Baekje
Baekje foi um reino localizado no sudoeste da Península Coreana. Juntamente com Koguryo e Silla, foi um dos Três Reinos da Coreia.
Fundação
Baekje foi fundado em 18 a.C. pelo Rei Onjo, que liderou um grupo de pessoas de Goguryeo até a bacia do Rio Han, ao sul. De acordo com o San Guo Zhi (Registros dos Três Reinos), durante o período Samhan, uma das chefaturas da Confederação Mahan se chamava Baekje. O Samguk Sagi tem um relato detalhado da fundação de Baekje. Jumong deixou seu filho, Yuri, em Buyeo, quando tinha deixado o reino para fundar Goguryeo. Jumong se tornou o Divino Rei Dongmyeong, e teve mais dois filhos com So Seo-no, Onjo e Biryu. Quando Yuri posteriormente chegou a Goguryeo, Jumong o coroou príncipe. Percebendo que Yuri se tornaria o próximo rei, So Seo-no deixou Goguryeo, levando seus dois filhos, Biryu e Onjo, para o sul a fim de fundar seus próprios reinos com seu povo, juntamente com dez vassalos. Ela é considerada uma figura-chave na fundação de Goguryeo e de Baekje.
Expansão
Durante o reinado do Rei Goi (234–286), Baekje se tornou um reino propriamente dito, enquanto continuava a consolidar a Confederação Mahan. Em 249, de acordo com o texto japonês Nihonshoki, a expansão de Baekje alcançou a Confederação Gaya ao leste, próximo do vale do Rio Nakdong. Baekje como um reino em registros históricos chineses em 345. As primeiras missões diplomáticas de Baekje alcançaram o Japão por volta do ano 367 (de acordo com o Nihon Shoki : 247). O Rei Geunchogo (346–375) expandiu o território de Baekje ao norte por meio de sucessivas guerras contra Goguryeo, enquanto anexava os outros regimes da Confederação Mahan ao sul. Durante o reinado de Geunchogo, os territórios de Baekje incluíam a maior parte do oeste da península coreana, e em 371, Baekje derrotou Goguryeo em Pyongyang. Baekje manteve comércio com Goguryeo e adotou a cultura e a tecnologia chinesa. O budismo se tornou a religião estatal oficial em 384.
Período Ungjin
No séc. V, Baekje recuou para o sul sob pressão militar de Goguryeo e em 475 a região de Seul caiu. A capital de Baekje foi localizada em Ungjin (atual Gongju) de 475 a 538. Isolada em terreno montanhoso, a nova capital estava segura contra o norte, mas separada do mundo exterior. A capital estava mais próxima de Silla do que Wiryeseong tinha sido e uma aliança militar foi forjada entre Silla e Baekje contra Goguryeo.
Período Sabi
Em 538, o Rei Seong mudou a capital para Sabi (atual Buyeo) e reconstruiu seu reino em um estado forte. Daí em diante, o nome oficial do reino passou a ser Nambuyeo ("Buyeo Meridional"), uma referência ao Reino de Buyeo, do qual Baekje tinha se originado. O Período Sabi contemplou o florescimento da cultura de Baekje juntamente com o crescimento do budismo. Sob pressão de Goguryeo ao norte e de Silla ao leste, Seong buscou fortalecer as relações de Baekje com a China. A localização de Sabi, próximo ao Rio Geum, que era navegável, facilitou o conato com a China e tanto o comércio quanto a diplomacia floresceram durante seu reinado, continuando até o séc. VII.
Queda e movimento de restauração
Em 660, as tropas aliadas de Silla e de Tang atacaram Baekje, que estava aliado com Goguryeo. Um exército com números severamente menores, liderados pelo general Gyebaek, foi derrotado na Batalha de Hwangsanbeol, próximo de Nonsan. A capital Sabi caiu quase imediadamente depois, resultando na anexação de Baekje por Silla. O Rei Uija e seu filho Buyeo Yung foram exilados na China enquanto uma parte da aristocracia fugiu para o Japão. Forças de Baekje tentaram iniciar um movimento de restauração, mas foram enfrentados pelas forças aliadas de Silla e de Tang. O monge budista Dochim (도침, 道琛) e o antigo general de Baekje, Buyeo Boksin, tentaram reviver o reino. Eles acolheram o príncipe Buyeo Pung, que vinha do Japão, para servir como seu rei, com Juryu (주류, 周留, atual Seocheon-do, Chungcheong do Sul) como seu quartel-general. Eles iniciaram um cerco contra o general Liu Renyuan (劉仁願) de Tang em Sabi. O Imperador Gaozong enviou o general Liu Rengui, que anteriormente tinha sido rebaixado à classe de plebeu por ofender a Li Yifu, que junto de Liu Renyuan e suas tropas combinadas, conseguiram combater as forças da resistência de Baekje, mas não eram fortes o suficiente para acabar com a rebelião, então ambos os exércitos ficaram num impasse.
O estabelecimento de um estado centralizado em Baekje é geralmente atribuído ao reinado do Rei Goi, que deve ter sido o primeiro a estabelecer a sucessão patrilinear. Como muitas monarquias, a maior parte do poder era concentrado na aristocracia. O Rei Seong, por exemplo, fortaleceu o poder real, mas após ter sido morto em uma campanha desastrosa contra Silla, os nobres tomaram muito poder de seu filho. Os clãs Hae e Jin eram casas reais representativas que tinham poder considerável desde o início de Baekje e produziram muitas rainhas ao longo de várias gerações. O clã Hae provavelmente era a casa real antes de ser substituído pelo clã Buyeo e ambos os clãs provavelmente descendem das linhagens do Reino de Buyeo e de Koguryo. As "Oito Grandes Famílias" (Sa, Yeon, Hyeop, Hae, Jin, Guk, Mok e Baek) eram nobres poderosos no período Sabi, como foi registrado em registros chineses, tal como o Tongdian.
Baekje foi fundado por imigrantes de Goguryeo que falavam o que pode ter sido uma Língua Buyeo, um grupo hipotético que liga as línguas de Gojoseon, Buyeo, Goguryeo e Baekje. Num caso de diglossia, o povo indígena Samhan, vindos de uma onda migratória anterior da mesma região, provavelmente falavam uma variação ou dialeto da mesma língua. Artesãos de Baekje adotaram muitas influências chinesas e as sintetizaram em uma tradição artística única. Temas budistas são muito fortes na arte de Baekje. O beatífico "Sorriso de Baekje" encontrado em muitas esculturas budistas expressa a cordialidade típica da arte de Baekje. Influências taoístas também são bem difusas. Artesãos chineses foram enviados ao reino pela Dinastia Liang em 541, o que pode ter resultado no aumento da influência chinesa no período Sabi. A Tumba do Rei Muryeong (501–523), apesar de ter como modelo tumbas de tijolos chinesas e portar alguns objetos chineses, também continha muitos objetos funerários da tradição de Baekje, como ornamentos de coroa de ouro, cintos dourados e brincos de ouro. Práticas mortuárias seguiam a tradição de Baekje.
Relações com a China
Em 372, o Rei Geunchogo pagou tributo à Dinastia Jin da China, localizada na bacia do Rio Yangtzé. Após a queda de Jin e o estabelecimento da Dinastia Song em 420, Baekje enviou emissários em busca de bens culturais e tecnologia. Baekje enviou um emissário à Dinastia Uei do Norte pela primeira vez em 472, e o Rei Gaero pediu auxílio militar para atacar a Goguryeo. Os reis Muryeong e Seong enviaram emissários à Dinastia Liang várias vezes e receberam títulos de nobreza.
Relações com o Japão
Para confrontar a pressão militar de Goguryeo ao norte e de Silla ao leste, Baekje (Kudara em Japonês) estabeleceu relações próximas com o Japão. De acordo com a crônica coreana Samguk Sagi, Baekje e Silla mandaram alguns de seus príncipes à corte japonesa como reféns. Se os príncipes enviados ao Japão devem ser interpretados como diplomatas e parte de uma embaixada ou como reféns literais é debatido. Devido à confusão sobre a natureza exata desse relacionamento (a questão de saber se os coreanos de Baekje eram familiares ou pelo menos próximos da linha imperial japonesa ou se eram reféns) e o fato de o Nihon Shoki, uma fonte primária de material para essa relação, ser uma compilação de mitos, dificulta a avaliação. O Samguk Sagi, que também documenta isso, também pode ser interpretado de várias maneiras e, de qualquer forma, foi reescrito no séc. XIII, sete ou oito séculos após a ocorrência desses eventos. Acrescentando à confusão está a descoberta (no Japão) de que a "espada Inariyama, assim como algumas outras espadas descobertas no Japão, utilizavam o sistema coreano 'Idu' de escrita". As espadas "se originaram em Paekche e que os reis mencionados em suas inscrições representam reis Paekche em vez de reis japoneses". As técnicas de forja dessas espadas aparentemente eram similares aos estilos da Coreia, especificamente Baekje.
Baekje foi revivido brevemente no período dos Três Reinos Posteriores enquanto Silla Posterior caía em colapso. Em 892, o general Gyeon Hwon estabeleceu Hubaekje (“Baekje Posterior”), baseado em Wansan (atual Jeonju). Hubaekje foi derrubado em 936 pelo Rei Taejo de Goryeo. Na atual Coreia do Sul, relíquias de Baekje são normalmente símbolos de culturais locais do sudeste, especialmente em Chungcheong do Sul, Jeolla do Sul e Jeolla do Norte. O queimador de incenso em bronze dourado de Baekje, por exemplo, é um símbolo de Buyeo-do e a escultura budista de pedra de Seosan Maaesamjonbulsang é um símbolo importante da cidade de Seosan. Acredita-se que Baekje tenha introduzido o sistema de escrita man'yōgana ao Japão, do qual o Hiragana e o Katakana descendem. Tanto o Kojiki quanto o Nihon shoki afirmam isto, mas embora seja difícil encontrar evidências diretas, a maioria dos estudiosos costuma aceitar essa ideia..


