilo italiano: a planta é em forma de H, com um átrio profundo que diminui constantemente de largura até conduzir a uma sala elíptica, centro nodal de todo o edifício.

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Nascimento e difusão do barroco no século XVII

— Heinrich Wölfflin, Renascimento e Barroco, Milão (1864–1945) O barroco no Condado da Flandres foi introduzido pelos jesuítas, visando contrariar a Reforma Protestante que já havia conquistado as Dezessete Províncias. Os primeiros jesuítas chegaram diretamente de Paris a Lovaina em 1542, apenas dois anos após a fundação da ordem, e construíram uma residência para estudantes da universidade católica da cidade. Mais tarde espalharam-se pela região e em 1562 chegaram a Antuérpia, onde em 1574 fundaram um pequeno colégio. Logo ganharam importância, tanto que, a partir de um projeto dos jesuítas Pieter Huyssens e François d'Aguilon, entre 1615 e 1621, construíram a igreja de San Carlo Borromeo, uma das primeiras igrejas da Flandres onde a influência barroca pode ser encontrada, embora com referências claras ao Maneirismo. Deste trabalho, outros logo se seguiram; em Gante a ordem reconstruiu a antiga Abadia de São Pedro a partir de 1629, enquanto em Lovaina decidiram em 1650 construir uma igreja para o novo colégio, a igreja paroquial de São Miguel, na qual o estilo barroco se manifestou ainda mais explicitamente.

Igreja

No final do século XVI, Roma tornou-se o centro de desenvolvimento da arquitetura ligada à Contrarreforma e exerceu a sua influência em todo o mundo católico. As premissas para a afirmação do estilo barroco podem já ser encontradas nas obras de Giacomo Della Porta (1533–1602), que construiu a fachada da igreja de Gesù nas últimas décadas do século XVI. Poucos anos depois, em 1603, foi concluída a fachada da igreja de Santa Susana, desenhada por Carlo Maderno (1556–1629) e habitualmente considerada o "primeiro exemplar plenamente concretizado da arquitectura barroca"; embora a disposição espacial ainda seja maneirista. A estreia de Maderno como arquiteto pode ser encontrada nas obras que realizou para o cardeal Anton Maria Salviati, como a conclusão da igreja de San Giacomo in Augusta, cuja cúpula com contrafortes mostra o rigor técnico que adquiriu durante a sua aprendizagem ao lado do seu tio Domenico Fontana. Santa Susanna foi, todavia, o primeiro grande compromisso da sua carreira. Aqui, Maderno reforçou o eixo central através da utilização gradual de pilares, semicolunas e colunas em direção à parte central do edifício, acentuando assim a plasticidade que já havia surgido na obra Della Da porta. Em comparação com Della Porta e a fachada da igreja de Gesù, a inovação substancial reside em ter alargado a utilização de colunas à primeira ordem de toda a zona central e tê-la substituído, no nível superior, por uma série de pilastras. No geral, foi um salto notável em comparação com a frieza académica em voga até então e evidente, por exemplo, na fachada da Igreja de São Jerônimo dos Croatas, obra criada por Martino Longhi, o Velho, por volta de 1588–1589.

Praça

Quanto à abordagem do barroco romano é necessário recordar as principais transformações urbanas da cidade, atribuíveis à referida planta pretendida pelo Papa Sisto V, que reuniu também algumas intervenções já implementadas pelos seus antecessores. Em particular, o tridente da Praça do Povo (mesmo antes das transformações posteriormente levadas a cabo por Giuseppe Valadier) representa um dos elementos mais importantes e foi protótipo de um dos motivos básicos da cidade barroca; a própria porta de entrada da cidade, tornou-se ponto nodal do sistema viário a partir de 1589, com a construção de um obelisco, e a construção no século XVII das citadas igrejas gêmeas de Rainaldi.

Palácio

Os principais arquitectos do barroco romano também deixaram vestígios importantes na arquitectura civil. Em 1625, Carlo Maderno iniciou as obras do referido Palácio Barberini com a colaboração de Borromini, a quem é atribuída a escada helicoidal; após a morte de Maderno, quatro anos depois, o trabalho foi continuado por Bernini. É certo, porém, que o plano foi decidido antes de janeiro de 1629. Anteriormente foi destacado como a disposição do edifício, sem o clássico pátio interno, difere da tradição do palácio italiano; estando nos arredores da cidade propriamente dita, Maderno mudou o conceito original do palácio da cidade para uma espécie de villa suburbana. Até a fachada, parte mais clássica da obra, apresenta elementos inovadores nos arcos abertos da última ordem (o andar superior).

Turim

No final do século XVI, Turim ainda estava presa na antiga estrutura romana do castrum; alguns anos depois, durante o reinado de Carlos Emanuel I, a cidade tornou-se um importante centro barroco, ponto de encontro das tendências romanas e francesas, numa síntese singular entre aspectos contrarreformistas e seculares. Ascanio Vitozzi(1539–1615) foi o responsável pela disposição da Piazza Castello, em torno da qual se desenvolveram os novos bairros da cidade; as obras foram executadas por Carlo di Castellamonte (1560–1641), que a partir de 1621 deu continuidade ao desenvolvimento da cidade para o sul segundo um sistema de eixos ortogonais. O mesmo arquiteto foi o responsável pela formação da vasta Piazza San Carlo (na época Praça Real), espaço derivado da Place Royale francesa e centrado em torno de uma estátua equestre; no entanto, duas igrejas gémeas foram colocadas nas laterais da estrada principal, numa solução semelhante à implementada na Piazza del Popolo, em Roma. Este duplo valor, fruto da união entre elementos sagrados e seculares, encontra-se também no Palácio Ducal (depois Real), que estava posicionado em comunicação direta com a catedral.

França

Ao contrário de Roma, o desenvolvimento urbano de Paris não partiu da necessidade de unir pontos focais já existentes, mas surgiu da formação de uma série de praças centradas na figura do soberano. O primeiro exemplo de place royale remonta à Place Dauphine (1599–1606), construída por Henrique IV entre a Pont Neuf e a Île de la Cité, no coração de Paris. De formato triangular e originalmente caracterizada por pórticos inspirados em modelos italianos, a Place Dauphine foi aberta à beira da antiga ponte, enquanto a estátua do soberano foi colocada no cruzamento da praça com a Pont Neuf, perto do rio Sena, quase a sublinhar o eixo do rio. No início do século XVII, iniciou-se a construção da Place des Vosges (anteriormente conhecida como Place Royale), uma praça fechada em três lados e cercada por edifícios destinados a abrigar residências da classe burguesa; embora apresentem pórticos derivados da Piazza Grande de Livorno, os edifícios, de desenho unitário, ainda apresentam um acentuado verticalismo gótico.

Grã-Bretanha

Até ao início do século XVII, a arquitectura inglesa esteve longe das tendências desenvolvidas no resto da Europa. Por volta de 1616, Inigo Jones (1573–1652) introduziu o estilo palladiano na Inglaterra, que viria a ter enorme sucesso no canal da Mancha e nas colónias americanas: entre as suas primeiras obras lembramos a Queen's House em Greenwich, um edifício com uma aparência italiana, mas equipada com inúmeras aberturas ao estilo nórdico. Na segunda metade do século, graças a uma forte imigração de protestantes franceses, a arquitetura inglesa voltou-se para o gosto barroco. A figura mais importante da última fase do século XVII foi Christopher Wren (1632–1723), protagonista da reconstrução de Londres após o incêndio de 1666. Em particular, em 1673 apresentou um primeiro projecto de reconstrução da Catedral de São Paulo, baseado numa planta de cruz grega evidentemente influenciado pelos desenhos de Miguel Ângelo Buonarroti para a Basílica de São Pedro no Vaticano, mas que tinha capelas laterais abertas nas diagonais diretamente em direção à cúpula. O clero da Igreja Anglicana rejeitou a proposta e Wren foi forçado a fazer mudanças significativas no projeto, fazendo com que o complexo assumisse forma basilical. O elemento mais barroco da catedral passou a ser a fachada principal, revestida por duas ordens de colunas de origem francesa e ladeada por duas torres sineiras inspiradas no estilo de Borromini. No cruzamento da nave com o transepto ergue-se uma grande cúpula, definida como "uma expressão bastante banal dos ideais da arquitetura inglesa"; visto do exterior parece decididamente clássico, enquanto no interior é estruturado com uma série artificial de calotas sobrepostas típicas da arquitetura barroca.

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Arquitetura barroca tardia e rococó

Embora o barroco esteja essencialmente ligado ao século XVII, na primeira metade do século XVIII verificaram-se a construção de numerosos edifícios nos estilos barroco tardio e rococó. Esta última fase diferencia-se da fase anterior pela adoção de uma decoração mais rica, pela leveza das superfícies das paredes, pela acentuação da complexidade espacial (no modelo de Borromini e Guarini) e finalmente pelo brilho intenso em antítese aos contrastes de claro-escuro do barroco. O contexto histórico muda: se o barroco teve a função de exaltar o papel da monarquia e da Igreja, o rococó inaugurou um século em que ocorreram revoluções culturais que questionaram ideais e valores acumulados até então. A arquitetura barroca é consubstancial ao absolutismo, o seu período rococó termina com o do despotismo esclarecido, e podemos supor que se o Barroco se esgota, é por causa do esgotamento da filosofia política e religiosa (cuius regio, eius religio) que lhe está subjacente. Na França, o Versalhes deixou de ser o ponto fulcral da nação e a corte real voltou para Paris, mesmo que apenas por alguns anos; No entanto, o encanto de Versalhes resistiu em grande parte da Europa, onde surgiram inúmeras residências inspiradas no modelo francês. Foi precisamente na França que o rococó (chamado Rocaille em francês) se desenvolveu e se espalhou pelo resto do continente. O estilo afetou principalmente as artes decorativas e o mobiliário; na arquitetura acentuou-se a diferença entre ambientes internos e externos, com distinção entre os ambientes em função do seu uso, enquanto as estruturas portantes foram aligeiradas sem abrir mão da plasticidade das superfícies que foi também confiado às formas curvas das paredes.

Império Russo

Ainda antes do reinado de Pedro I da Rússia, a arquitetura russa aproximou-se das tendências europeias com a adoção de motivos renascentistas e barrocos, ainda que pontuais. Ao mesmo tempo, a reconquista das zonas ocidentais e em particular da Ucrânia, levou ao desenvolvimento dum estilo com características próprias, mas sem uma relação autêntica com a arquitectura europeia contemporânea. Somente durante o século XVIII a Rússia aceitou, com maior vigor, os cânones estilísticos do mundo ocidental (ver o parágrafo sobre a arquitetura barroca tardia). Na verdade, uma transição mais decisiva para a arquitetura ocidental coincidiu com o barroco de Moscovo, no início do século XVIII, o que já mostra um uso consciente das ordens arquitetónicas. Um exemplo notável desta corrente ocorre no mosteiro Novodevičij de Moscovo. Um papel decisivo no desenvolvimento deste barroco russo tardio foi desempenhado por arquitetos de origem italiana, nomeadamente Bartolomeo Rastrelli.

Império Otomano

O barroco otomano surgiu na Turquia como um modo triunfante de afirmação do Império, concebido para celebrar as recentes conquistas do sultanato e, por extensão, a revitalização do Império Otomano. A escolha deliberada do estilo impõe-se no século XVIII, uma vez que o barroco se tornara uma linguagem arquitetónica de prestígio internacional. Influenciada pela arquitetura barroca europeia, a arquitetura otomana sofreu mudanças especialmente evidentes na ornamentação e nos detalhes de novos edifícios, com a adoção de motivos barrocos. À semelhança do barroco petrino, o barroco otomano foi criado por uma política do sudeste europeu que respondia aos modelos ocidentais, concebido como uma declaração robusta da ambição dos otomanos em proclamar de forma competitiva a contínua relevância global do império, tanto que colocou o império num confronto estético mais direto com os seus rivais. É notável a este respeito que a cidade reconquistada de Belgrado tenha incluído vários monumentos barrocos do seu tempo sob o domínio dos Habsburgos. Por um lado, isto sinalizava a abordagem mais diplomática que os otomanos estavam a adotar em relação aos seus inimigos cristãos tradicionais. Uma série de mesquitas sultanas (imperiais) foram construídas por toda a Turquia durante a segunda metade do século XVIII. Verifica-se uma preocupação pronunciada com a auto-exibição de um esplendor visual, magnificência e poder. Um exemplo notável desta corrente ocorre na Mesquita Nuruosmaniye (1748 - 1755) de Istambul, com um esbelto salão de orações com uma única cúpula e mobiliário ricamente esculpido tornam-na inequivocamente barroca.

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Fontes consultadas

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