Farnabazo I
Farnabazo I, também designado como Parnavaz, Farnabaz, Parnabaz, Farnabaze, Parnabaze, Farnaoz, foi rei de Cártlia, um antigo Estado georgiano conhecido como Reino da Ibéria nas fontes clássicas. As Crônicas Georgianas creditam-no como sendo o primeiro monarca a fundar a realeza de Ibéria e a dinastia farnabázida, enquanto outra cronica indefendente, Conversão de Ibéria, faz-o o segundo monarca. Com base em evidência medieval, muitos estudiosos localizam o reinado de Farnabazo no século III a.C.: 302–237 a.C. segundo o príncipe Vacusti da Cártlia, 299–234 a.C. segundo Cyril Toumanoff e 284–219 a.C. segundo Pavle Ingorokva. A ascensão e advento de Farnabazo da monarquia ibéria esteve diretamente relacionada à vitória de Alexandre, o Grande (r. 336–323 a.C.) sobre o Império Aquemênida. Reinou sob a suserania do Império Selêucida.
Imagem: Ercwlff (talk · contribs) · BY · Openverse
Segundo as Crônicas reais georgianas, Farnabazo descendeu de Uplo, filho de Misqueto, filho de Cartlo, que era um dos poderosos e famosos irmãos, que por sua vez foram descendentes de Togarma, filho de Társis, filho de Javã, filho de Jafé, filho do Noé bíblico. Não é diretamente citado em fontes não georgianas e não há indicação coetânea definitiva que foi, de fato, o primeiro rei. Sua história está saturada com imaginário lendário e símbolos, e parece factível que, como a memória dos fatos esmoreceu, o indivíduo real "acumulou uma fachada lendária" e emergiu como o modelo de monarca pré-cristão nos anais georgianos. Segundo o crônica de ca. 800 chamada A vida de Reis, teve uma genealogia distinta, remontando a Cartlo, o etnarca mítico de Ibéria. Seu tio paterno, Samara, manteve a posição de mamasaquelisi ("pai da casa") das tribos georgianas em torno de Misqueta. A sua mãe é alegadamente uma mulher persa de Ispaã, a quem o príncipe Teimuraz e o patriarca Antão I identificam como filha do xainxá aquemênida Dario III (r. 336–330 a.C.). A história toda de Farnabazo, embora escrita por um cronista grego, abunda em imaginário e alusões míticas iraniano antigas, um reflexo dos arqueologicamente confirmados laços cultural e presumivelmente político entre Irã e Ibéria daquele tempo. Seu nome é também um exemplo ilustrativo com sua raiz par- se baseando no persa farnah, o esplendor divino acreditado pelos antigos iranianos como marca da dinastia legítima (cf. khvarenah). A etiqueta dinástica Parnavaziani ("de / a partir do / nomeado por Farnabazo") que as primeiras histórias armênias (cf. Fausto, o Bizantino, V.15) preservaram como Parnavaziano (em armênio: Պ՚առնաւազեան; romaniz.: P'arnawazyan; junção de Parnavaz + sufixo patronímico -yan) é um reconhecimento de que um rei chamado Farnabazo foi entendido como tendo sido fundador de uma dinastia georgiana. É também mencionado na Estela de Serapitis.
Na batalha que se seguiu, Azão foi derrotado e morto, e Farnabazo se tornou rei com a idade de 27 anos. Teria reconhecido a suserania do Império Selêucida, o sucessor helenístico de Alexandre no Oriente Médio, cujos dinastas receberam nas crônicas georgianas o nome genérico de Antíoco: Diz-se que Farnabazo também padronizou sua administração em um modelo "iraniano": Farnabazo introduziu uma organização militar-administrativa baseada numa rede de governadores regionais (eristavis). A insígnia deles, recebida do rei, constituía cetro, anel sinete especial, cinto e armamento. O país tinha sete deles: Cólquida, Caquécia, Cunani (atual norte do Azerbaijão), Sanxevilde (Baixa Ibéria), Tsunda (Javaquécia, Cola e Atona), Ozerque e Clarjécia. O reino tinha um espaspete que estava sob o controle direto do poder real baseado na Baixa Ibéria. Os eristavis imitaram aspectos das satrapias aquemênidas e dos estrategos selêucidas. O principal motivo do historiador das crônicas foi convencer a posteridade de que a estrutura política básica da Ibéria foi criada pelo primeiro rei na esteira das Guerras de Alexandre; era um sistema administrativo aquemênida e ficou estável nos tempos helenístico, parta e sassânida. Desta forma, a viabilidade a longo prazo e estabilidade do reino georgiano são estabelecidas.
Vários estudiosos modernos foram tentados a fazer a identificação entre o Farbanazo da tradição medieval georgiana e o Farasmanes do historiador greco-romano Arriano, o autor da Anábase de Alexandre no século II. Arriano conta que "Farasmanes (Фαρασμάνης), rei dos corásmios", visitou Alexandre, o Grande com 1 500 cavaleiros, e prometeu seu apoio caso Alexandre desejasse fazer campanha para as terras euxinas e subjugar os colcos, a quem Farasmanes chama de seus vizinhos. Além da semelhança dos nomes de Farasmanes e Farnabazo (ambos os nomes são aparentemente baseados na mesma raiz, a farnah iraniana), o rei da Corásmia na Ásia Central relata Cólquida (atual Geórgia ocidental, ou seja, o vizinho ocidental da antiga Ibéria) ser um país vizinho. Alguns estudiosos georgianos sugeriram que os copistas gregos de Arriano podem ter confundido Corásmia com Colarzena (Corzena), uma tradução clássica das terras montanhosas georgianas do sudoeste (o Tao-Clarjécia medieval), que de fato fazia fronteira com Cólquida e Ponto.
A dinastia Bagrationi reivindicou descendência direta de Farnabazo. Durante a continuidade da monarquia na Geórgia, os reis georgianos se apresentaram como herdeiros do Reino da Ibéria fundado por ele.


