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Aqueduto do Convento de Cristo

O Aqueduto do Convento de Cristo, também designado por Aqueduto de Pegões, foi construído com a finalidade de abastecer de água o Convento de Cristo em Tomar a partir de 4 nascentes diferentes, e tem cerca 6 km de extensão, atravessando as freguesias de Carregueiros e a UF de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, no município de Tomar.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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História

Ao tornar-se rei de Portugal, Filipe II de Espanha, adveio também por inerência da coroa a ser o Mestre da Ordem de Cristo. Foi nesta qualidade que encomendou a Filipe Terzi ( Filippo Terzi) a construção de um aqueduto que dotasse abundantemente de água o convento e as terras da cerca dos Sete Montes (atualmente Mata Nacional). Surgiu assim na arquitetura e na paisagem conventual uma grandiosa obra de engenharia hidráulica que percorre uma extensão de cerca de 6 quilómetros, dispondo de um total de 180 arcos para as passagens aéreas da conduta. Particularmente audacioso é o trecho sobre o vale dos Pegões, constituído por 58 arcos de volta inteira, na zona mais funda do vale assentam sobre 16 arcos quebrados, por sua vez erguidos sobre imponentes maciços de alvenaria: os "pegões".

Antecedentes

Embora as cisternas do convento joanino (edificadas nos vários claustros e abastecidas pela recolha das águas pluviais) fossem bastante para as necessidades dos freires, a água era insuficiente para o cultivo das terras da cerca conventual.

Construção e conservação

O traçado do aqueduto foi executado em 1584 por Filipe Terzio, arquitecto-mor do Reino, iniciando-se a obra em 1593. Depois da morte do arquiteto, a direção dos trabalhos de edificação passou para Pedro Fernandes de Torres. A primeira fase dos trabalhos só seria concluída em 1614, data em que Filipe II veio a Portugal e inaugurou a obra, como indica a inscrição gravada no aqueduto. Em 1616, já com a direção das obras entregue a Diogo Marques Lucas, a canalização do aqueduto foi prolongada para o edifício conventual, alcançando o lavatório dos dormitórios no ano seguinte, e chegando ao claustro principal em 1619, data em que se concluiu a obra. Assinalando-se a sua conclusão, com a Fonte Monumental do Claustro Principal (também denominado claustro dos Filipes).

Período de funcionamento

O Aqueduto esteve em serviço desde 1614 até meados do século XX (mais de 330 anos).

Atualidade

O monumento (como um todo, na sua extensão de mais de 6km) em grande parte encontra-se em avançado estado de degradação e abandono, apesar de o traçado estar consolidado e a edificação estar íntegra, o que permitirá a sua reparação e conservação. Os troços superiores, entre nascentes, são os que apresentam maiores danos decorrentes do abandono dos campos de cultivo, atualmente tomados pela vegetação e matos. Ao longo dos anos e após o abandono da utilização do aqueduto no séc. XX, têm vindo a ser registados danos: - Furtos de elementos de pedra, como os lajedos de cobertura dos canais, ao longo dos últimos anos; - Danos junto a nascente do Cano na instalação de conduta água, 2005 ;

Grupo dos Amigos do Aqueduto do Convento de Cristo

Agremiação não oficial, formada em 2005, dedicada à divulgação e troca de impressões das atividades cívicas desenvolvidas. Visa ainda o estudo, salvaguarda, divulgação e fruição do Aqueduto Filipino do Convento de Cristo, em Tomar utilizando para isso as redes sociais, nomeadamente o Facebook onde tem atualmente cerca de 1600 seguidores. Promove várias ações de cidadania ativa, especialmente as ações de limpeza e recuperação de vários troços do Aqueduto entre outras como foi a realização em 2016/03/05 de colóquio subordinado ao tema “Aqueduto do Convento de Cristo – Legado e Desafio(s)” , e integrado no programa oficial das Comemorações do Dia da Cidade de Tomar, realizou-se, na Quinta dos Pegões, em Carregueiros. O programa integrou um conjunto de apresentações a cargo de Jorge Custódio, Tiago Molarinho, Luís Mota Figueira e João Elvas, que abordaram temas relacionados com o legado histórico e cultural do monumento e a situação crítica em que se encontra.

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Características

A morfologia deste território é composta pela interceção de um conjunto de vales pouco profundos. O povoamento deste espaço caracteriza-se pela dispersão de pequenos aglomerados e casais, maioritariamente localizados junto a acessos viários, como a aldeia de Carregueiros e o lugar de Brasões. Nas encostas dos vales, predomina a cultura do eucalipto, incrementada fortemente nas últimas décadas. Nas zonas baixas encontram-se os pomares e vinhedos, e junto das linhas de água, hortas em parcelas de terreno de pequena dimensão, com diversas estruturas de aproveitamento hidráulico como presas, canais e poços, bem como muros de alvenaria que atuam como bacias de retenção e infiltração (junto às 2 nascentes mais a norte). O aqueduto é uma estrutura de transporte de água com 6223 m de comprimento linear, de canalização em pedra, coberta a laje, correndo em grande parte ao nível do terreno, com cerca de 400 m assentes em arcaria (troços aéreos que perfazem um total de 180 arcos de volta perfeita). É alimentado por quatro nascentes subterrâneas, sendo a água transportada por caleiras de pedra calcária em meia cana, por ação da gravidade.

Nascentes

Nascente subterrânea em que a captação faz-se através da condução em mina no enfiamento do vale (norte>sul), sendo o freático alimentado pela infiltração da água do ribeiro e pelas águas pluviais, através de bacia de retenção, construída na mesma fileira. É marcada por poço de visita e acesso à casa da nascente (subterrânea), com mãe-d'água de planta circular, com estrutura em alvenaria de tijolo maciço e cobertura em cúpula. A água sai por uma galeria soterrada até à caixa de decantação que interliga esta à água proveniente da nascente da Pipa. Apesar de ainda produtiva quase todo o ano, o manancial desta nascente ( a norte) tem vindo a ser afetado pela monocultura de eucalipto (que tem vindo a tomar o lugar dos pinhais e até de zonas de cultivo), bem como da construção a cerca de 500m a montante da via rápida IC9.

Troço aéreo do vale da Felpinheira

Os troços aéreos de vale da Felpinheira, compõe-se de doze arcos de volta perfeita, com cerca de 15 metros na parte mais alta.

Troço aéreo monumental

O aqueduto tem 58 arcos de volta inteira, na sua parte mais elevada, sobre 16 arcos ogivais apoiados em pilares. A sua altura máxima é de 30 metros. Nos extremos apresenta casas de água abobadadas, que têm no centro, uma larga pia destinada à decantação da água. Na casa da água a jusante da Ribeira do Choupal, a inscrição: "O INVICTISSIMO E MUI CATOLICO REI D. FILIPE I DO NOME, DE PIA MEMORIA, COM REAL LIBERALIDADE, MANDOU FAZER ESTE AQUEDUCTO NO ANO DE 1593 / COM A MESMA, O AUGUSTISSIMO E CRISTIANISSIMO REI D. FILIPE SEU FILHO SEGUNDO DE NOME A FEZ ACABAR 1613" Seguem-se 34 arcos de volta perfeita, que atravessam um vale pouco profundo, e correndo paralelas ao muro da cerca 2 arcaturas com 18 e 13 arcos;

Adução

O transporte da água potável, desde a nascente mais recuada até ao convento, faz-se por gravidade, em caleiras de pedra calcária abertas com secção transversal semicircular, unidas entre si por encaixe macho-fêmea chanfrado, com argamassa de consolidação e impermeabilização. A volumetria da caleira arquétipo que conduz a água, define-se num prisma rectangular, vazado por uma secção transversal de meia elipse com 0,31 m no eixo maior e 0,17 m no eixo menor, tem 1,74 m de comprimento e a sua largura exterior oscila entre os 0,49 m e 0,57 m, na espessura mede 0,22 m. Esta assenta na base da conduta, galeria ou edifício e apresenta variações de secção ao longo do transporte, de forma crescente, de montante para jusante. É imediatamente após a nascente da Porta de Ferro que o eixo menor da elipse da secção da caleira passa a registar 0,30 m evidenciando o aumento do caudal captado neste manancial.

Reservatório da Cadeira d'El Rei e distribuição da água

Atingindo a cerca do convento, o aqueduto ia desembocar num grande tanque de rega, que distribuia a água para a rega da cerca, para o lagar de azeite (atualmente em ruínas) e para o sistema hidráulico do convento. Do lado exterior da cerca, onde terá sido uma porta foi colocada numa moldura uma inscrição latina que se reporta à execução da primeira fase da obra: "O extenso aqueduto e altíssima mole que há pouco, rasteira, se ergueu por favores de reis, cortando os montes, transpondo fundos vales, não obstante à força de trabalho e dinheiro, em longo percurso aqui conduzida ou antes conduziram os dois Filipes: o que não fizeram os braços de tantos reis. 1614".

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Fontes consultadas

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