Aquisição de segunda língua
O interesse pelo estudo de como línguas estrangeiras são aprendidas cresceu significativamente após a década de 1960. Esse aumento se deve, em grande parte, a fenômenos como a globalização e o advento da internet, que impulsionaram o aprendizado de novas línguas para facilitar o intercâmbio cultural e social. Para descrever esses estudos, surgiu o termo "aquisição de segunda língua" (ASL). Embora seu significado pareça direto, ele exige alguns esclarecimentos importantes.
Pontos-chave
- A ASL ganhou destaque após os anos 1960 devido à globalização e à internet.
- Língua adicional (LA) é qualquer língua além da(s) materna(s), valorizando o contexto social do aluno.
- A ASL enfrenta desafios metodológicos na definição e mensuração da "aquisição".
- O conhecimento prévio de uma língua materna pode ser vantajoso ou prejudicial na ASL.
- Teorias behavioristas e inatistas (como a Gramática Universal e o Monitor Model) oferecem diferentes perspectivas sobre a ASL.
Língua adicional (LA) refere-se a qualquer língua que se soma ao repertório linguístico de um indivíduo, além de sua(s) língua(s) materna(s). Este conceito abrange diversas situações, como línguas estrangeiras, oficiais, de herança ou de imigração. A abordagem da LA valoriza o contexto social do aluno e promove uma visão crítica sobre a língua. Conforme Schlatter e Garcez, o uso do termo "língua adicional" estimula a reflexão sobre a natureza, a posse e a função da língua. É crucial diferenciar Língua Estrangeira de Língua Adicional: a primeira é desconhecida no convívio social, enquanto a segunda se torna relevante e útil para a participação em práticas sociais contemporâneas. Uma língua deixa de ser estrangeira e passa a ser adicional no momento em que é integrada ao cotidiano e ao convívio social de uma pessoa.
A pesquisa em ASL enfrenta dificuldades inerentes. Uma delas é definir "aquisição": alguns a medem pela semelhança com a produção nativa, outros questionam essa métrica por dificultar a distinção entre o saber e o saber fazer na segunda língua (L2). Outro problema é o uso de fórmulas e expressões fixas pelo aprendiz; mesmo que corretas, podem não indicar domínio da estrutura subjacente para outros contextos. Há também a questão de mensurar a aquisição quando o aprendiz usa características da língua corretamente, mas as aplica indevidamente (overuse). A análise dos erros cometidos pelos alunos é fundamental, e estes erros podem ser de diversos tipos.
Todo aprendiz de uma segunda língua (L2), independentemente da idade, já possui conhecimento de pelo menos uma língua. Esse conhecimento prévio pode ser uma vantagem, pois o aprendiz entende como as línguas funcionam, mas também pode levar a inferências errôneas sobre a L2, gerando erros que um falante nativo não cometeria. Adolescentes e adultos se beneficiam de sua maturidade cognitiva, noção metalinguística e conhecimento de mundo. No entanto, aprendizes com menos de doze anos tendem a sentir menos ansiedade ao usar a L2, mesmo com proficiência limitada, enquanto adultos e adolescentes podem sentir estresse por não conseguirem expressar todo seu potencial. Fatores individuais também influenciam a forma como cada aluno reage às atividades de aprendizagem.
O behaviorismo postula que o aprendizado ocorre por imitação, prática, reforço e formação de hábitos, aplicável tanto à linguagem quanto a outros comportamentos. Os aprendizes formariam "associações" entre palavras e objetos/situações, fortalecidas pela repetição. Correções e incentivos seriam cruciais. A teoria behaviorista considera que os hábitos da língua materna (L1) interferem na formação dos novos hábitos necessários para a L2. Associada à Hipótese da Análise Contrastiva (CAH), que prevê facilidade em estruturas similares entre L1 e L2 e dificuldade nas diferentes, a CAH foi contestada por pesquisas que mostraram erros não previstos e a ocorrência de erros semelhantes aos de crianças aprendendo L1 em adultos iniciantes.
A Teoria da Aquisição da Linguagem de Chomsky, baseada na hipótese de uma Gramática Universal (UG) inata, sugere que as crianças adquirem a língua materna durante um período crítico. Embora Chomsky não tenha abordado diretamente a ASL, seguidores argumentam que a UG é a chave para entender esse processo. Alguns linguistas, contudo, consideram a UG inaplicável para aprendizes que já passaram do período crítico. Mesmo entre os que acreditam na relevância da UG, há discordância sobre seu funcionamento na ASL. Alguns defendem que a UG explica como aprendizes de L2 adquirem mais do que o input linguístico sugere, inferindo que ela permanece ativa. Outros teóricos propõem que a UG, embora disponível, pode ter sua natureza alterada pela aquisição prévia de uma língua.
Stephen Krashen propôs o "monitor model", uma teoria inatista influente na ASL, composta por cinco hipóteses. As ideias de Krashen tiveram impacto na prática pedagógica, especialmente no "communicative language teaching" (CLT) ou abordagem comunicativa, que prioriza o uso da L2 para interação e tarefas comunicativas. No entanto, a comprovação empírica de suas hipóteses, especialmente sobre fatores afetivos, é considerada difícil por alguns estudiosos. Atualmente, pesquisadores questionam o papel secundário que Krashen atribuiu à instrução formal e à atenção às formas linguísticas, apesar do apoio que o CLT obteve de muitos professores e aprendizes.


