Pesquisa · Mapa mental

Antianticomunismo

Antianticomunismo foi a denominação dada a uma posição ideológica empregada contra o que se considerava abusos cometidos pelos anticomunistas. Nos Estados Unidos, o antianticomunista surgiu em um contexto de graves excessos cometidos durante o macartismo e suas "listas negras", particularmente entre jornalistas e profissionais da indústria cinematográfica de Hollywood, e, alimentado por excessos posteriores do anticomunismo, perdura até a atualidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
01

Histórico

Embora o uso da expressão esteja fundamentalmente ligado a história dos Estados Unidos da América a partir do início dos anos 1960, e ao período pós-macartista, ela também foi empregada no Brasil, notadamente pelo pensador católico Gustavo Corção, que em 25 de junho de 1961 publicou no Diário de Notícias do Rio de Janeiro um artigo denominado "O Anti-anticomunismo", sobre um manifesto emitido pela PUC. O antianticomunismo tem uma história entrelaçada com o movimento antifa desde as suas origens. O movimento antianticomunista foi enfrentado no Brasil na década de 1970 pela organização de inspiração católica Tradição, Família e Propriedade, fundada por Plinio Corrêa de Oliveira. Esse enfrentamento da TFP foi apoiado, entre outros, pelos jornalistas Alexandre von Baumgarten e Lenildo Tabosa Pessoa.

02

O antianticomunismo pelos anticomunistas

Lewy, no capítulo "The Revival of Anti-anticommunism" do seu livro,assinala ainda que além de ser em parte uma reação antimacartista, o antianticomunismo era também uma defesa indireta do comunismo, levada a cabo nos anos 1960 por pessoas como J. William Fulbright, Martin Luther King, Jr. e, principalmente, por Lillian Hellman. Filmes como The Front (de Woody Allen – 1976), Seeing Red: Stories of American Communists, The Romance of American Communism e The Killing Fields, seriam, em maior ou menor grau, apologias ao stalinismo. No meio acadêmico, livros como The Great Fear de David Cante e No Ivory Tower: McCarthyism and the Universities, de Ellen W. Schrecker, desempenhariam papel similar. Lewy, contudo, conclui afirmando que o antianticomunismo estava restrito aos círculos intelectuais e que era majoritariamente rejeitado pela população em geral. Críticos como o ex-marxista David Horowitz encaram a definição "antianticomunista" como essencialmente negativa, desde os primórdios do seu uso pela Nova Esquerda. Segundo Horowitz,

Comunistas em Hollywood

A influência comunista em Hollywood que teria começado a se fazer sentir a partir de meados dos anos 1930 pela ação do CPUSA (o Partido Comunista dos Estados Unidos da América), se jamais chegou a ditar o ritmo e o tom das grandes produções da "Meca do Cinema", teria tido sucesso em, ao menos, obstar a produção de filmes anti-soviéticos. O CPUSA teria não só auxiliado na criação do prestigioso Screen Writers Guild [en] (o sindicato dos roteiristas) como do próprio Story Analysts Guild, a associação encarregada de analisar e julgar roteiros antes que estes entrassem em produção. Segundo declarou Dalton Trumbo no periódico oficial do Partido, The Worker, o resultado deste trabalho foi o de que obras como Darkness at Noon e The Yogi and the Commissar de Arthur Koestler; I Chose Freedom, de Victor Kravchenko e Bernard Clare de James T. Farrell [en], jamais chegaram às telas. O Partido teria ainda lançado campanhas difamatórias contra artistas não-comunistas (e não simpatizantes), tais como Barbara Stanwyck, Lana Turner e Bette Davis.

03

A defesa do antianticomunismo

No ensaio "Anti Anti-Relativismo", o antropólogo Clifford Geertz defende a tese de que, em determinados contextos, a dupla negação (a "negação da negação") não é o mesmo que a afirmação original. Exemplifica isto citando o antianticomunismo durante a Guerra Fria: "aqueles de nós que se opuseram incansavelmente ao que, de nosso ponto de vista, parecia uma verdadeira obsessão com a Ameaça Vermelha, foram então contemplados, pelos que a viam como o fato primordial da vida política contemporânea, com a insinuação – absurdamente incorreta na imensa maioria dos casos – de que, pela lei da dupla negação, tínhamos alguma afeição secreta pela União Soviética". Portanto, ser crítico do macartismo (antianticomunista) não significaria ser partidário ou simpatizante do comunismo, mas apenas, contrário ao anticomunismo e suas ideias. Ativistas como Staughton Lynd deram ao antianticomunismo uma conotação positiva e um legado. Em Living Inside Our Hope: A Steadfast Radical's Thought on Rebuilding the Movement, ele relembra algumas das coisas nas quais acreditava nos anos 1960 e que acredita serem ainda verdadeiras nos dias de hoje: não-violência (recusa consciente ao ato de matar), democracia participativa e "ativismo consciente", um modo de se contrapor ao anti-intelectualismo então vigente e de transformar o mundo, em vez de apenas interpretá-lo.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando