Behaviorismo
Behaviorismo é uma abordagem sistemática para a explicação do comportamento de seres humanos e animais. Para o behaviorismo, comportamento é tudo aquilo que um organismo – humano ou animal – faz ou produz, incluindo ações privadas, como sentir ou pensar. Enquanto área de estudo, o behaviorismo busca compreender, principalmente, as causas que levam os processos de aquisição, manutenção e perda de comportamentos de um organismo.
Como precedentes do comportamentalismo podem ser destacados os fisiólogos russos Vladimir M. Bechterev (1857-1927), Ivan P. Pavlov (1849-1936), o psicológo Edward L. Thorndike (1874-1949), da psicologia animal comparada. Bechterev, grande estudioso de neurologia e psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia cuja pesquisa se baseia no comportamento, em sua Psicologia Objetiva. Pavlov, por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de condicionamento do comportamento conhecido como reflexo condicionado, e tornou-se conceituado com suas experiências de condicionamento com cães. Sua obra inspirou a publicação, em 1913, do artigo Psychology as the Behaviorist views it, de John B. Watson. Este artigo apresenta uma contraposição à tendência até então mentalista (isto é, internalista, focada nos processos psicológicos internos, como memória ou emoção) da Psicologia do início do século XX, além de ser o primeiro texto a usar o termo "behaviorismo". Também é o primeiro artigo da vertente denominada "behaviorismo clássico".
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Não há acordo amplamente e rigorosamente aceito sobre a presente classificação. Em outras palavras, o trabalho de classificação da diversidade de versões que o termo behaviorismo pode reunir, respeitando-se os fatos históricos e a tradição de revisão por pares no contexto científico, ainda está por ser feito. Quando Skinner deu uma pausa no trabalho experimental para se concentrar nos fundamentos filosóficos de uma ciência do comportamento, sua atenção se voltou para a linguagem humana com seu livro Comportamento Verbal,1957 e outras publicações relacionadas à linguagem; Comportamento Verbal apresentou um vocabulário e uma teoria para a análise funcional do comportamento verbal e foi fortemente criticado em uma revisão de Noam Chomsky. Skinner não respondeu em detalhes, mas afirmou que Chomsky não conseguiu entender suas idéias e os desentendimentos entre as duas e as teorias envolvidas foram discutidas mais adiante. A hipótese de que algum traço da linguagem seria herdado filogenéticamente se opõe à teoria behaviorista que afirma que a linguagem é um conjunto de hábitos que podem ser adquiridos por meio do condicionamento operante. Segundo alguns, esse processo que os behavioristas definem é um processo muito lento e gentil para explicar um fenômeno tão complicado quanto o aprendizado de línguas. O que era importante para uma análise comportamental do comportamento humano não era aquisição de linguagem, tanto quanto a interação entre linguagem e comportamento aberto. Em um ensaio republicado em seu livro de 1969, Contingências de Reforço, Skinner considerou que os humanos poderiam construir estímulos linguísticos que, em seguida, viriam à adquirir controle sobre o comportamento deles, da mesma forma que os estímulos externos poderiam. A possibilidade de tal "controle instrucional" sobre o comportamento significava que as contingências de reforço nem sempre produziam os mesmos efeitos sobre o comportamento humano assim como fazem de maneira confiável em outros animais. O foco de uma análise comportamental radical do comportamento humano, portanto, passou a uma tentativa de entender a interação entre o controle instrucional e o controle de contingência e também compreender os processos comportamentais que determinam quais instruções são construídas e o controle que eles adquirem sobre o comportamento. Recentemente, uma nova linha de pesquisa comportamental sobre linguagem foi iniciada sob o nome da teoria do quadro relacional.
Behaviorismo clássico
O "behaviorismo clássico" (também conhecido como "behaviorismo watsoniano", menos comumente "Psicologia S-R" e "Psicologia da Contração Muscular") apresenta a Psicologia como um ramo puramente objetivo e experimental das ciências naturais. A finalidade da Psicologia seria, então, prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo. A proposta de Watson era abandonar, ao menos provisoriamente, o estudo dos processos mentais, como pensamento ou sentimentos, mudando o foco da Psicologia, até então mentalista, para o comportamento observável. Para Watson, a pesquisa dos processos mentais era pouco produtiva, de modo que seria conveniente concentrar-se no que é observável, o comportamento. No caso, comportamento seria qualquer mudança observada, em um organismo, que fosse consequência de algum estímulo ambiental anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor. Por esta ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se ao "behaviorismo clássico" como "Psicologia da Contração Muscular"
Neobehaviorismo mediacional
O behaviorismo clássico postulava que todo comportamento poderia ser modelado por conexões S-R (Estímulo-Resposta); entretanto, vários comportamentos não puderam ser modelados desta maneira. Em resposta a isso, vários psicólogos propuseram modelos behavioristas diferentes em complemento ao behaviorismo watsoniano. Destes podemos destacar Edward C. Tolman, primeiro psicólogo do comportamentalismo tradicionalmente chamado Neobehaviorismo Mediacional. Tolman publicou, em 1932, o livro Purposive Behavior in Animal and Men. Nessa obra, Tolman propõe um novo modelo behaviorista baseando-se em alguns princípios dissoantes perante a teoria watsoriana. Esse modelo apresentava um esquema S-O-R (estímulo-organismo-resposta) onde, entre o estímulo e a resposta, o organismo passa por eventos mediacionais, que Tolman chama de variáveis intervenientes (em oposição às variáveis independentes, i. e. os estímulos, e às variáveis dependentes, i. e. as respostas). As variáveis intervenientes seriam, então, um componente do processo comportamental que conectaria os estímulos e as respostas, sendo os eventos mediacionais processos internos.
Behaviorismo filosófico
O behaviorismo filosófico (também chamado behaviorismo analítico e behaviorismo lógico.)Defende que a ideia de estado mental, ou disposição mental, é, na verdade, a ideia de disposição comportamental ou tendências comportamentais. Afirmações sobre o que se denomina estados mentais seriam, então, apenas descrições de comportamentos, ou padrões de comportamentos em toda a familia romana. Nesta concepção, são analisados os estados mentais intencionais e representativos. Esta linha de pensamento fundamenta-se basicamente nos postulados de Ryle e Wittgenstein
Behaviorismo metodológico
Na literatura científica, os behaviorismos metodológico e radical tem sido comparados não apenas a respeito de suas considerações, ou falta delas, sobre eventos psicológicos privados, mas também a respeito de seus critérios de cientificidade. Como um qualificador de ciência, o termo "metodológico" foi primeiramente utilizado por B. F. Skinner, em 1945, para se referir a proposta de ciência do comportamento dos positivistas lógicos, ou neopositivistas, que tiveram grande influência nas ideias dos behavioristas norte-americanos da primeira metade do século XX. No artigo "The operational analysis of psychological terms" (Análise operacional de termos psicólogicos), por exemplo, embora não constem referências diretas ao autor, as críticas de Skinner se referiam possivelmente às considerações de Stanley Smith Stevens, em seu artigo "Psychology and the science of science" de 1939..mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Behaviorismo radical
Como resposta às correntes internalistas do comportamentalismo e inspirado pelo behaviorismo filosófico, Burrhus F. Skinner publicou, em 1953, o livro Science and Human Behavior. A publicação desse livro marca o início da corrente comportamentalista conhecida como behaviorismo radical. O behaviorismo radical foi desenvolvido não como um campo de pesquisa experimental, mas sim uma proposta de filosofia sobre o comportamento humano. As pesquisas experimentais constituem a Análise Experimental do Comportamento, enquanto as aplicações práticas fazem parte da Análise Aplicada do Comportamento. O behaviorismo radical seria uma filosofia da ciência do comportamento. Skinner foi fortemente anti-mentalista, ou seja, considerava não pragmáticas as noções "internalistas" (entidades "mentais" como origem do comportamento, sejam elas entendidas como cognição, id-ego-superego, inconsciente coletivo, etc.) que permeiam as diversas teorias psicológicas existentes. Skinner jamais negou em sua teoria a existência dos processos mentais (eles são entendidos como comportamento), mas afirma ser improdutivo buscar nessas variáveis a origem das ações humanas, ou seja, os eventos mentais não causam o comportamento das pessoas, os eventos mentais são comportamentos e são de natureza física. A análise de um comportamento (seja ele cognitivo, emocional ou motor) deve envolver, além das respostas em questão, o contexto em que ele ocorre e os eventos que seguem as respostas. Tal posição evidentemente opunha-se à visão watsoniana do behaviorismo, pela qual a principal razão para não se estudar fenômenos não fisiológicos seria apenas a limitação do método, não a efetiva inexistência de tais fenômenos de natureza diferente da física. O behaviorismo skinneriano também se opunha aos neobehaviorismos mediacionais, negando a relevância científica de variáveis mediacionais: para Skinner, o homem é uma entidade única, uniforme, em oposição ao homem "composto" de corpo e mente, ou seja, a visão de homem é a visão monista.
Comportamentologia
A comportamentologia faz referência à ciência do comportamento mantida pelo The International Behaviorology Institute, LTD. (TIBI). A comportamentologia é: B. F. Skinner se posicionou a respeito de tal ciência ainda em vida. Esse posicionamento pode ser conferido por meio de sua correspondência com o professor J. D. Ulman. A comportamentologia se apresenta como uma ciência independente da psicologia. A análise do comportamento, diferentemente, se apresenta como uma ciência ou especialidade dentro do campo da psicologia.
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A visão de comportamento de Skinner é mais frequentemente caracterizada como uma visão "molecular" do comportamento; isto é, o comportamento pode ser decomposto em partes ou moléculas, como um átomo. Essa visão é inconsistente com a descrição completa do comportamento de Skinner como delineada em outras obras, incluindo seu artigo de 1981 "Seleção por conseqüências". Skinner propôs que uma conta completa do comportamento requer compreensão da história de seleção em três níveis: biologia (seleção natural ou filogenia do animal); Comportamento (história de reforço ou ontogenia do repertório comportamental do animal); e para algumas espécies, cultura(as práticas culturais do grupo social a que pertence o animal). Os behavioristas molares, como Howard Rachlin, Richard Herrnstein e William Baum, argumentam que o comportamento não pode ser entendido ao se concentrar nos eventos no momento. Ou seja, eles argumentam que o comportamento é melhor entendido como o produto final da história de um organismo e que os behavioristas moleculares estão cometendo uma falácia ao inventar causas proximais fictícias de comportamento. Os behavioristas molares argumentam que as construções moleculares padrões, como a "força associativa", são melhor substituídas por variáveis molares, como a taxa de reforço. Assim, um behaviorista molar descreveria "amar alguém" como um padrão de comportamento amoroso ao longo do tempo; Não há causa isolada e proximal do comportamento amoroso, apenas uma história de comportamentos (dos quais o comportamento atual pode ser um exemplo) que pode ser resumido como "amor".
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Na segunda metade do século XX, o behaviorismo foi amplamente eclipsado como resultado da revolução cognitiva. Essa mudança foi devido ao behaviorismo radical ser altamente criticado por não examinar os processos mentais, e isso levou ao desenvolvimento do movimento da terapia cognitiva. Em meados do século XX, surgiram três influências principais que inspirariam e moldariam a psicologia cognitiva como uma escola formal de pensamento: Nos primeiros anos da psicologia cognitiva, os críticos behavioristas sustentavam que o empirismo que ela buscava era incompatível com o conceito de estados mentais internos. A neurociência cognitiva, no entanto, continua a reunir evidências de correlações diretas entre a atividade fisiológica do cérebro e os estados mentais putativos, endossando a base da psicologia cognitiva.


