Arganil
Arganil é uma vila portuguesa do distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, região do Centro e sub-região Região de Coimbra, com cerca de 4 000 habitantes.
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Arganil significa pequeno campo “Arganil é palavra portuguesa antiga, diminutivo de Arga, significa pequeno campo, campinho. Arga é corrupção de agra, campina, do latim agro, campo.”
Alguns autores mencionam que Arganil foi fundada pelos romanos, e outros citam os lusitanos. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira encontramos Entretanto, o primeiro documento conhecido que se refere a Arganil, o da doação feita pela Rainha D. Teresa, Mãe de D. Afonso Henriques, da Vila à Sé de Coimbra, prova a sua existência anterior à Monarquia Portuguesa.[nota 2][nota 3] Apesar, porém, desta doação, nunca chegou a entrar na posse dela, ou porque tornasse ao poder dos árabes, ou porque a doadora mudasse de parecer. Aos 1 de Janeiro de 1175, Pedro Uzbertiz outorga uma carta de foro a Arganil, assinada no acervo do Arquivo Público. Aos 18 de Dezembro de 1273 nas Cortes de Santarém e por Carta domini regis super corrigimento corrigendo in regne, é eleito como corregedor de Arganil, Pedro Afonso de Arganil. O certo é que em 1219 era Senhor da Vila, Afonso Pires de Arganil, o mesmo que trouxe as Relíquias dos Mártires de Marrocos para a Igreja de Santa Cruz, de Coimbra.[nota 4][nota 5] Reinava D. Afonso IV (o Bravo), quando por transacção com D. Senhorinha neta de Afonso Pires, e os administradores da fazenda régia, Arganil entrou no número das vilas de senhorio da coroa, sendo dada pelo mesmo soberano, no ano de 1392, em dote a sua neta infanta D. Maria, filha de D. Pedro I e de sua primeira mulher, a Infanta D. Constança, quando aquela foi casar com D. Fernando de Aragão.[nota 6] Falecendo esta Princesa sem sucessão, reverteu outra vez para a corôa, e foi doada em 1423 por D. João I a Martim Vasques da Cunha, que a trocou à Sé de Coimbra pela vila de e couto de Belmonte e seu termo, e pelo couto de S. Romão, vindo por esta forma a tornar-se propriedade da mitra conimbricence.
Bispos de Coimbra
Os bispos de Coimbra possuíam na vila um bom palácio com uma capela de três naves, fundado no século XIV, por D. Fernando Rodrigues Redondo e sua mulher D. Senhorinha Afonso. Gozavam do título de Condes de Arganil os Bispos de Coimbra, por mercê d’El-Rei D. Afonso V, passada em 1472 a favor do Bispo D. João Galvão e de seus sucessores no bispado. Uma época remota houve que as lides da guerra não repugnava a dignidade de sacerdote. Muitos prelados e outros eclesiásticos, movidos pelos nobres sentimentos da independência da pátria, juntavam ao carácter sacerdotal o de guerreiros intrépidos. Conserva-nos a história alevantados exemplos de muitos que, sobrepondo as vestes sacerdotais a armadura de cavaleiro, empunhando numa das mãos a cruz e na outra a lança, se arrojavam com audaciosa intrepidez no campo de batalhas, batendo-se pela fé e pela pátria. Briosa lição para os inimigos deste cobiçado Jardim da Europa e da nossa jovem República. Sucedia então com os eclesiásticos o mesmo que com as Igrejas. Quem atentar bem nos poucos edifícios religiosos que ainda nos restam da Idade Média, notará que o seu aspecto é meio guerreiro e meio eclesiástico, e que as paredes exteriores apresentam a forma de fortaleza, erguendo-se por entre as ameias a Cruz. Ao folhearmos as páginas da História Pátria, frequentes vezes se nos deparam brilhantes feitos de armas praticados por eclesiásticos nos campos da batalha. O arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares da Silva, acompanhou D. Sancho II e prestou-lhe relevantes serviços nas suas conquistas e nos combates que este notável Monarca sustentou contra os mouros, e distinguiu-se principalmente na conquista de Elvas. No ano de 1336, invadindo os Castelhanos o norte de Portugal, ligam-se o arcebispo de Braga D. Gonçalo, o bispo do Porto e o mestre da ordem de Cristo, organizam corpos de tropas, saem ao encontro do inimigo, e com tanto esforço o combatem, que ele se vê forçado a fugir, com grande perda de gente e bagagem. Na memorável batalha do Salado, no dia 28 de Outubro de 1340, obra prodígios de valor o arcebispo D. Gonçalo, combatendo ao lado d’El-Rei D. Afonso IV.
D. Afonso V
D. Afonso V declarando pela sua lei de 1480 a maneira e modo por que os privilegiados haviam de pagar as Jugadas das terras que lavrassem e não fossem suas, expressamente diz Pagava-se este tributo de cada junta de bois com que a terra jugadeira se lavrasse um moio de trigo ou milho. Também se chamava jugada ao tributo que pagavam certas terras de pão que nelas semeavam, e esse imposto era lançado por convenção dos colonos e direto senhorio. Todas as Jugadas variavam segundo as diferentes terras em que se pagavam. Havia jugadas de pão, vinho e linho, de que fala a Ordem, Liv. 11, tit.33. Na Jurisprudência antiga eram muito vulgares os termos Baraço e Cutelo, que correspondiam a Soga e Cochilo em Espanhol. Chamavam, pois, senhor de Baraço e Cutelo, ao que tinha em algum território todo o meio e misto Império ou todo o alto e baixo Imperio. O meio ou alto Imperio era o poder ou jurisdição, alto e supremo, para obrar tudo o que fosse benefício do povo e em particular interesse do imperante, especialmente do criminal, em que decidia sobre a vida ou membros dos vassalos, desterro ou confiscação de todos os bens; e por isso, se chamava senhor de Cutelo. Verdade é que não podia exorbitar das leis uma vez estabelecidas na sua Comarca ou respectivo território. O império Misto ou baixo, a que também chamavam jurisdição média, era um poder que se estendia a pena de sangue, e que ordinariamente versava tão somente nas causas cíveis. O magistrado recebia alguns emolumentos por ministrar justiça ás partes. Estes dois Impérios ou Poderes são os que hoje chamamos Cível e Criminal. O primeiro entendido pelo Baraço, estendia-se á prisão e sequestro das temporidades até condigna satisfação dos credores ou queixosos; o segundo, representado no Cutelo, estendia-se á mesma morte, natural ou civil. Porém o tempo e a civilização mostraram aos nossos Soberanos que o direito da vida e da morte se não devia alienar da corôa, sendo a Saúde e Indemnidade do Povo a Lei Suprema. E por isso foram cortando estas jurisdições, reduzindo-as a mais estreitos limites, até que caducaram completamente."
Final do Século XVIII
Em 1758, na vila não constava Hospital algum, tendo 172 vizinhos, contando quatrocentas e oito pessoas. Composta por cinco Freguesias com a da Vila, e quatorze lugares: Nogueira, Lomba da Nogueira, Casal, Rochel, Vale da Nogueira, Salão, Sarcina, Cadavais, Maladão, Liboreiro, Aveleira, Pereiro, Torroselas, Balbona, Casal de S. Pedro, Casal do Barco, Casal da Perdiz. Diz ainda o Padre Manoel da Costa Lemos Tunes no seu Dicionário Geográfico, aos 22 de Abril de 1758: Sempre foi tradição, fora no sítio de São Pedro, em toda a sua planície que é grande, a cidade de Argos, e por algumas partes desta planície se tem achado sepulturas de pedra e outras coisas! Esta planície fica junto ás margens do Rio Alva, sítio muito acomodado para ser cidade, e por esta tradição se tem, se derivou da cidade de Argos esta Vila de Arganil!
Invasões Francesas
Um dos concelhos do reino que mais sofreu com a Invasão Francesa, foi o de Arganil. De uma lista oficial, publicada depois da expulsão das hostes de Junot e Masséna, se vê que só nesta vila e seu termo roubaram, nos meses de Fevereiro e Março de 1811, 5 769$240 réis em dinheiro; 9 874$000 réis em diferentes objectos de ouro e prata; roupas de seda, lã e linho, na importância de 18 633$800 réis; vasos de prata, turíbulos, castiçais, cruzes e alfaias, só da Igreja de Arganil, na importância de 13 944$000 réis; as pratas das Secarias, no valor de 2 400$000 réis; de trigo, centeio, cevada, feijão e milho, que estragaram, 30 607 alqueires; azeite e aguardente, vinagre e vinho, 3 523 almudes e 1 398 alqueires; de carne de porco e banha, 584 arrobas; 314 cabeças de gado grosso; 10 642 de gado miúdo; 7 cavalos e 4 éguas; 191 porcos; 2 254 galinhas; 612 colmeias e 53 alqueires de mel. Destruiram e cortaram 3 302 oliveiras, 422 castanheiros, 1 478 carros de pinheiros; incendiaram um templo e 13 casas particulares; mataram 3 eclesiásticos, 23 seculares e 7 mulheres; ultrajaram e aprisionaram 96.
Final do século XIX
Uma das escolas Conde Ferreira seria construída em 1867, localizando-se junto ao "Paço do Bispo de Coimbra e Conde de Arganil", mais tarde denominado terreno do "Paço Grande". Aos 07 de Junho de 1870 e por testamento, a Senhora Condessa das Canas - D. Maria Isabel de Melo Freire de Bulhões - determinou que a sua casa Nobre, e propriedades, se transformassem em Hospital para os pobres da sua terra natal. Apelidada de "Mãe dos Pobres", encontra-se homenageada em Monumento no Jardim do Hospital.
Implantação da República Portuguesa
…Mas a história, também dá lições, fez o 5 de outubro de 1910, em que o Exército, Marinha e Povo, fez mais um esforço heróico, em que provou que a terra portuguesa devia ser livre. Oxalá que muitos, que não conhecem esta linda terra de Portugal e os seus filhos da Comarca, se convençam que p’rá frente é que é o caminho. E Arganil, que é bastante rica, há-de ter ocasião própria, a sua prosperidade que teve na Idade Média.
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(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.) (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
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O município de Arganil está dividido em 14 freguesias:
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A Santa Casa da Misericórdia de Arganil, existindo já antes como Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sita na Colegiada de S. Gens da Vila, foi legitimada por provisão Régia aos 06 de Junho de 1647, em reinado de D. João IV. "A primeira eleição de oficiais que se fez na dita casa para nela servirem foi no ano de 1651". Desde sempre com dedicação e ao serviço dos necessitados e população Arganilense. A Capela de Nossa Senhora do Mont'alto seria construida no ano de 1521. Segundo dizia o Padre António Maria Rodrigues, natural de Arganil, nascido aos 03 de Abril de 1842: "não se pode precisar a época da sua fundação", mas que terá sido alvo de reedificação já existindo anteriormente a 1521.
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A vila de Arganil é geminada com as seguintes cidades:


