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Arco de Constantino

Arco de Constantino é um arco triunfal de Roma construído por ordem do Senado Romano para comemorar a vitória do imperador Constantino sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvia em 312. Localizado entre o Coliseu e o monte Palatino, o arco foi inaugurado em 315. Sob ele passava a Via Triunfal, a rota seguida pelos grandes generais e imperadores romanos em seus triunfos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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História

O Arco de Constantino, que foi construído entre 312 e 315, foi encomendado pelo Senado Romano para comemorar os dez anos ("decenália") do reinado de Constantino (r. 306–337) — celebrado entre julho de 315 e julho de 316 — e a vitória do imperador diante de seu antecessor, o imperador Maxêncio (r. 306–312), na Batalha da Ponte Mílvia em 28 de outubro de 312, como descreve a inscrição comemorativa no ático; foi inaugurado oficialmente em 25 de julho de 315 e deu início a uma série de jogos e orações comemorativos. O próprio Constantino, porém, entrou em triunfo na cidade em 29 de outubro de 312, a data na qual o Senado encomendou a obra, mas deixou a cidade em menos de dois meses e só retornou em 326. A localização escolhida, entre o monte Palatino e o monte Célio, era o ponto onde a antiga Via Triunfal se juntava à Via Sacra, a rota seguida pelos imperadores quando entravam na cidade para celebrar um triunfo — ela começava no Campo de Marte, atravessava toda a extensão do Circo Máximo e contornava o monte Palatino; no ponto onde estava o arco, a rota fazia uma curva à esquerda na Meta Sudans e seguia pela Via Sacra através do Fórum Romano até chegar no monte Capitolino, passando através do Arco de Tito e do Arco de Sétimo Severo no caminho.

Controvérsias

Quaisquer que fossem os defeitos de Maxêncio, sua reputação em Roma foi influenciada por suas obras públicas em Roma. Na época de sua ascensão, em 306, Roma estava se tornando cada vez mais irrelevante para o governo do Império Romano e a maior parte dos imperadores já preferia viver em outros lugares para focar na defesa das fronteiras (geralmente fundando cidades à volta de seus acampamentos). Maxêncio, por outro lado, se concentrou em restaurar a antiga capital e ganhou o epíteto de "conservator urbis suae" ("preservador de sua cidade"). Por isto, Constantino era visto pelos habitantes da cidade, entre outras coisas, como aquele que depôs um de seus grandes benfeitores e, por isso, precisava seguir os passos dele para ganhar legitimidade. Muita controvérsia então passou a cercar o real patrocínio de obras públicas neste período. Constantino decretou um damnatio memoriae e passou a remover sistematicamente a memória de Maxêncio e, consequentemente, há muita incerteza sobre suas obras.

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Estilo

O Arco de Constantino é um importante exemplo, frequentemente citado em obras de história da arte, das mudanças estilísticas do século IV e também do "colapso do cânone clássico grego de formas durante o período romano tardio", um sinal de que a cidade estava em declínio e seria logo eclipsada pela nova capital de Constantino, Constantinopla, em 324. O contraste entre os estilos das imagens reutilizadas do século II e as recém-criadas para o arco é dramático e, segundo Ernst Kitzinger, "violento". Apesar disto, é importante notar que no caso da cabeça de um imperador antigo que foi substituída pela de Constantino, o artista ainda conseguiu atingir uma "representação suave e delicada da face de Constantino" que era "muito distante do estilo dominante da oficina". Sem dúvida, o Arco de Constantino é o mais impressionante monumento cívico de Roma da Antiguidade Tardia, mas é também o mais controverso no que diz respeito às suas origens e simbolismos.

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Iconografia

Reutilização

O Arco de Constantino é muito decorado e incorpora partes elementos decorativos de monumentos mais antigos. Como ele celebra uma vitória de Constantino, o novo friso "histórico" ilustrando sua campanha na Itália reflete o tema central: a glória do imperador, tanto em combate quanto em seus deveres civis. Os demais elementos dão suporte a este tema: a decoração emprestada dos "anos dourados" do século II sob o comando dos imperadores da dinastia nerva-antonina reforça o lugar de Constantino entre os "bons imperadores" enquanto o conteúdo das peças evoca imagens de um governante piedoso e vitorioso. Outra explicação dada para esta reutilização é o curto espaço de tempo entre o começo da obra (no máximo final de 312) e a inauguração (julho de 315), o que obrigou os arquitetos a buscarem obras já existentes para compensar a falta de tempo para criar novas esculturas. É possível que tantas obras mais antigas tenham sido utilizadas por que os próprios construtores não acreditavam que os artistas da época podiam criar obras mais belas do que as que já existiam. Finalmente, já se sugeriu que os romanos do século IV de fato não tinham a habilidade artística necessária para produzir obras da qualidade necessária e sabiam disto, o que os levou a remover obras prontas de monumentos mais antigos para decorar os recém-construídos. Esta interpretação, contudo, tem se tornado menos proeminente em tempos modernos conforme a arte da Antiguidade Tardia passou a ser apreciada de forma distinta. Atualmente, acredita-se que a combinação de todos estes fatores seja a resposta correta.

Ático

O arco está decorado com duas colunas caneladas destacadas em cada uma das duas fachadas dos dois pilares, num total de oito colunas. No alto de cada uma delas está uma estátua representando dácios da época do imperador Trajano. Sobre a passagem central está a inscrição dedicatória, a porção mais proeminente do ático e idêntica nas duas fachadas. Flanqueando a inscrição, acima das duas passagens laterais, estão quatro pares de painéis em relevo. Na fachada norte, da esquerda para a direita, eles representam o retorno do imperador depois da campanha (adventus), o imperador deixando a cidade saudado pela personificação da Via Flamínia, o imperador distribuindo dinheiro ao povo (largitio) e o imperador interrogando um prisioneiro germânico. Na fachada sul, também da esquerda para a direita, estão um chefe inimigo capturado levado ao imperador, uma cena similar com outros prisioneiros, o imperador discursando para a tropa (adlocutio) e o imperador sacrificando um porco, uma ovelha e um touro (suovetaurilia). Juntamente com os três painéis atualmente preservados nos Museus Capitolinos, estes relevos foram provavelmente retirados do chamado Arco de Marco Aurélio, construído para comemorar a guerra contra marcomanos e sármatas entre 169 e 175 e que terminou com o retorno triunfante do imperador em 176. No painel largitio, a imagem do filho de Marco Aurélio, Cômodo, foi removida depois que ele teve um decreto de damnatio memoriae decretado contra si.

Seção principal

O leiaute geral da porção inferior é idêntico nas duas fachadas do arco, com quatro colunas e seus plintos dividindo a estrutura em um arco central maior e dois laterais, menores, estes encimados por dois relevos redondos sobre um friso horizontal. As quatro colunas são da ordem coríntia e foram esculpidas em mármore amarelo (giallo antico), uma das quais foi transferida para San Giovanni in Laterano e substituída por uma outra de mármore branco. Os plintos estão encostados no arco e suas três faces visíveis estão decoradas com relevos. Os frontais mostram a personificação da Vitória, ora escrevendo num escudo, ora segurando folhas de palmeira; os laterais mostram bárbaros capturados, sozinhos ou com soldados romanos. Apesar de serem da época de Constantino, o tema foi baseado nos relevos do Arco de Sétimo Severo e no hoje perdido Arco Novo[d] e podem ser considerados como um item "padrão".

Laterais internas das passagens

Na passagem central, há um grande painel da Campanha dácia de Trajano em cada parede. No interior das passagens laterais estão oito bustos (dois em cada parede) tão destruídos que é impossível identificar de quem eram.

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Inscrições

A inscrição principal no ático originalmente era composta por letras de bronze, mas elas se perderam. Apesar disto, o texto pode ser facilmente lido por causa das ranhuras onde elas se assentavam e dos buracos onde estavam os pinos que as prendiam. O texto é o mesmo dos dois lados e foi escrito em letras maiúsculas quadradas romanas: As palavras "instinctu divinitatis" ("inspirado pela divindade") geraram um grande debate entre os estudiosos. Elas são geralmente interpretadas como um sinal da mudança da afiliação religiosa de Constantino. A tradição historiográfica cristã, especialmente Lactâncio e Eusébio, relatam a história de uma visão de Deus que Constantino teria tido na véspera da batalha na Ponte Mílvia e que ele teria "vencido pelo símbolo da cruz". Os documentos oficiais (especialmente as moedas) ainda foram cunhadas com o deus sol até 324, mas Constantino de fato passou a apoiar a igreja antiga a partir de 312. Se for este o caso, a vaga escolha das palavras pode ser interpretada como uma tentativa de agradar a todos os possíveis leitores, cristãos e pagãos. Como era o costume, o inimigo vencido não é mencionado pelo nome e foi chamado apenas de "tirano", uma tentativa de justificar a morte justa de um governante tirânico.

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Fontes consultadas

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