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Astros II

O Astros II é um sistema de lançadores múltiplos de foguetes fabricado pela empresa brasileira Avibras. É capaz de lançar munições de diferentes calibres a distâncias entre 9 e 300 km, bastando trocar os casulos de onde se disparam os foguetes. É empregado para abater alvos de grande importância, além de alvos estratégicos. Pode ser empregado em defesa de solo, bem como na defesa do litoral, particularmente em operações contra desembarque anfíbio.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Desenvolvimento

A primeira versão do Astros II foi montada sobre um chassi de caminhão Mercedes-Benz 6x2 L-2013, nacional, onde após sofrer algumas modificações e receber uma cabine blindada foi oficialmente apresentado em 1982 com a designação de Astros II T-O, carinhosamente apelidado pela Avibras de "Brucutu", em razão de sua estranha aparência. Após os primeiros testes, viu-se que era necessário um veículo com tração 6x6. Pensou-se em um modelo da Engesa, mas problemas entre as empresas impediram tal realização e, assim, decidiu-se importar da Alemanha um chassi de caminhão Mercedes-Benz 2028-A 6x6, para ser modificado pela TECTRAN S/A. Outro ponto importante foi melhorar a cabine blindada, dando-lhe uma forma maior e mais robusta. Para isso os técnicos da empresa se basearam na carreta blindada americana M26 Pershing da Segunda Guerra Mundial, desenvolvida para resgatar carros de combate avariados na frente de batalha. Após estudarem um único exemplar existente no país, que se encontrava como peça histórica na Escola de Material Bélico (EsMB), no Rio de Janeiro, e com modificações excessivas, puderam enfim criar a nova configuração do veículo plataforma padrão para as diversas versões que se produziram e ainda são produzidas na atualidade.

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Uso no Exército Brasileiro

O Exército Brasileiro adquiriu sua primeira unidade de Astros II no início dos anos 1990 e, até a unificação das unidades no 6º Grupo de Lançadores Móveis de Foguetes em Formosa, Goiás, possuía cinco baterias, sendo três de artilharia de costa e duas de artilharia de campanha, que estavam assim distribuídas: 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizada (6º GACosM), em Praia Grande, São Paulo; 8º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, em Niterói, Rio de Janeiro; 1º/10º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, em Macaé, Rio de Janeiro; 1ª Bateria de Lançadores Múltiplos de Foguetes (1ª Bia LMF), em Brasília; e 3ª Bateria de Lançadores Múltiplos de Foguetes, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Tudo isso totalizava 20 veículos LMU, 10 RMD, 2 PCC, 2 UCF, 2 OFV e 2 MET.

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Conflitos

Guerra Irã-Iraque

O Astros foi entregue ao Iraque de Saddam Hussein para a Guerra contra o Irã, a tempo de ser empregado contra a ofensiva iraniana na Península de Al-Faw, ao sul do país.

Guerra do Golfo

O maior reconhecimento das capacidades do sistema Astros talvez tenha sido feito pelas forças estadunidenses quando da Guerra do Golfo de 1991. Nessa altura, quando se tentava encontrar as posições dos tanques e carros de combate do Iraque, foi considerada da maior importância, para os militares estadunidenses, ter a garantia de que o Iraque não poderia utilizar os seus 66 Astros contra as forças da coalizão ou que a sua capacidade para os utilizar estava muito debilitada. Já na época, os veículos estavam em condição precária de operação. Esta atuação por parte dos estadunidenses foi um reconhecimento da capacidade e letalidade do sistema que, podendo ser utilizado, poderia com o seu alcance e capacidade destrutiva, alvejar as grandes unidades que se preparavam para a operação Tempestade no Deserto. Essa operação só teve o seu início quando os comandos estadunidenses receberam confirmação da Força Aérea de que os Astros e Scud iraquianos haviam sido inutilizados.

Guerra Civil Angolana

Durante a Guerra Civil Angolana, o sistema Astros ajudou Angola a derrotar as forças rebeldes da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita).

Guerra Civil Iemenita

Em 27 de outubro de 2015, durante a Guerra Civil Iemenita, pelo menos quatro pessoas foram feridas e várias submunições permaneceram não detonadas em um ataque das forças da Arábia Saudita à Ahma, em Saada, usando foguetes de fragmentação (cluster) disparados pelo Astros II. O objetivo militar conhecido mais próximo, no entanto, estaria a 10 km dali. Foram encontradas três submunições não detonadas, estando uma próxima de uma fazenda, uma próxima de um jardim e a outra perto de uma mesquita. Em 6 de dezembro de 2016, as forças sauditas lançaram um ataque ao bairro de al-Dhubat, também na cidade de Saada, às 20 h. O ataque ocorreu perto de duas escolas, próximas a Babe Najrã, reduto da milícia Houthi iemenita. O diretor de uma escola instruiu os alunos a não retornarem no dia seguinte, uma vez que as escolas tinham que ser vasculhadas para detectar restos explosivos, incluindo submunições não detonadas.

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Variantes

Astros II MK-3

Versão do Astros II desenvolvida por volta de 1990. Foi a primeira versão a entrar em uso pelo Exército Brasileiro. O Astros II MK-3 dispõe do sistema de controle de tiro Field Guard de origem suíça e fabricação nacional. Esse sistema analisa a trajetória de um foguete de teste que explode no ar, longe do alvo, para não alertar o inimigo e calcula automaticamente a posição dos lançadores.

Astros II MK-3M

Versão do Astros II MK-3 modernizada, que poderá lançar o foguete guiado AV-SS-40G e o míssil AV-TM-300 com algumas modificações, como a modernização do sistema de Direção de Tiro e Sistemas de Dados Meteorológicos e transmissão de dados via satélite. Para o lançamento do AV-TM-300, inclui também uma estação de planejamento de tiro.

Sajil-60

Variante do Astros II, fabricada nacionalmente no Iraque.

Astros II MK-6

O Astros II MK-6 é um sistema desenvolvido pela empresa AVIBRÁS e é utilizado pelas Unidades Operacionais do Comando de Artilharia do Exército e pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. O Sistema (Bateria) compõe-se de 12 viaturas, sendo seis LMU (Lançadora múltipla universal), três RMD (Remuniciadora), uma MET (Meteorológica), uma PCC (Posto de comando e controle) e uma OFVE (Oficina de manutenção veicular e eletrônica). Todas trabalham em conjunto via datalink, que compartilha em tempo real mensagens de texto, voz e informações referentes ao tiro a ser executado. Montado sobre chassis Tatra T 815-7 6×6 e 4×4, o Astros II MK-6 possui alta capacidade de manobra e de transposição de terrenos difíceis, podendo atingir até 110 km/h em estradas pavimentadas. Graças aos 402 cv do motor Tatra T3C-928-90 Euro 3 na versão 6×6 e 320 cv com o motor Tatra T3C-928-A0 na versão 4×4, o veículo pode usar grandes potência e tração. Futuramente, poderá ser modificado para adotar um chassi Rheinmetall Man Military Vehicles (RMMV). Todas as viaturas utilizam grandes pneus Michelin 1400R20 XZL, robustos e específicos para uso em veículos militares grandes para todo tipo de terreno.

Astros Antiaéreo

A empresa europeia MBDA Systems planeja, ao lado da Avibras, desenvolver um sistema de artilharia antiaérea de média altura que use a base do Astros II MK-6 e um míssil fabricado por Avibras e MBDA, baseado no CAMM britânico (cuja variante brasileira é chamada inicialmente de AV-MMA, de sigla que significa Míssil média altura). O CAMM oferece proteção completa contra todos os alvos aéreos conhecidos ou previstos. O lançamento é vertical. O sistema seria usado em conjunto com o radar Saber M200 e o Comando e controle Astros, tendo 70% de conteúdo nacional.

Astros III

O projeto Astros III, que se encontra paralisado desde 1999 por questões financeiras, utiliza como plataforma um chassi alemão Mercedes-Benz Actros 8x8 e poderá vir a ter uma nova geração de munições e submunições, com maior alcance. Embora pelo seu tamanho perca a capacidade de ser aerotransportado, poderá ter outros ganhos, como mobilidade e poder de fogo.

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Fontes consultadas

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