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Alharite ibne Suraije

Abu Hatim Alharite ibne Suraije ibne Iázide foi um líder árabe de uma rebelião social em grande escala contra o Califado Omíada, no Coração e na Transoxiana. A rebelião de Alharite começou em 734 e representou as queixas tanto dos colonos árabes locais quanto dos convertidos iranianos nativos (maulas), que não foram reconhecidos como iguais aos árabes muçulmanos, contra o regime omíada. Alharite baseou sua revolta em motivos religiosos e conquistou grande parte dos colonos árabes e da população nativa, mas falhou duas vezes em capturar a capital da província de Marve. A rebelião foi finalmente suprimida por Açade ibne Abedalá Alcáceri em 736. Junto com alguns apoiadores, Alharite escapou da captura e se aliou ao pagãos turguexes. Alharite acompanhou o grão-cã Suluque em sua invasão profunda em território controlado pelos árabes, que foi decisivamente derrotado na Batalha de Caristão em 737. Com o poder turguexe entrando em colapso depois disso, Alharite permaneceu na Transoxiana apoiado pelos príncipes nativos. O sucessor de Açade, Nácer ibne Saiar, fez campanha contra Alharite e seus apoiadores nativos, mas eventualmente, esperando usá-lo para reforçar sua posição nas rivalidades intertribais árabes, Nácer garantiu a Alharite um perdão do califa. Alharite retornou a Marve em 745. Logo, no entanto, levantou uma força armada considerável e desafiou a autoridade de Nácer, até ser morto em um confronto com seu aliado Judai Alquirmani em 746. Sua revolta enfraqueceu o poder árabe na Ásia Central e facilitou o início da Revolução Abássida que derrubaria os omíadas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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Vida

Primeiros anos

Alharite era da tribo dos tamimitas pertencente ao supergrupo tribal árabe do norte (modaritas), e veio de Baçorá, onde seu pai, Suraije, vivia. É mencionado pela primeira vez em 729, quando se destacou por sua bravura e autosacrifício contra os turguexes, salvando o exército árabe da aniquilação em Baicanda perto de Bucara. Alharite é mencionado em seguida em 733, quando liderou um protesto no Baixo Tocaristão contra o confisco de suprimentos da província, já atormentada pela seca e pela fome, para alimentar a capital do Coração em Marve, pelo governador Junaide ibne Abderramão Almurri. Junaide mandou açoitar Alharite, mas depois que Junaide morreu no início de 734, o descontentamento explodiu numa rebelião aberta, com Alharite à frente.

Fim da rebelião, intervenção turguexe e exílio

Açade chegou no Coração com 20 mil tropas sírias e imediatamente tomou a ofensiva contra Alharite. A campanha de Açade foi custosa, mas após seus primeiros sucessos os árabes coraçanes começaram a se juntar a ele. O sucesso de Açade foi auxiliado por suas relações pessoais de longa data com os líderes tribais árabes locais, bem como pelas contínuas rivalidades tribais: como um iamanita oposto ao modarita Alharite, podia contar com o apoio de seus companheiros de tribo — assim, a maioria dos rebiaítas, os inimigos tradicionais dos tamimitas de Alharite, que logo desertaram para ele. Açade dividiu suas forças, enviando as tropas cufanas e sírias sob Abderramão ibne Naium em direção a Marve Arrude, onde o exército principal de Alharite estava localizado, enquanto marchou com os baçoranos e os coraçanes restantes sobre as fortalezas de Amul e Zame. As forças rebeldes em Amul se renderam e foram perdoadas, e a guarnição de Balque seguiu logo depois. O próprio Alharite abandonou Marve Arrude e recuou através do Oxo antes de Abderramão, encontrando refúgio com os príncipes do Tocaristão. Com a ajuda deles, sitiou o principal ponto de travessia sobre o Oxo em Tirmide. Diante das forças de Alharite, as tropas de Açade não ousaram cruzar o Oxo, mas recuaram para Balque. No entanto, a guarnição de Tirmide conseguiu derrotar Alharite, que estava enfraquecido após uma briga com o rei do Cutal, e que agora se retirou para o leste, para as montanhas de Badaquexão. Açade seguiu esse sucesso persuadindo a guarnição de Zame a se render sob promessas de anistia e pagamento em dobro, e por uma expedição malsucedida para recuperar Samarcanda, que havia sido perdida após o Desfiladeiro.

Retorno ao Coração, segunda rebelião e morte

As campanhas e reformas de Nácer consolidaram o domínio muçulmano sobre o Coração e grande parte da Transoxiana, mas seu sucesso foi frágil: os príncipes nativos se ressentiram da perda de autonomia e da crescente assimilação de seu povo pelos conquistadores árabes e enviaram embaixadas à corte chinesa em busca de ajuda, enquanto a rivalidade entre os grupos tribais modaritas e iamanitas, evidente em todo o mundo muçulmano, ainda dividia os próprios árabes. Com a ascensão do califa pró-iamanita Iázide III em 744, os iamanitas coraçanes apoiaram a candidatura de Judai Alquirmani como governador e, quando isso não aconteceu, eles se rebelaram. Consequentemente, Nácer sentiu que era necessário trazer Alharite e seus adeptos de volta, tanto para fortalecer sua própria posição — Alharite e seus seguidores tinham uma longa história de inimizade para com Alquirmani — quanto para remover uma fonte potencial para outra invasão estrangeira. Nácer garantiu um perdão total para Alharite e seus apoiadores de Iázide. Suas propriedades confiscadas foram devolvidas, e o califa até prometeu governar "de acordo com o Livro e a Suna".

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