Arnulfo de Métis
Arnulfo de Métis ou Metz foi um nobre franco que teve grande influência nos reinos merovíngios como bispo, sendo depois venerado como santo. Ele também é conhecido pelo seu nome anglicizado, Arnoldo. Foi o 27º Bispo de Métis. Governou na prática com Pepino de Landen o reino da Austrásia, e depois tornou-se um eremita perto do mosteiro do Monte Habend, fundado por seu amigo Romarico.
Família
Arnulfo é aceito pela grande maioria dos historiadores como um dos mais antigos ancestrais de Carlos Magno, e através disso de muitas famílias reais europeias modernas, mas esse parentesco não está livre de algumas dúvidas. Seu nome não aparece em nenhuma das genealogias dos ancestrais mais imediatos de Carlos Magno, e é incluído pela primeira vez somente em torno de 783-791, mais de cem anos depois de sua morte, numa crônica sobre os bispos de Métis, a Gesta episcoporum Mettensium, escrita por Paulo, o Diácono, que teve como informante o próprio Carlos Magno. A sua própria ancestralidade é ainda mais incerta. Nenhuma fonte de sua época cita seus pais, mas com base em evidências indiretas e fontes tardias cuja confiabilidade é questionável, várias hipóteses sobre suas origens foram propostas. Alguns têm afirmado que seu pai foi Arnoldo (c. 535-600) e sua mãe Ada da Suábia. Esse Arnoldo é às vezes citado como sendo filho de Ausberto, senador de Mosela e de Berta de Kent, filha de Cariberto I, rei merovíngio de Paris. Outros fazem Arnulfo filho de Bodegisel II. Há ainda outros para quem a mãe de Arnulfo era Berta, princesa de Paris.
Governo
O que se sabe é que Arnulfo com toda a probabilidade nasceu em uma família franca da alta nobreza. Ainda jovem foi enviado para ser educado na corte, sob a tutela de Gondulfo, mordomo do palácio no reinado de Teodeberto II (595-612). Suas habilidades foram reconhecidas, sendo nomeado conde palatino e doméstico, um cargo de alto escalão. Em data incerta casou com uma dama da alta nobreza, que fontes tardias chamam de Doda, com quem teria os filhos Ansegisel, casado com Begga, e Clodulfo, bispo de Métis. Em 613, junto com Pepino de Landen e outros magnatas, pediu auxílio do rei merovíngio Clotário II para derrubar a regente Brunilda da Austrásia, que foi torturada e executada, evento que deu a Clotário o controle de toda a Frância. Clotário recompensou Arnulfo colocando-o na sé episcopal de Métis, e dando-lhe um posto em seu conselho. Tornou-se um dos mais influentes conselheiros do rei e foi tutor de seu filho, Dagoberto, continuando a assessorá-lo quando o pai o instalou como sub-rei da Austrásia em 623, sendo seu principal ministro, participando na administração da Justiça e na indicação de ministros e oficiais.
Eremita e santo
Por motivos desconhecidos, quando Dagoberto sucedeu seu pai na Frância em 629, dispensou seu serviços. Arnulfo então renunciou ao bispado e passou a viver uma vida de eremita em Remiremont, na região de Habendum, em companhia de seu amigo Romarico, até falecer em 18 de julho de 640 ou 641. Segundo as lendas piedosas que se formaram em seu redor, após um ano de sua morte o seu corpo foi levado de volta para Métis e sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos, e esta translação teria sido acompanhada por sinais prodigiosos e maravilhas. Mais tarde a igreja foi posta sob sua invocação e tornou-se um centro de culto dos carolíngios. A santificação de Arnulfo está intimamente ligada ao processo de afirmação e legitimação do poder da Dinastia Carolíngia, que desenvolveu uma consistente e extremamente eficaz política de criar genealogias fictícias e gloriosas colocando como antepassados de Carlos Magno personagens da maior projeção e dignidade. Neste contexto, ter um santo como ancestral conferia à dinastia um carisma todo especial, mas, como já foi assinalado, não é inteiramente seguro que ele seja de fato um antepassado dos carolíngios.
O seu nome está associado a um tesouro da Catedral de Métis que milagrosamente escapou da revolucionária ganância: um anel, de fio de ouro maciço, de um trabalho bastante duro, inclui um ónix de ágata sobre a qual está gravado um peixe enrolado numa rede em torno dos quais se notam dois outros peixes. Esta cena não é uma reminiscência dos fatos históricos ou anedóticos ligados a este anel e narrado pelo escritor Paulo, o Diácono, que o tirou mesmo dos lábios de Carlos Magno. De acordo com este autor, Santo Arnulfo passando por cima de uma ponte sobre o Mosela atira ao rio o dito anel e diz orando a Deus para fazer dele um símbolo de perdão dos pecados. Algum tempo depois, encontraram nas vísceras de um peixe um anel episcopal. A história é muito parecida com a lenda em torno da fundação da Abadia de Orval. É em memória deste fato que desde aí o levam em procissão até a igreja de St. Arnulfo no dia da festa do santo bispo. Removido em 1793 com os vasos sagrados da catedral, foi comprado por um dos funcionários da moeda. Ele foi devolvido ao Tesouro em 1846.


