António Teixeira Rebelo
António Teixeira Rebelo, foi um Fidalgo da Casa Real, Conselheiro, Comendador da Ordem de Avis, marechal de campo, ministro e secretário de Estado, fundador e primeiro director do Real Colégio Militar, em 3 de março de 1803, então ainda designado por Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte e que era conhecido por Colégio da Feitoria.
Em 1792 foi nomeado comandante da 2ª Divisão de Artilharia da Brigada Auxiliar que foi enviada para a Campanha do Rossilhão, tendo sido igualmente nomeado para o comando da 1.ª Divisão de Artilharia, José António da Rosa (colega de curso de Teixeira Rebelo na Academia Real de Marinha), ficando ambos sob a direção do Marechal de campo D. Francisco Xavier de Noronha, num total de 456 homens. Em 3 de junho de 1793 assina um "Projeto de uma equipagem para campanha onde se dá conhecido o número e a qualidade das bocas de fogo e seis regimentos de Infantaria, supõem-se serem maus os caminhos e encontrar alguma pequena fortaleza que seja preciso bater", contendo ainda relação de "Ferramentas, apetrechos, munições, cavalos, carros e gente para esta equipagem". Distinguiu-se em campanha, sobretudo na ação de 29 de maio de 1794, onde em conjunto com os restantes artilheiros que comandava conseguiu elevar notavelmente duas peças de artilharia onde nunca se tinha pensado que aquele tipo de peça poderia ir, fazendo com ela progressos notáveis que motivaram elogio público do Tenente General John Forbes, tendo igualmente se notabilizado na resolução de problemas logísticos. Durante a expedição foi responsável pelo estabelecimento e administração dos hospitais, pelo provimento dos transportes para os parques e, quase no fim da luta, a seu pedido, obteve autorização do governo de Madrid para, nos estabelecimentos de Barcelona, fundir peças e construir reparos e palamentas para substituir o material de artilharia em uso e que fora perdido pelo exército espanhol. Aproveitando essa ocasião, recolheu dos arquivos desses estabelecimentos fabris os planos que julgou convenientes para o desenvolvimentos na artilharia portuguesa.
Nascimento e infância (1750-1764)
António Teixeira Rebello nasceu a 17 de dezembro de 1750 no lugar do Silhão na Cumieira, uma pequena aldeia do concelho de Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real. Era o segundo de quatro filhos de Luís Teixeira e de sua mulher Emerenciana Rebelo, trabalhadores agrícolas, possivelmente ligados à vinicultura, sendo o primeiro José Luis Teixeira Rebelo, a terceira Isabel Teixeira Rebelo e a quarta Luísa Teixeira Rebelo. Seus pais, trabalhadores agrícolas, confiaram desde cedo a sua educação aos cuidados do sacerdote da paróquia de Louredo que, para além das primeiras letras e da gramática portuguesa, o iniciou no estudo da gramática latina e da filosofia.
O Regimento de Artilharia do Porto (1764-1780)
Em Portugal, pode dizer-se que a organização da artilharia portuguesa, como "arma", deu os seus primeiros passos desde a Restauração em 1640, até à criação dos "troços" em 1765, mas praticamente só teve início nos princípios do século XVIII, com o decreto de 20 de Fevereiro de 1708, que transformou o "Troço de Artilheiros da Província do Alentejo" no "Regimento de Artilharia da Província do Alentejo" ou, como ainda era designado, "Regimento de Artilharia de Estremoz". Seguiu-se a criação de novas Unidades: em 22 de Dezembro de 1718, o "Regimento de Artilharia e Marinha do Reino do Algarve", também conhecido pelo nome de "Regimento de Artilharia de Lagos"; alguns anos mais tarde, em Abril de 1762, o "Regimento de Artilharia da Corte e Província da Estremadura" ou "Regimento de São Julião" e, em Setembro de 1763, o "Regimento de Artilharia do Porto".
O Regimento de Artilharia do Reino do Algarve (1774-1780)
Em setembro de 1774, James Ferrier é incumbido da organização do Regimento de Artilharia do Reino do Algarve, deixando o Regimento de Artilharia do Porto, em Valença, e atravessando todo o país em direção a Sul, onde ficara encarregado de instalar tal força, junto do Castelo de Faro - tarefa que viria a concluir nos inícios do ano de 1775. O Regimento de Artilharia do Reino do Algarve, como os outros de artilharia, de acordo com o alvará de 1766, viria a ser constituído por 12 companhias: 9 companhias de artilheiros; 1 companhia de bombeiros (constituída pelos soldados de engenharia que combatiam à superfície, realizando trabalhos de implementação no terreno e escavação de trincheiras); 1 companhia de mineiros (constituída pelos soldados que combatiam debaixo de terra, construindo minas ou contra-minas, as quais consistiam em túneis destinados, respetivamente, ao ataque subterrâneo a fortificações e à defesa contra esses tipos de ataques); e 1 companhia de artífices e pontoneiros (estes últimos, soldados especializados em operações de transposição de cursos de água, mediante recurso à construção de pontes e barcas). Como nos regimentos de infantaria, a 1.ª, 2.ª e 3.ª companhias eram respetivamente comandadas pelo Coronel, Tenente-Coronel e pelo Sargento-Mor (isto até 1796).
A Academia Real de Marinha (1780-1783)
Obtém licença, em 1780, para vir a Lisboa ingressar nas lições do Curso de Matemática da Academia Real de Marinha fundada um ano antes, pela Rainha D. Maria I, e que funcionava no antigo Noviciado da Cotovia, onde também funcionava o Real Colégio dos Nobres. A Academia Real de Marinha tinha como objetivo ministrar um curso de matemática, destinado à formação dos oficiais e pilotos da Marinha Real e da marinha mercante, bem como à preparação científica para o acesso ao curso de engenharia militar. O curso de matemática incluía as cadeiras de aritmética, de álgebra e de navegação, realizadas respetivamente, no primeiro, segundo e terceiro anos. Na primeira era ensinada aritmética, geometria, trigonometria plana e os princípios elementares da álgebra. Na segunda era ensinada a continuação da álgebra, o cálculo diferencial, o cálculo integral, a estática, a dinâmica, a hidrostática, a hidráulica e a ótica. Na terceira, era ensinada a trigonometria esférica e a arte da navegação teórica e prática. No que se refere aos compêndios usados no curso de matemática, existia uma tendência inicial para seguir o matemático francês Étiene Bézout.
O Regimento de Artilharia da Corte (1785-1797)
António Teixeira Rebelo foi transferido em 1785 para o Regimento de São Julião, ou Regimento de Artilharia da Corte, onde em 25 de setembro de 1785 seria promovido a 1.º Tenente da companhia de mineiros e, dois anos mais tarde, em 9 de agosto de 1788, a Capitão da 9.ª Companhia. À sua entrada no novo Regimento, reencontra como seu comandante Christian Frederich von Weinholz, o qual, também como ele, havia servido no Regimento de Artilharia do Algarve, tendo assumido aquele comando em 1783, e vindo-o a desempenhar até 1789, aquando a sua morte.
O Tratado de Artilharia de John Muller (1793)
Em 1 de setembro de 1793 ascendeu ao posto de Major agregado, posto a que chegou, como os anteriores, por meio de exames entre os candidatos, ou como se dizia naquele tempo por oposição. Publicou nesse mesmo ano a tradução do inglês do Tratado de Artilharia, de Johann Wilhelm Christian Muller (1752-1814), obra que versava sobre a construção de peças de artilharia, suas medidas e capacidades, movimentações, munições, armazenamento e uso a bordo de navios. Dada a sua importância, a versão traduzida por António Teixeira Rebelo, que se imprimiu em 2 tomos com estampas, pode considerar-se uma obra original pelas correções e aditamentos que lhe fez o tradutor, tendo sido adotada pela recém fundada Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho.
Em janeiro de 1826, é entregue ao Colégio Militar um retrato do Marechal de Campo António Teixeira Rebelo, oferecido e pintado pelo então professor de desenho do Colégio, o hoje quase desconhecido Vicente Pires da Gama (?- 1839), para que fosse colocado numa das salas do Colégio Militar. A Gazeta de Lisboa refere o acontecimento: «No dia 22 do corrente, o Real Collegio Militar consagrou á Memoria do seu primeiro Director o Marechal de Campo Antonio Teixeira Rebello, hum quadro com o retrato daquelle Oficial General, pintado pelo Substituto de Desenho do mesmo Real Collegio, Vicente Pires da Gama, que espontaneamente se offerecêra para o fazer. «Tinhão sido convidadas, para assistirem a esta acção tocante, as pessoas, que mais particularmente havião cultivado a amizade de S. Exc. Depois de se ter feito solemnemente, na Sala dos Actos, a exposição do quadro, em presença dos Convidados, do Estado Maior do Collegio, do Corpo Instructivo, e do Corpo Collegial, que se achava em armas; o actual Director repetio, por esta occasião, hum artigo Necrologico.» Acabada a solemnidade, o quadro ficou exposto todo o dia naquelle local, do qual foi depois transferido para huma das Salas immediatas, onde deve permanecer.».


