Pesquisa · Mapa mental

Albrecht Dürer

Albrecht Dürer foi um gravurista, pintor, ilustrador, matemático e teórico de arte alemão e, provavelmente, o mais famoso artista do Renascimento nórdico, tendo influenciado artistas do século XVI no seu país e nos Países Baixos. A sua maestria como pintor foi o resultado de um trabalho árduo e, no campo das artes gráficas, não tinha rival. As suas xilogravuras, consideradas revolucionárias, são ainda marcadas pelo estilo gótico. É considerado como o primeiro grande mestre da técnica da aguarela, principalmente no que diz respeito à representação de paisagens. Os seus interesses, no espírito humanista do Renascimento, abrangiam ainda outros campos, como a geografia, a arquitectura, a geometria e a fortificação.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
01

Biografia

No verão de 1520, o desejo de Dürer por um novo mecenas, após a morte do imperador Maximiliano I, e o aparecimento de doenças contagiosas em Nuremberga, ocasionaram sua última viagem. Junto com a esposa e a aia desta, viajou para os Países Baixos em julho, onde o imperador Carlos V o recebeu com grandes honras, convidando-o para a sua coroação em Aquisgrano. Efetuou a sua viagem pelo rio Reno até Colônia, seguindo para Antuérpia, onde foi bem recebido, onde se demorou e produziu numerosos desenhos usando diversas técnicas. Entre as obras que aí executou conta-se o São Jerónimo, feito para um próspero comerciante português, de seu nome Rodrigo Fernandes, e que se encontra atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa e cujos estudos se encontram em Viena e em Berlim. Percorreu Bruxelas, Malines, Bruges, Gante, Zelândia e Nijmegen. Retornou finalmente para casa em julho de 1521, tendo contraído uma doença indeterminada que o afligiu pelo resto da sua vida.

Primeiros anos e contexto cultural

Dürer nasceu no dia 21 de maio de 1471 em Nuremberga, cidade a que esteve intimamente ligado ao longo da sua vida. O seu pai, Albrecht Dürer, o Velho, era um ourives de origem húngara, filho de Anton Dürer, também ourives, teve 18 filhos – e Albrecht foi o terceiro, que em 1455 se mudou de Ajtós (ou Eytas, segundo as anotações de Dürer), perto de Gyula, na Hungria, para Nuremberga. Apelidado de "Ajtósi" (fabricante de portas), mudou o seu nome para Thürer, com o mesmo significado em alemão, mudando mais tarde para Dürer, de modo a ajustar o nome à pronúncia nuremburguesa. O brasão adquirido pela família, mais tarde desenhado por Dürer, contém no seu escudo, aliás, uma porta aberta. Em 1467, no mesmo ano em que se tornava mestre ourives depois de doze anos de aprendizado, Albrecht Dürer, o Velho, casou-se com Bárbara Hallerin, filha do seu mestre, Hieronymus Holper (também referido como Hyeronymus Haller), de quem teve dezoito filhos, Albrecht foi o terceiro e o segundo do sexo masculino.

Os anos de aprendizagem

O padrinho de Dürer era Anton Koberger, que abandonou a carreira de ourives para se tornar num importante editor e impressor, provavelmente no ano do nascimento de Dürer. De facto, terá chegado a possuir vinte quatro prensas móveis e várias tipografias dentro e fora da Alemanha. A sua mais famosa publicação foram as Crónicas de Nuremberga, de Hartmann Schedel, publicadas em 1493. Continha um número sem precedentes de xilogravuras (1 809), muitas com uso repetido do mesmo bloco, executadas no ateliê de Wolgemut na altura em que Dürer aí era aprendiz, nomeadamente de 1488 e 1493, parecendo certo de que Dürer tenha trabalhado neste projeto, recebendo uma formação exaustiva quanto à execução de desenhos em placas de madeira.

Casamento e primeira viagem a Itália

Em 7 de julho de 1494, casou-se com Agnes Frey, filha de um rico burguês de Nuremberga, graças um arranjo feito pela sua família, sem que tivesse sido consultado. Os relatos mais comuns, principalmente fundamentados numa carta de Pirkheimer dirigida ao arquiteto da corte, Johannes Tscherte, e desenvolvidos num romance escrito por Joachim von Sandrart indicam que o casamento, além de não ter resultado em filhos, foi particularmente infeliz, com Agnes ignorando o génio artístico do marido, ciumenta das atenções que lhe eram dedicadas por outras pessoas, e avarenta, obrigando-o a trabalhar mais do que lhe era possível. O amigo de Dürer chega a acusar Agnes da morte prematura do artista graças ao seu feitio. Essas alegações não são, porém, unânimes. Alguns autores, analisando os escassos textos de Dürer sobre a esposa, consideram que a carta de Pirkheimer foi motivada por ressentimentos pessoais contra Agnes, ainda que seja mais ou menos unânime que este não teria sido o casamento ideal. Há ainda suposições quanto a uma relação homossexual, consumada ou não, entre Dürer e Pirkheimer.

Retorno a Nuremberga

De volta a Nuremberga e depois de abrir o seu próprio ateliê em 1495, o que só poderia fazer estando casado, de acordo com as deliberações do conselho da cidade, realizou durante a década de 1495 a 1505 um grande número de obras, especialmente xilogravuras, que ajudaram a estabelecer sua reputação, notáveis pelas suas dimensões, equilíbrio e complexidade de composição. Entre elas está a série de ilustrações do Apocalipse (1498), consideradas como o início de uma nova era no que a esta arte diz respeito; as gravuras de A Grande Fortuna (1501–1502), onde se sente a influência italiana, nas proporções vitruvianas e nos atributos da figura idealizada da deusa Fortuna ou Némesis e A Queda do Homem (1504). Dürer orgulhava-se de tal modo desta última, que é a única onde inscreveu o seu nome por completo, na cartela pendente do ramo segurado por Adão, em contraste com as outras obras onde apenas apunha o seu famoso monograma.

Segunda viagem a Itália

O artista veneziano Jacopo de Barbari, que teria conhecido em Itália, visitou Nuremberga por volta de 1500 e influenciou Dürer com novos conhecimentos de perspectiva, anatomia e proporção, a partir dos quais começou vários estudos. Uma série de desenhos existentes mostra as experiências com a proporção do corpo humano, até chegar à famosa gravura de Adão e Eva de 1504, que mostra um traço firme e detalhado trabalhando na superfície do corpo, usando as ferramentas da gravura com mestria. Duas ou três outras obras com sua soberba técnica foram produzidas em 1505, quando Dürer regressou a Itália para uma segunda visita (das duas, a única de que não subsistem dúvidas, dada a documentação que dela existe).

Nuremberga e as obras-primas

A despeito do reconhecimento que recebeu dos venezianos, Dürer voltou a Nuremberga em meados de 1507, ali permanecendo até 1520. Em 1509 estava em condições de comprar a casa que ficaria conhecida para a posteridade como Albrecht-Dürer-Haus. Sua reputação espalhara-se por toda a Europa e era tratado com camaradagem e amizade pelos mestres da época. O próprio Rafael sentia-se honrado em trocar desenhos com ele. Em 1512 conseguiu que o imperador Maximiliano I, de quem passou a receber especial proteção, o nomeasse pintor da Corte. Os anos entre o seu retorno e a sua viagem aos Países Baixos são comumente divididos pelo tipo de trabalho no qual estava principalmente ocupado. Esses cinco anos, 1507 – 1511, são predominantemente os anos em que pintou mais em sua vida, trabalhando com um grande número de estudos e desenhos preliminares. Produziu aqueles que foram considerados seus quatro melhores trabalhos: Adão e Eva (1507), Virgem com Íris (1508), A Ascensão da Virgem (1509) e Adoração da Trindade por todos os Santos (1511). Durante este período, completou também a série de xilogravuras da Grande Paixão e da Vida da Virgem, ambas publicadas em 1511, juntamente com uma segunda edição das cenas do Apocalipse.

02

Dürer gravurista e pintor

É considerado pela crítica que a força da obra de Dürer reside mais no seu trabalho enquanto desenhador e gravador do que no de pintor. Enquanto que o desenho transmite monumentalidade às figuras, a pintura é mais fruto de um trabalho minucioso e esforçado que de génio espontâneo. Isso reflete, aliás, o interesse que sempre manifestou pela forma, pela geometria e pelas proporções matemáticas. Assim acontece com as suas duas obras mais famosas no que diz respeito à pintura: a "Adoração dos Magos" de 1504, onde o desenho se sobrepõe a tudo, seja na monumentalidade do espaço arquitetónico e na perspetiva, seja nos objetos, seja nos pormenores naturais do escaravelho, das borboletas ou das plantas e os "Quatro Apóstolos" ou "Quatro Temperamentos", realizado em Munique em 1526, onde é a figura humana que toma a primazia na sua riqueza psicológica. Os desenhos, aguarelas e guaches (por vezes combinados) são também dos mais apreciados na sua obra, incluindo estudos de animais como a Lebre jovem, a Pequena Coruja, várias naturezas mortas e estudos de plantas (Raminho de violetas ou o O Grande Tufo de Ervas), ou seções anatómicas (Asa de uma rola). Dürer executou um grande número de esboços ou estudos preparatórios das suas pinturas e gravuras, muitos dos quais ainda existem, incluindo o famoso Betende Hände ("Mãos que oram"), c. 1508, Albertina, Viena), que não é mais que um estudo para um apóstolo do retábulo Heller.

03

Dürer arquiteto

Grande teórico da cidade do Renascimento, foi o primeiro fora da Itália. Publicou em 1527, em Nuremberga, o Tratado sobre fortificação de cidades, vilas e castelos, onde apresenta um esquema de uma cidade ideal quadrada, opondo-se ao ponto de vista de maior parte dos tratadistas italianos, como Barbaro, Filarete, e até Vitrúvio, cujo texto da Antiguidade é referido como obra-prima para estes arquitectos e urbanistas ("Clássico Anticlássico").

04

Obras de destaque

Museus

Dürer fez numerosos desenhos preparatórios, especialmente para suas pinturas e gravações, e muitos desses rascunhos sobreviveram, sendo o mais famoso Betende Hände ("Mãos em Oração", c. 1508), um estudo para um apóstolo no altar de Heller. Ele também continuou a fazer imagens em aquarela, incluindo algumas naturezas mortas, a Jovem Lebre (1502) e Grande relva (1503).

05

Homenagens

Foi dado o nome Dürer a uma cratera na superfície do planeta Mercúrio.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando