As Mil e Uma Noites
As Mil e Uma Noites, também conhecida como "Mil noites e uma noite", é uma renomada coleção de contos populares do Oriente Médio e do sul da Ásia. Compilada em árabe a partir do século IX, a obra alcançou grande reconhecimento no Ocidente após a tradução francesa de Antoine Galland em 1704, consolidando-se como um clássico da literatura mundial.
Pontos-chave
- A obra é uma coleção de histórias e contos populares do Oriente Médio e sul da Ásia.
- Foi compilada em árabe a partir do século IX e se tornou um clássico global após a tradução francesa de 1704.
- A trama central envolve o rei Xariar, que, após ser traído, casa-se com uma mulher diferente a cada noite e a executa na manhã seguinte.
- Xerazade, filha do vizir, utiliza sua habilidade de contar histórias para adiar sua execução e cativar o rei.
- Não há uma edição oficial única; a obra é uma coletânea heterogênea de histórias de diversas origens.
A narrativa central gira em torno do rei persa Xariar, que, após descobrir a infidelidade de sua esposa, torna-se profundamente desiludido com as mulheres. Convencido de que nenhuma é digna de confiança, ele decide casar-se com uma mulher diferente a cada noite e executá-la na manhã seguinte, para nunca mais ser traído. Após três anos de inúmeros sacrifícios, a filha do vizir, Xerazade, oferece-se como noiva. Ela planeja um engenhoso estratagema para escapar do destino das outras moças, pedindo à sua irmã, Duniazade, que a chame à presença do rei em seu palácio no momento certo.
A menção mais antiga de As Mil e Uma Noites remonta a um fragmento de manuscrito árabe do início do século IX. O historiador Almaçudi (888-957) descreve uma coleção de contos fantasiosos traduzidos do persa, sânscrito e grego, incluindo o persa Hazār afsāna ('Mil histórias'). Segundo ele, a coleção era conhecida em árabe como 'As mil noites e uma noite' e narrava a história de 'um rei, seu vizir, sua filha Xerazade e sua escrava, Duniazade'. O bibliógrafo ibne Anadim (m. 995 ou 998) corrobora essa tradução do persa para o árabe em sua obra Fehrest, indicando que o livro possuía menos de 200 contos, pois cada um se estendia por mais de uma noite.
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A primeira versão árabe de As Mil e Uma Noites, do século IX ou anterior, foi uma tradução da obra persa Hazār afsāna, hoje perdida. Pouco se sabe dos contos originais, pois os manuscritos mais antigos existentes datam do século XV. A obra ganhou notoriedade na Europa com a tradução francesa de Antoine Galland (1645-1715), publicada entre 1704 e 1717. Galland utilizou um manuscrito sírio em três volumes, que terminava na noite 282, e complementou sua obra com outros textos árabes, incluindo manuscritos egípcios perdidos e histórias como 'Príncipe Camaralzaman e a Princesa Budura' e 'O Conto de Ganim'. Ele também incorporou contos que não faziam parte dos manususritos originais, como 'Simbad o marujo' (de um manuscrito avulso) e 'Aladim e a Lâmpada Maravilhosa' e 'Ali Babá e os Quarenta Ladrões', narrados por Hanna Diab. Essas histórias adicionadas por Galland tornaram-se imensamente populares e foram posteriormente incluídas em manuscritos árabes e traduções europeias.
Imagem: Patrícia Cabral. · BY · Openverse
Não existe uma edição oficial ou um texto padrão de As Mil e Uma Noites. Originalmente, o título era simbólico, significando uma 'sucessão interminável de noites com longas histórias'. Somente no século XVIII, o ramo egípcio tentou completar literalmente as 1001 noites, resultando em uma 'grande, heterogênea e indiscriminada coletânea de histórias por diferentes mãos e de diferentes fontes'. Desde a tradução inglesa de John Payne, estudiosos buscam o 'núcleo original ou corpo primitivo de histórias'. Atualmente, acredita-se que a obra deriva de uma 'versão original' perdida da segunda metade do século XIII, com elementos como a divisão em noites e a história-moldura de matriz persa. O manuscrito que mais se aproxima dessa versão original é o que pertenceu a Galland, hoje na Biblioteca Nacional da França. As histórias desse manuscrito mais antigo se repetem nos outros três manuscritos do ramo sírio. Assim, apesar das dimensões das edições 'completas', existe um núcleo comum de onze histórias do ramo sírio, posteriormente incorporadas ao ramo egípcio.


