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Maquezumitas

Os maquezumitas ou Banu Maquezume foram um dos dez principais clãs dos coraixitas e alcançaram posição econômica e política proeminente na Meca pré-islâmica. Sua genealogia remontava a Fir, identificado tradicionalmente com Coraixe, por intermédio de Maquezume ibne Iacaza ibne Murra. Durante o século VI, o poder do clã tornou-se tão expressivo que seu nome chegou a ser empregado em algumas tradições quase como sinônimo dos próprios coraixitas. Conhecidos pela riqueza, generosidade, inteligência e diligência, os maquezumitas estavam particularmente associados ao comércio com o Iêmen e a Abissínia, ao equipamento das forças militares de Meca e ao comando de sua cavalaria.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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História

Origens

A extensão exata do poder e da influência dos maquezumitas em Meca durante o século VI não pode ser determinada com segurança. A genealogia do clã remontava a Fir, tradicionalmente identificado com Coraixe, por intermédio de Maquezume ibne Iacaza ibne Murra. Os relatos muçulmanos sobre as duas principais alianças coraixitas da época, os Mutaiabum e os Alafe, situam os maquezumitas na segunda coligação, juntamente com os clãs de Abedal Dar, samita, jumaíta e adita. A aliança remontava à disputa pela distribuição das funções religiosas, militares e políticas de Meca após a morte de Cuçai ibne Quilabe. De acordo com sua disposição, as atribuições da nadua, da chefia militar, da guarda da Caaba, do estandarte, do abastecimento de água e da alimentação dos peregrinos haviam sido entregues aos Banu Abedal Dar. Os descendentes de Abede Manafe, alegando superioridade em poder e prestígio, reivindicaram parte desses encargos, levando os coraixitas a se dividirem em facções. Os maquezumitas, samitas, jumaítas e aditas juraram permanecer unidos aos Banu Abedal Dar e passaram a integrar os Alafe. Segundo uma tradição, os aliados mergulharam as mãos num recipiente cheio de sangue e depois as lamberam, recebendo por isso a designação de Lambedores de Sangue. O conflito terminou com a entrega do abastecimento de água e da alimentação dos peregrinos aos Banu Abede Manafe, enquanto a guarda da Caaba, o estandarte e a assembleia permaneceram com os Banu Abedal Dar.

Período muçulmano inicial

Os maquezumitas também mantinham vínculos de parentesco com a família de Maomé. Sua avó paterna, Fátima binte Anre ibne Aide, esposa de Abedal Motalibe, pertencia ao clã. Em consequência, Alualide ibne Almuguira era parente pelo lado materno de Abedalá ibne Abedal Motalibe, pai do profeta. O surgimento de Maomé como profeta, na segunda década do século VII, encontrou forte oposição do chefe maquezumita da época, Abu Jal, filho de Hixame ibne Almuguira. Abu Jal destacou-se particularmente por promover o boicote imposto aos Banu Haxime, aproximadamente entre 616 e 618. Seu tio Alualide ibne Almuguira, que exercia a função de juiz ou árbitro, foi contado entre os chamados “escarnecedores”, contra os quais, segundo a tradição, teriam sido dirigidos versículos das suras mecanas do Alcorão. Maomé teria dedicado especial atenção à tentativa de converter Alualide, então uma das figuras mais influentes dos coraixitas. Segundo a exegese tradicional, foi durante uma conversa com ele que o profeta deixou de atender imediatamente o cego Abedalá ibne Ume Maquetume, episódio ao qual se relacionam os dez primeiros versículos da sura Abaça. Abu Jal também estava entre os líderes cuja conversão Maomé desejava.

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Redes familiares e principais linhagens

A descendência de Abderramão ibne Alharite adquiriu especial importância no numeroso e influente ramo dos descendentes de Hixame ibne Almuguira. Abderramão teve treze ou catorze filhos e dezoito filhas. Cinco ou seis de seus filhos eram de Faquita binte Oteba, pertencente ao clã de Banu Amir ibne Luai. Almuçabe Azobairi, escrevendo na primeira metade do século IX, destacou o grande número de descendentes de Abderramão e Faquita ainda existentes em sua época. As alianças matrimoniais dessa família oferecem uma indicação da amplitude das relações políticas dos maquezumitas no século VII. Entre as esposas de Abderramão estavam uma filha de Zobair ibne Alauame, que era neta de Abu Becre, e uma filha de Otomão. Dos 25 casamentos conhecidos de suas filhas, todos realizados dentro dos coraixitas, dez foram contraídos com maquezumitas, todos pertencentes aos Banu Almuguira; oito com omíadas, incluindo um casamento sem filhos com Moáuia I, posteriormente dissolvido por divórcio; e cinco com membros da família de Zobair, entre os quais Abedalá ibne Zobair, que se casou com duas delas. O dote de quarenta mil dinares pago por Iaia ibne Aláqueme, tio do califa Abedal Maleque ibne Maruane, por uma dessas mulheres, ainda que provavelmente excepcional, demonstra o elevado valor que tais acordos matrimoniais podiam alcançar. Na geração seguinte, também são instrutivos os dez casamentos registrados das seis filhas de Almuguira ibne Abderramão. Um foi realizado com outro maquezumita, três com membros da linhagem maruânida — incluindo um filho de Abedal Maleque — e cinco com outros coraixitas, descendentes, respectivamente, de Abu Becre, Omar, Otomão, Abas ibne Abedal Motalibe e Tala ibne Ubaide Alá. O décimo foi o casamento de Ume Albanine binte Almuguira com Alhajaje ibne Iúçufe. Essa união constitui a mais antiga indicação conhecida de uma mulher maquezumita entregue em casamento a um homem que não pertencia aos coraixitas. Os dois outros casos mencionados pelas fontes envolveram filhos de Alhajaje.

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Período Omíada

Embora houvesse maquezumitas na Síria, pelo menos até a extinção da linhagem de Calide, e também no Iraque, sobretudo em Baçorá, a principal concentração do clã durante o período omíada permaneceu no Hejaz, em Meca e Medina. Os maquezumitas de Medina parecem ter entrado em conflito com Otomão por causa dos maus-tratos infligidos pelo califa ao companheiro Amar ibne Iacir, que era cliente do clã em consequência de ter sido libertado por Abu Hudaifa ibne Almuguira. Nos acontecimentos posteriores ao assassinato de Otomão, as baixas sofridas pelos maquezumitas na Batalha do Camelo indicam que parte do clã apoiou Tala e Zobair. No confronto subsequente entre Ali e Moáuia, o último contou com o apoio de Abderramão ibne Calide, que se distinguiu na Batalha de Sifim como porta-estandarte do exército sírio. É provável que os maquezumitas do Hejaz tenham preferido Moáuia a Ali. A presença no campo de Ali de Jada ibne Hubaira, pertencente a um ramo secundário dos maquezumitas, explica-se por seus vínculos familiares: sua mãe era filha de Abu Talibe e sua esposa era filha de Ali. Mais difícil de explicar é a posição pró-haxemita de Almuajir ibne Calide, morto combatendo ao lado de Ali em Sifim.

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Período Abássida

À medida que o Hejaz se transformou numa região politicamente periférica depois da derrota dos zobaíridas, o papel dos maquezumitas ficou cada vez mais restrito ao de uma aristocracia local. Os integrantes do clã passaram a aparecer nas fontes principalmente em contextos relacionados ao saber religioso e à aplicação da lei islâmica. Além de Abu Becre ibne Abderramão, destacou-se o jurista Saíde ibne Almuçaiabe, pertencente a um dos ramos secundários do clã. As fontes também preservam listas de maquezumitas que transmitiram hádices. Abdalazize ibne Abedal Motalibe Almaquezumi, igualmente oriundo de um ramo secundário, serviu como cádi de Medina durante os califados de Almançor e Almadi. Outra tradição afirma que exerceu a magistratura tanto em Meca quanto em Medina durante os reinados de Almançor e Alhadi. Maomé Alaucas ibne Abderramão, pertencente aos descendentes de Hixame ibne Almuguira, foi cádi de Meca sob Almadi, embora outra fonte situe seu mandato no tempo de Almançor. Hixame ibne Abedal Maleque Alasgar, do mesmo ramo, serviu como cádi de Medina durante o califado de Harune Arraxide. Há ainda indícios de que, no início do período abássida, os vínculos dos maquezumitas com os álidas, particularmente com os hassânidas, se tornaram mais estreitos. A mãe de Idris I, fundador da dinastia idríssida no Magrebe no final do século VIII, era Atica binte Abedal Maleque ibne Alharite, pertencente à linhagem de Hixame ibne Almuguira.

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Fontes consultadas

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