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Apologia do Matemático

Apologia do Matemático ou Em defesa de um matemático é um ensaio de 1940 da autoria do matemático britânico Godfrey Harold Hardy. Debruça-se sobre a estética da matemática com algum conteúdo de cariz pessoal e fornece ao leigo o acesso à mente de um matemático profissional. Segundo C. P. Snow, amigo próximo de Hardy e autor do prefácio, a obra é "apesar de todo o seu bom humor, desesperadamente triste".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Sinopse

No título da obra, Hardy utiliza a palavra "apologia" no sentido de uma justificação formal ou defesa como na Apologia de Sócrates escrita por Platão, e não no sentido de um pedido de perdão. Hardy sentiu a necessidade de defender, nesta altura, o seu trabalho de uma vida na matemática, por duas razões principais. Em primeiro lugar, aos 62 anos de idade, Hardy sentiu a aproximação da terceira idade (havia sobrevivido a uma ataque cardíaco em 1939) e o declínio da sua criatividades e das suas capacidades no domínio da matemática. Ao dedicar-se à escrita da Apologia, Hardy estava a admitir que o seu tempo como matemático criativo terminara. No seu prefácio à edição de 1967, C. P. Snow descreve a Apologia como "um lamento apaixonado pelos poderes criativos que foram e não mais voltarão". Nas palavras de Hardy, "Exposição, criticismo, apreciação, é tudo trabalho para mentes de segunda linha. [...] É uma experiência melancólica para um matemático profissional descobrir-se ele próprio a escrever sobre matemática. A função de um matemático é fazer algo, provar novos teoremas, acrescentar à matemática, e não falar sobre o que ele ou outros matemáticos fizeram".

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Crítica

As opiniões de Hardy foram fortemente influenciadas pela cultura académica das universidades de Cambridge e Oxford entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra. Em retrospectiva, alguns dos exemplos dados por Hardy afiguram-se infelizes. Ele escreve, por exemplo, "Ninguém descobriu ainda nenhum utilização bélica para a teoria dos números ou a relatividade, e parece improvável que alguém o faça nos anos vindouros". Desde então, a aplicação da relatividade fez parte do desenvolvimento de armas nucleares, enquanto a teoria dos números figura hoje proeminentemente na criptografia. No entanto, os exemplos mais proeminentes de Hardy para a elegância das descobertas matemáticas sem aplicação (demonstrações da infinitude dos números primos e da irracionalidade da raiz quadrada do número dois) ainda resistem. Contudo, não foi a aplicabilidade do conceito matemático que levou Hardy a descrever a matemática aplicada como que inferior à matemática pura; mas sim a simplicidade e a banalidade que lhe são inerentes.

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Fontes consultadas

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