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Axiologia

Axiologia é o estudo filosófico de valores. Inclui perguntas sobre a natureza e classificação de valores e sobre que tipos de coisas têm valor. Está intimamente ligada a vários outros campos filosóficos que dependem crucialmente da noção de valor, como a ética, a estética ou a filosofia da religião. Também está estreitamente relacionada à teoria do valor e à metaética. O termo foi usado pela primeira vez por Eduard von Hartman, em 1887, e Paul Lapie n, em 1908. Como descreveram Max Scheler e Heinrich Rickert, na Alemanha, e Ruyer e R. Polin, na França, a axiologia tenta estabelecer uma hierarquia de valores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Valor intrínseco

Imagem: FeriaRicardoPalma · BY · Openverse

Tradicionalmente, os filósofos sustentavam que uma entidade tem valor intrínseco se é boa em si mesma ou por si mesma. O valor intrínseco é contrastado com o valor extrínseco ou instrumental, que é atribuído a coisas que são valiosas apenas como um meio para outra coisa. Por exemplo, ferramentas como carros ou micro-ondas são consideradas extrinsecamente valiosas em virtude da função que desempenham, enquanto o bem-estar que causam é intrinsecamente valioso, segundo o hedonismo. A mesma entidade pode ser valiosa de diferentes maneiras: algumas entidades têm valores intrínsecos e extrínsecos ao mesmo tempo. Os valores extrínsecos podem formar cadeias, nas quais uma entidade é extrinsecamente valiosa porque é um meio para outra entidade que, por sua vez, é extrinsecamente valiosa. É comumente considerado que essas cadeias devem terminar em algum lugar e que o ponto final só pode ser intrinsecamente valioso. A distinção entre valores intrínsecos e extrínsecos é importante para a compreensão de várias discordâncias dentro da axiologia. Diferentes teorias substantivas de valor frequentemente concordam se algo, por exemplo, o conhecimento, é valioso, enquanto discordam se o valor em questão é intrínseco ou extrínseco.

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Estado ontológico dos valores

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Na axiologia, muitas vezes é importante distinguir entre a entidade que é valiosa e as características em virtude das quais ela é valiosa. Por exemplo, pode-se dizer que uma experiência é valiosa em virtude de ser prazerosa. Esta distinção é particularmente relevante para os valores intrínsecos, pois é comumente sustentado que o valor intrínseco de uma entidade supervem a suas características intrínsecas. Isso significa que a entidade não poderia ter um valor intrínseco diferente a menos que tivesse características intrínsecas diferentes. As teorias substantivas de valor enfocam as características em virtude das quais algo tem valor intrínseco. Os candidatos populares para essas características incluem prazer, virtude e conhecimento. Outra questão diz respeito à natureza das entidades que são os portadores de valor. As principais abordagens para esta questão podem ser divididas na tradição kantiana, que considera coisas concretas, por exemplo pessoas, como portadores de valor, e na tradição mooriana, que sustenta que apenas os estados de coisas têm valor. Esta diferença é importante para determinar se um valor é extrínseco ou intrínseco a uma entidade. Alguns filósofos sustentam que objetos como o chapéu de Napoleão são valiosos por causa de sua relação com pessoas extraordinárias. De uma perspectiva kantiana, esse valor deve ser extrínseco, pois se baseia na propriedade extrínseca de ter sido usado por uma pessoa extraordinária. Mas, de uma perspectiva mooriana, pode ser intrínseco, pois não é portado pelo chapéu, mas por um estado de coisas que envolve tanto o chapéu quanto Napoleão.

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Monismo e pluralismo

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Teorias substantivas de valor tentam determinar quais entidades têm valor intrínseco. Uma disputa tradicional neste campo é entre as teorias monistas e as teorias pluralistas. As teorias monistas sustentam que há apenas um tipo de valor intrínseco. O exemplo paradigmático das teorias monistas é o hedonismo, a tese de que apenas o prazer tem valor intrínseco. As teorias pluralistas, por outro lado, afirmam que existem vários tipos diferentes de valor intrínseco. W. D. Ross, por exemplo, sustenta que o prazer é apenas um tipo de valor intrínseco além de outros tipos, como o conhecimento. É importante ter em mente que esta discordância diz respeito apenas ao valor intrínseco, não ao valor em geral. Portanto, os hedonistas podem se sentir livre para admitir que o conhecimento é valioso, mas apenas de maneira extrínseca, pois o conhecimento pode ser útil para causar prazer e evitar dor. Vários argumentos foram sugeridos na disputa monista-pluralista. O senso comum parece favorecer o pluralismo de valor: os valores são atribuídos a uma ampla gama de coisas diferentes como felicidade, liberdade, amizade, etc., sem qualquer característica comum óbvia subjacente a esses valores. Uma maneira de defender o monismo de valor é lançar dúvidas sobre a confiabilidade do senso comum para questões técnicas como a distinção entre valor intrínseco e extrínseco. Esta estratégia é seguida por J. J. C. Smart, que sustenta que há um viés psicológico para confundir valores extrínsecos estáveis com valores intrínsecos. Os pluralistas de valor frequentemente tentam fornecer listas exaustivas de todos os tipos de valor, mas diferentes teóricos sugeriram listas muito diferentes. Essas listas parecem constituir seleções arbitrárias, a menos que um critério claro possa ser fornecido para explicar por que todos e apenas esses itens estão incluídos. Mas se um critério fosse encontrado, então tal teoria deixaria de ser pluralista. Este dilema sugere que o pluralismo é inadequado como explicação.

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Outros conceitos e distinções

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Muitos termos avaliativos são encontrados na linguagem cotidiana, frequentemente com vários significados diferentes. Para os filósofos, é importante distinguir esses diferentes significados para evitar mal-entendidos. Uma dessas distinções é entre um sentido predicativo e um sentido atributivo de bom e mau. No sentido atributivo, uma entidade é boa em relação a um determinado tipo. Por exemplo, uma pessoa com uma voz clara pode ser um cantor bom ou uma faca com uma lâmina cega é uma faca má. Mas isso ainda deixa em aberto se a entidade em questão é boa ou má em um sentido incondicional ou predicativo. Por exemplo, uma pessoa pode ser um mau assassino, mas ser mau como assassino não é mau em um sentido predicativo. Axiologia está geralmente interessada no sentido predicativo de bondade. Mas alguns filósofos negam que tal sentido exista e, portanto, sustentam que todo valor é relativo a um tipo.

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História

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A axiologia tem início só no século XIX. quando o termo, originário do âmbito econômico, foi estendido, sobretudo graças a Windelband, a outros âmbitos da vida humana. Os neokantinos do século XIX praticamente inventaram a reflexão axiológica, podemos destacar aqui os mais importantes: Hermann Lotze, Albrecht Ritschl, Wilhelm Windelband, Heinrich Rickert, Hugo Münsterberg, Alexius Meinong, Christian von Ehrenfelds, Max Scheler Nicolai Hartmann, Louis Lavelle e René Le Senne por exemplo. Uma boa síntese das diferentes escolas de axiologia neokantiana encontra-se na obra Introdução à filosofia, de Windelband. Lotze introduziu o tema dos valores em seu livro Mikrokosmos, no qual defende a diferença entre "ser" e "valor", o "mundo dos valores" é distinto do "mundo dos entes". Ritschl introduziu na axiologia a distinção entre "juízos de valor" e"juízos de fato". A axiologia de Rickert era chamada de logicista ou de logicismo axiológico, porque para ele valor significaria "validade lógica", como isso ele pretendia dar objetividade à axiologia, retirando-a do subjetivismo.

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