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Atrofia muscular

Atrofia muscular é a perda de massa musculoesquelética. Pode ser causada por desuso, envelhecimento, inanição, medicamentos ou por uma ampla variedade de lesões ou doenças que afetam o sistema nervoso e musculoesquelético. A atrofia muscular leva à fraqueza muscular e causa incapacidade física.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Sinais e sintomas

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

O sinal característico da atrofia muscular é a perda de massa muscular magra. Essa alteração pode ser difícil de detectar devido à obesidade, alterações na massa gorda ou edemas. Alterações no peso, membros ou na circunferência da cintura não são indicadores confiáveis de mudanças na massa muscular quando analisados isoladamente. O sintoma predominante é o aumento da fraqueza, que pode resultar em dificuldade ou incapacidade de realizar tarefas físicas, dependendo dos músculos afetados. A atrofia dos músculos centrais ou das pernas pode causar dificuldade na realização dos movimentos de sentar e levantar, andar, subir e descer escadas e pode elevar o risco de lesão por quedas acidentais. A atrofia dos músculos da garganta pode causar dificuldade para engolir, enquanto a atrofia do diafragma pode causar dificuldade para respirar. Pessoas com atrofia muscular podem ser assintomáticas e, por isso, é possível que a condição não seja detectada até uma quantidade significativa de massa muscular ter sido perdida.

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Causas

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O sistema musculoesquelético é um local de armazenamento de aminoácidos que são usados para a produção de energia quando as demandas são altas ou os suprimentos baixos. Se as demandas metabólicas permanecerem maiores do que a síntese de proteínas, o desequilíbrio proteico provoca perda de massa muscular. Várias doenças e condições subjacentes podem levar a esse desequilíbrio, seja por meio da própria doença ou de alterações associadas a doenças, como no apetite e em outras atividades associadas a funções do metabolismo. As causas da atrofia muscular incluem desuso, envelhecimento, desnutrição, algumas doenças sistêmicas como câncer, insuficiência cardíaca congestiva, doença pulmonar obstrutiva crônica, síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), doenças hepáticas, entre outras, denervação, doenças que atingem a musculatura intrínseca ou, ainda, atrofias induzidas por medicamentos, como glicocorticoides.

Desuso

O desuso ou imobilidade é uma causa comum de atrofia muscular e pode ser local (devido a lesão ou engessamento de fratura óssea) ou geral (em casos de repouso em leito). A taxa de perda da massa muscular em atrofia por desuso (10-42 dias) é de aproximadamente 0,5–0,6% da massa muscular total por dia, embora haja uma variação considerável entre as pessoas. Os idosos são o grupo populacional mais vulnerável a perdas musculares drásticas devido a desuso. Muitas pesquisas clínicas estudaram o desuso prolongado (superior a 10 dias), no qual o músculo é comprometido principalmente por declínios nas taxas de síntese de proteína muscular, em vez de mudanças na degradação proteica. Evidências limitadas sugerem que a degradação de proteínas pode desempenhar um papel mais significativo durante a imobilidade de curto prazo (inferior a 10 dias).

Caquexia

Algumas doenças podem causar a síndrome de perda muscular complexa, mais conhecida como caquexia. É comumente observada em pessoas com câncer, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e AIDS, embora esteja associada a processos de várias doenças, geralmente ligados a um componente inflamatório significativo. A caquexia causa perda muscular contínua que não pode ser totalmente revertida com terapia nutricional. A fisiopatologia não é completamente compreendida, mas as citocinas inflamatórias são consideradas como fundamentais no processo de atrofiamento. Em contraste com a perda de peso por ingestão calórica proveniente de dieta nutricional inadequada, a caquexia causa predominantemente perda de músculo em vez de perda de gordura e não responde adequadamente à intervenção nutricional. A caquexia pode comprometer significativamente a qualidade de vida e o estado funcional dos membros e está associada a resultados clínicos pouco favoráveis.

Sarcopenia

A sarcopenia é a perda degenerativa de massa, qualidade e força do sistema musculoesquelético e está associada ao envelhecimento. Ela acarreta atrofia muscular, redução no número de fibras musculares e uma mudança para contração lenta (CL) ou fibras do tipo I em vez de fibras do tipo II ou contração rápida (CR). A taxa de perda muscular depende de fatores,como nível de atividade física, comorbidades, nutrição, entre outros. Existem muitos mecanismos de perda muscular propostos para a sarcopenia, e esta é considerada resultado de mudanças nas vias de sinalização da síntese muscular e de falhas graduais nas células satélites que desempenham um papel essencial na regeneração das fibras musculares esqueléticas, mas seu mecanismo não é compreendido por completo.

Doenças neuromusculares

Doenças neuromusculares (DNM), como distrofia muscular, esclerose lateral amiotrófica (ELA); ou miosites, como a miosite por corpúsculos de inclusão, podem causar atrofia muscular.

Danos do sistema nervoso central

Danos aos neurônios ou na medula espinhal podem causar atrofia muscular. Esta pode ser uma atrofia muscular localizada, fraqueza ou paralisia como decorrentes de acidente vascular cerebral ou de lesão da medula espinhal. Danos mais generalizados, como traumatismo cranioencefálico ou paralisia cerebral, podem causar atrofia muscular também generalizada.

Danos do sistema nervoso periférico

Lesões ou doenças de nervos periféricos que irrigam músculos específicos também podem causar atrofia muscular. Isso é visto na lesão do nervo devido a trauma ou complicação cirúrgica, compressão do nervo ou doenças hereditárias, como a doença de Charcot-Marie-Tooth.

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Fisiopatologia

A atrofia muscular ocorre devido a um desequilíbrio entre as taxas normais de síntese e degradação de proteínas. Isso envolve o processo de sinalização celular, que não é compreendido completamente, de modo que a atrofia muscular provavelmente resulta de várias condições subjacentes. A função mitocondrial é crucial para a saúde do músculo esquelético, por isso disfunções no nível mitocondrial podem contribuir para a atrofia muscular. Um declínio na densidade do nível de mitocrôdia, bem como em sua qualidade, é comumente encontrado em casos de atrofia muscular decorrentes de desuso. A via das proteases dependentes de trifosfato de adenosina (ATP) ubiquitina/proteassoma são um dos mecanismos através responsáveis pela degradação das proteínas nos músculos. Esse processo envolve proteínas específicas que são marcadas pela ubiquitina para degradação, processo que permite que o proteassoma reconheça quais proteínas deve degradar.

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Diagnóstico

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O rastreamento de atrofia muscular é limitado pela falta de critérios diagnósticos estabelecidos, embora muitos tenham sido propostos. Os critérios de diagnóstico para outras condições, como sarcopenia ou caquexia, podem ser usados. Essas síndromes também podem ser identificadas com questionários de triagem. A massa muscular e as alterações musculoesqueléticas podem ser quantificadas em estudos de imagem, como tomografias computadorizadas ou ressonância magnética (MRI). Biomarcadores, como os níveis de ureia na urina, podem ser usados para estimar a perda muscular em casos de perda muscular rápida. Outros biomarcadores estão sob investigação, mas não são usados na prática clínica atualmente.

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Tratamento

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A atrofia muscular pode ser desacelerada, prevenida e às vezes revertida através de tratamento adequado. Opções de tratamento incluem o impacto sobre as vias de sinalização celular que induzem a hipertrofia ou retardam a degradação muscular, bem como a otimização da nutrição. A atividade física fornece um estímulo muscular anabólico significativo e é um componente essencial para desacelerar ou reverter a atrofia muscular, mas o nível adequado de exercícios depende do caso e ainda é objeto de discussão. Os exercícios de resistência física demonstraram-se benéficos na redução da atrofia muscular em adultos. Em pacientes que não podem se exercitar devido a limitações físicas, como paraplegia, a estimulação elétrica funcional (FES) pode ser usada para estimular externamente os músculos. A ingestão adequada de calorias e proteínas é fundamental para prevenir a atrofia muscular. As necessidades de proteína variam significativamente entre as pessoas, dependendo de fatores metabólicos e do estado da atrofia, portanto os suplementos proteicos podem ser benéficos em alguns casos. A suplementação de proteínas ou aminoácidos ramificados, especialmente leucina, ajudam no estímulo da síntese muscular e inibição da degradação de proteínas, sendo estudada como possível tratamento adjuvante em casos de atrofia muscular, especialmente sarcopenia e caquexia.

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Resultados clínicos

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Os resultados da atrofia muscular dependem da causa subjacente, da saúde do paciente e do tipo e estágio da atrofia muscular. O desuso/imobilidade ou repouso em leito em populações predispostas à atrofia muscular, como idosos ou em pessoas com doenças em estágios que comumente causam caquexia, podem causar atrofia muscular drástica e impactar as capacidades funcionais. Em idosos, o desuso geralmente leva à diminuição da reserva biológica de massa muscular e ao aumento da vulnerabilidade a estressores, processo conhecido como síndrome da fragilidade. A perda de massa corporal magra também está associada ao aumento do risco de infecção, diminuição da imunidade e má cicatrização de feridas. A fraqueza que acompanha a atrofia muscular leva a um maior risco de quedas, fraturas, deficiência física, necessidade de cuidados institucionais, redução da qualidade de vida, aumento da mortalidade e aumento dos custos de saúde.

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Em outros animais

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O desuso/imobilidade e a fome em mamíferos levam à atrofia do sistema musculoesquelético, acompanhada por diminuição de número e tamanho das células musculares, bem como em menor teor de proteína. Em humanos, períodos prolongados de imobilização/desuso, como nos casos de repouso em leio ou em astronautas durante voos espaciais, estão associados enfraquecimento e atrofia muscular. Essas consequências também são observadas em mamíferos pequenos em estágio de hibernação, como os esquilos-terrestres-de-capa-dourada (Callospermophilus lateralis) e os morcegos marrons (Eptesicus furinalis). Os ursos são uma exceção ao processo de atrofia durante hibernação; espécies da família Ursidae são conhecidas por sua capacidade de sobreviver a condições ambientais desfavoráveis de temperaturas extremamente baixas e disponibilidade limitada de nutrientes durante o inverno por meio da hibernação. Durante esse período, os ursos passam por uma série de mudanças fisiológicas, morfológicas e comportamentais. A capacidade dos ursos de preservar o nível de proteínas e o tamanho do sistema musculoesquelético durante o desuso é de importância significativa para sua sobrevivência.

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