Patrício
Os patrícios originalmente eram os cidadãos que constituíam a aristocracia da Roma Antiga, equivalendo a uma forma de nobreza hereditária. A distinção foi altamente significativa no Reino Romano e no início da República, mas a sua relevância diminuiu após o Conflito das Ordens. Na época do final da República e do Império, a adesão ao patriciado tinha apenas significado nominal. A estrutura social da Roma antiga girava em torno da distinção entre patrícios e plebeus. O estatuto dos patrícios deu-lhes mais poder político do que os plebeus, mas a relação entre os grupos acabou por causar o Conflito das Ordens. Este período resultou na mudança da estrutura social da Roma Antiga.
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De acordo com Tito Lívio , os primeiros 100 homens nomeados senadores por Rômulo foram chamados de "pais" (latim patres ), e os descendentes desses homens tornaram-se a classe patrícia. Este relato também é descrito por Cícero . A nomeação desses cem homens para o Senado deu-lhes um status de nobreza. Esse status é o que separava os patrícios dos plebeus. Alguns relatos detalham que os cem homens foram escolhidos por causa da sua sabedoria. Isto coincidiria com a ideia de que a Roma Antiga foi fundada num ideal baseado no mérito. Segundo outras opiniões, os patrícios (patricii) eram aqueles que podiam apontar os pais, ou seja, aqueles que eram membros dos clãs (gentes) cujos membros originalmente constituíam todo o corpo de cidadãos. Outras famílias nobres que vieram para Roma durante o tempo dos reis também foram admitidas no patriciado, incluindo várias que emigraram de Alba Longa, depois desta cidade ter sido destruída por Tullus Hostilius. O último caso conhecido de uma gente admitida no patriciado antes do século I a.C foi quando os Cláudios foram acrescentados às fileiras dos patrícios após chegarem a Roma em 504 a.C, cinco anos após o estabelecimento da República.
A palavra patrício deriva do latim patres, designação dada a famílias cujos chefes tinham um lugar no Senado. O patriciado existiu ao longo de toda a história de Roma, desde o período régio até à queda do Império, e pouco se modificou em suas características básicas, embora seu poder e influência tivessem variado ao longo dos séculos. As famílias patrícias alegavam descender dos fundadores de Roma, sugerindo que seu prestígio antedatava a formação da cidade, quando a região era governada pelas principais famílias das antigas tribos itálicas, mas as origens desse sistema são incertas. Uma possível explicação é que surgiu como uma articulação política de famílias influentes, mas a motivação principal pode ter sido de natureza econômica ou social, como uma aliança de ajuda mútua entre famílias ligadas por laços de parentesco. O patriciado desde o início assumiu um caráter aristocrático, e constituiu a única nobreza de Roma até o fim da monarquia.
A partir da Idade Média, em grande parte da Europa Ocidental, mas especialmente na Itália, Germânia e França, passou a ser um título usado para denominar a nobreza urbana que governava uma comuna, cidade ou uma república aristocrática, contrapondo-se à autoridade dos nobres da tradição feudal. Na Germânia e nos Países Baixos os patrícios foram conhecidos em muitos locais pelo título de burgueses, termo que neste caso difere da definição marxista. As origens do patriciado pós-antigo são muito heterogêneas e variaram de acordo com a região. Em alguns locais emergiu de famílias de vassalos, da pequena nobreza feudal e de oficiais do Sacro Império radicados nas cidades, mas em geral foi o resultado do progressivo empoderamento da burguesia urbana, estruturada sobre uma sólida legislação que lhe atribuía, assim como ocorreu na Roma Antiga, uma série de privilégios hereditários e a capacidade de acesso ao governo cívico, características que em essência definem um patriciado.


