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Anti-intelectualismo

Anti-intelectualismo descreve um sentimento de hostilidade em relação a, ou suspeição de, intelectuais e seus objetos de pesquisa. Isto pode ser expresso de várias formas, tais como ataques aos méritos da ciência, educação, arte ou literatura.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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Demonstração

Anti-intelectualismo geralmente é expressado nas comunidades por declarações de "diferença", isto é, os intelectuais são ditos como "não sendo um dos nossos". Estes que desconfiam de intelectuais, os representam como um perigo para a normalidade, insistindo que se tratam de estranhos com pouca empatia pelas pessoas comuns. Isto historicamente resultou em intelectuais sendo retratados como membros arrogantes de um diferente grupo social. Em comunidades rurais, por exemplo, intelectuais talvez sejam vistos como "invejosos da cidade" que conhecem pouco do vilarejo e seus modos. É também comum para comunidades tachar intelectuais como estrangeiros ou membros de minorias étnicas, como por exemplo, asiáticos. Juntamente com isto, intelectuais podem ser vistos como sujeitos a instabilidade mental, com seus críticos insistindo na existência de uma correlação médica entre insanidade e genialidade. Comunidades com forte fé religiosa, talvez, se aventurem a vincular intelectuais com a promoção do ateísmo, enquanto os modos sexuais dos intelectuais também são colocados em dúvida, onde são suspeitos de promiscuidade, são relacionados a homossexualidade ou falta de interesse por sexo. Notavelmente, quem condena intelectuais tende vinculá-los não com apenas uma, mas uma combinação destas características.

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Causas

Crenças anti-intelectuais podem surgir de uma variedade de fontes. Estas incluem:

Religião

Apesar de uma variedade de religiões promoverem o intelectualismo, existem algumas tendências nos tempos modernos e clássicos de fomentar sentimentos anti-intelectuais. Isto ocorre primariamente em grupos fundamentalistas. Quando uma doutrina religiosa inclui declarações sobre a história natural ou humana, dogmas sobre textos sagrados e outras matérias, estas declarações podem ser investigadas por um pesquisador externo. Por exemplo, uma declaração sobre a idade de um artefato religioso pode ser testada por testes de carbono 14 ou um texto teológico ser logicamente examinado. Se este tipo de investigação é promovida, o resultado pode ser conflito em relação ao quanto a doutrina percebe a investigação como estando em conformidade ou não com a religião.

Políticas autoritárias

Anti-intelectualismo é por vezes utilizado por ditadores ou por aqueles que estão tentando estabelecer uma ditadura. Intelectuais são vistos por regimes totalitários como uma ameaça, graças a tendência destes ao questionamento das normas sociais existentes e de dissentir da opinião estabelecida. Retaliações violentas são comuns durante regimes autoritários, além de a negação ao nacionalismo promovida por intelectuais, torna-os sujeitos a retratação como não patrióticos e subversivos. Em ditaduras mais extremas, como a do comunista Khmer Vermelho, liderada por Pol Pot, promoveu-se o assassinato de qualquer um que dispunha de ensino superior ao rudimentar. Sob o domínio do Khmer pagodes, teatros, cinemas, museus e bibliotecas do Camboja viraram chiqueiros para porcos. Além do fechamento de bibliotecas públicas e demais locais de estudo, outras expressões de repreensão aos intelectuais são o isolamento deles e de cientistas do mundo, e até mesmo declarações oficiais de que intelectuais são sujeitos a problemas mentais e há a necessidade de os isolar em instituições psiquiátricas. Adicionalmente, intelectuais em países com regimes autoritários estão sujeitos a condenações populares e são usados como bode expiatório para canalizar a raiva do povo.

Populismo

Populismo pode ser visto como outra fonte de anti-intelectualismo. Neste contexto, intelectuais são apresentados como elitistas e enganadores cujo conhecimento e habilidades retóricas devem ser temidos, já que podem ser utilizados para manipular as pessoas médias, que por sua vez são tidas como a idealização do regime e fonte de virtude. Pessoas com ideais populistas geralmente apoiam que as necessidades de conhecimento sejam reguladas pelas pessoas, alegando que educadores precisam trabalhar em linha com as políticas de mandatários. De maneira similar, a curiosidade e a objetividade dos intelectuais sobre países estrangeiros e crenças são retratados como falta de patriotismo ou honestidade moral, e intelectuais são muitas vezes tidos como suspeitos por ter opiniões estrangeiras, possivelmente subversivas.

Problemas com o sistema educacional

O sistema educacional pode servir como ferramenta poderosa em formar a cultura de uma nação. Em países de língua inglesa, particularmente Estados Unidos e Reino Unido, as escolas e universidades são algumas vezes criticadas por serem excessivamente 'intelectualistas', portanto, falhando em preparar os jovens propriamente para serem membros da sociedade. Alguns comentadores, como John Tierney, acredita que as escolas fundamentais e secundárias, pelo menos nos Estados Unidos, colocam um excesso de ênfase na igualdade de resultados em detrimento da capacidade de produção intelectual do indivíduo. Nesta visão, a ênfase acaba por levar a mentalidade "Harrison Bergeron" e um excesso de simplificação do currículo escolar.

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Anti-intelectualismo no mundo

Anti-intelectualismo nos Estados Unidos

A cultura popular do século XIX é importante na história do anti-intelectualismo americano. Naquela época, quando a vasta maioria da população vivia no campo, executando trabalho manual e agricultura, educação pelos livros, que na época era voltada para os clássicos, era visto como de pouco valor. O século XIX predominantemente valorizava o homem de sucesso, com estudo da vida e experiência, em vez de intelectuais onde o conhecimento foi adquirido por estudos formais e livros. Em 1843, Bayard R. Hall escreveu sobre Indiana, que "nós sempre preferimos um homem ruim ignorante do que um talento, dai as tentativas usualmente feitas para arruinar o moral de um candidato inteligente; já que a inteligência infeliz e a imoralidade supostamente andam juntas, assim como incompetência e bondade". Ainda assim, existia a possibilidade de "perdão" de alguém inteligente adotasse a "inteligência popular". Um personagem de O. Henry notou que quando um graduado da Costa Leste dos Estados Unidos larga de ser orgulhoso, ele daria um bom cowboy como qualquer outro jovem homem.

Anti-intelectualismo fascista

Os fascistas rejeitaram o tipo de intelectual liberal-democrático por seu distanciamento da "vida vivida", repugnando-os por não exercerem uma "função" e, portanto, não contribuírem para o poder e a unidade do Estado nacional. É feita uma distinção entre "intelectual ativo" e "intelectual passivo". Para Giovanni Gentile, considerado o filósofo do fascismo, o fascismo “não luta contra a inteligência, mas contra o intelectualismo, que é ... a doença da inteligência”. Os fascistas consideravam que a norma burguesa estava associada a um estilo de vida sedentário, ao individualismo, à plutocracia e a exploração econômica do proletariado e das nações proletárias. Para contrariar o “intelectual passivo”, que utilizava o seu intelecto de forma abstracta e portanto “decadente”, foi proposto o “pensamento concreto” do “intelectual activo” que aplicava o intelecto com a práxis, o “homem de acção”. O "intelectual passivo", para os fascistas, estagnou o intelecto ao objetificar as idéias, estabelecendo-as como objetos. Daí a rejeição da lógica materialista por parte do fascismo.

Anti-intelectualismo nazista

Os ideólogos nazistas tinham um pensamento antiintelectual relacionando a figura do intelectual com a do judeu. Realizou-se uma campanha para queimar livros considerados subversivos ou que representassem ideologias contrárias ao nazismo. Esses livros incluíam escritos judaicos, comunistas, socialistas, anarquistas, liberais, pacifistas, religiosos e sexológicos, entre outros.

Anti-intelectualismo religioso

O anti-intelectualismo asiático possui profundas raízes. Até Tao Te Ching orientava os líderes para manter seus servos "com a barriga cheia e mente vazia" e que "ignorância é melhor que o conhecimento" entre as pessoas. Adicionalmente, Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China, foi responsável por uma das mais proeminentes demonstrações de anti-intelectualismo, por desconfiar dos escolares e forçando as pessoas educadas ao trabalho, além de queimar textos escritos por historiadores ou por escolares confucianos. O regime revolucionário da nova República Islâmica do Irã também demonstrou grande anti-intelectualismo em suas políticas. Além da grande emigração de muitos intelectuais no inicio da revolução iraniana, o governo decretou em 1980 que todas as universidades fossem fechadas até que o currículo fosse "purificado" do legado de Reza Pahlavi. O banimento da educação superior persistiu até 1982. Também, a atitude repressiva do regime contra a intelligentsia iraniana é bem conhecida, incluindo a execução do poeta Said Soltanpour em 1981.

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Fontes consultadas

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