Alepo
Alepo é uma cidade no norte da Síria, sendo a segunda maior cidade do país, capital da província homônima. A província se estende em torno da cidade, cobrindo uma área de 18 482 quilômetros quadrados, e abrangendo uma população de mais de 4,6 milhões habitantes, o que faz dele a maior província da Síria em termos de população. Alepo é uma das cidades mais antigas do mundo, tendo sido habitada desde 5 000 a.C., o que é evidenciado pelos edifícios residenciais descobertos em Tell Qaramel. Ocupa uma posição comercial estratégica entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, e foi construída inicialmente sobre um pequeno grupo de morros que cerca um monte onde o castelo da cidade foi construído. O pequeno rio Queique (قويق) cruza a cidade.
Alepo foi conhecida na Antiguidade como Khalpe, Khalibon, e, para os antigos gregos, como Beroea. Durante as Cruzadas, e novamente durante o mandato francês, o nome Alep foi utilizado: "Aleppo" seria a versão italianizada do nome. O antigo nome, Halab, no entanto, tem origem obscura. Já se foi proposto que significaria "ferro" ou "cobre" na língua amorita, já que a região foi uma importante fonte destes metais em tempos antigos. Halaba significa "branco" em aramaico, e poderia referir-se à cor do solo e do mármore abundante no local. Outra etimologia proposta é a de que o nome Halab significa "dar leite", e viria da antiga tradição na qual Abraão teria dado leite aos viajantes que passavam pela região. A cor de suas vacas era acinzentada (em árabe shaheb), e portanto a cidade também é chamada de "Halab ash-Shahba'" ("ele tirou leite da acinzentada").
O fato da cidade moderna ocupar o local da antiga fez com que Alepo tenha permanecido praticamente intocada pelos arqueólogos até os dias de hoje. O sítio foi ocupado desde por volta do ano 5 000 a.C., como mostram escavações em Tallet Alsauda, e cresceu como capital do reino de Iamade até que a dinastia amorita no poder fosse derrubada, por volta de 1 600 a.C.. A cidade permaneceu então sob controle hitita até por volta de 800 a.C., quando passou para as mãos dos assírios e, em seguida, para o Império Aquemênida. Alexandre, o Grande conquistou a cidade em 333 a.C., quando Seleuco Nicátor mudou o seu nome para Beroia, em homenagem à cidade homônima na Macedônia. Alepo permaneceu sob controle grego por 300 anos antes de passar a ser governada pelo pelos romanos, quando estes conquistaram a Síria em 64 a.C. A cidade permaneceu parte do Império Romano Oriental antes de ser conquistada pelos árabes, liderados por Calide ibne Ualide, em 637. Em 944 tornou-se o centro de um emirado (o Emirado de Alepo) independente, sob a liderança do príncipe hamadânida Ceife Adaulá, e viveu um período de grande prosperidade, e foi o lar do grande poeta Almotanabi e do filósofo e polímata Alfarábi. Em 962 foi saqueada por um Império Bizantino que ressurgia; forças bizantinas a ocuparam brevemente, de 974 a 987. A cidade e o emirado tornaram-se vassalos imperiais de 969 até as Guerras Bizantino-Seljúcidas. Foi sitiada duas vezes pelos cruzados - em 1098 e em 1124 - porém nunca chegou a ser conquistada.
Guerra Civil
No começo de 2011, a Síria foi tomada por uma onda de protestos e violência que visava derrubar o ditador Bashar al-Assad do poder. Como resultado, o país foi engolido em uma brutal guerra civil, que deixou milhares de mortos. Não demorou muito e os combates entre a oposição síria, grupos jihadistas e o governo sírio eclodiram em Alepo, a mais importante cidade do país. Inicialmente, em meados de 2012, os rebeldes foram bem sucedidos em tomar várias porções de Alepo, especialmente no leste, mas o regime Assad contra-atacou. O que se seguiu foram quase quatro anos de uma guerra de atrito pelo controle da cidade mais importante, comercialmente falando, da Síria. Nenhum lado parecia capaz de dar um golpe decisivo no outro, enquanto milhares de civis deixavam suas casas. A situação humanitária na região foi descrita como "catastrófica". Contudo, no começo de 2016, as tropas do exército sírio leais aos Assad começaram a ganhar terreno, principalmente devido ao grande apoio (econômico e militar) vindo da Rússia. Em junho, as forças do regime e seus aliados lançaram uma grande ofensiva e em dezembro de 2016 já haviam retomado praticamente toda a cidade de Alepo. A região ficou em ruínas, com mais de 100 mil pessoas morrendo, mas a vitória do governo sírio foi descrito como "decisiva" naquela fase do conflito. Atualmente, Alepo é uma sombra da vibrante cidade comercial que outrora foi, com sua população pré-guerra sendo reduzida a bem menos da metade e seus principais centros urbanos estraçalhados por anos de violentos combates.


