Alexandre von Baumgarten
Alexandre von Baumgarten foi um escritor e jornalista brasileiro, com passagens pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) durante a ditadura militar. Sua vida foi marcada pelo mistério de seu assassinato em 1982, possivelmente ligado às informações contidas em seu livro 'Yellow Cake', que detalhava operações secretas de tráfico de urânio.
Pontos-chave
- Alexandre von Baumgarten foi jornalista, escritor e agente do SNI.
- Seu livro 'Yellow Cake' abordava o tráfico de urânio do Brasil para o Oriente Médio.
- Foi sequestrado e assassinado em 1982, com seu corpo encontrado com marcas de tiros.
- Um dossiê atribuído a ele acusava oficiais do SNI de planejar seu assassinato.
- A investigação de sua morte envolveu testemunhos e processos judiciais, sem conclusões definitivas sobre os executores.
Alexandre von Baumgarten atuou como agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão central da polícia política durante a ditadura militar brasileira. Ele escreveu o livro 'Yellow Cake', publicado postumamente em 1985 como um encarte especial da revista Status. A obra, embora apresentada como ficção, narrava uma operação fictícia de tráfico de urânio do Brasil para o Oriente Médio, detalhando um esquema clandestino envolvendo o então governador Paulo Maluf e oficiais do SNI para contrabandear yellowcake para o Iraque. O livro é baseado em fatos verídicos, com o desaparecimento de algumas páginas do manuscrito original após a morte do autor. O yellowcake, material composto de urânio purificado, é essencial para a produção de energia nuclear e, segundo o livro, foi objeto de contrabando.
Em 25 de outubro de 1982, Alexandre von Baumgarten, sua esposa Janete Hansen e o barqueiro Manoel Valente foram sequestrados na Praça XV, no Rio de Janeiro, e levados para alto-mar. O corpo de Baumgarten foi encontrado na Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, com três tiros na cabeça e um no abdômen. Janete Hansen e Manoel Valente desapareceram, e dois corpos carbonizados encontrados em Teresópolis não foram identificados como sendo deles. O apartamento de Baumgarten em Ipanema pertencia a Ronald Levinsohn, proprietário do Grupo Delfin, conhecido por oferecer vantagens a jornalistas.
Poucos dias antes de sua morte, Alexandre von Baumgarten teria elaborado um dossiê que implicava membros do SNI em um plano para assassiná-lo. Este dossiê foi divulgado pela revista Veja uma semana após a intervenção federal nas empresas do Grupo Delfin. O Dossiê Baumgarten acusava os coronéis do SNI Ary Pereira de Carvalho e Ary de Aguiar Freire de participarem da reunião que decidiu pela morte do jornalista. No entanto, a participação de oficiais do SNI no assassinato nunca foi comprovada judicialmente.
A investigação sobre a morte de Alexandre von Baumgarten baseou-se, em parte, no testemunho de Jiló Polila, um bailarino que, apesar de problemas visuais, afirmou ter presenciado o sequestro de Baumgarten, sua esposa e o barqueiro. Essa versão, amplamente divulgada pela imprensa e pela polícia da época, levou ao processo contra o General Newton Cruz, que foi posteriormente absolvido em 1992.
Alexandre von Baumgarten buscou relançar a revista 'O Cruzeiro', de propriedade dos Diários Associados, com o objetivo de criar uma corrente de opinião pública favorável à ditadura militar. Ele adquiriu os direitos do título em 1979 e possuía um contrato de publicidade com a Capemi (Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente) no valor de Cr$ 12 milhões. Outros anunciantes incluíam órgãos ligados ao governo militar, como a Prefeitura de Santos, Nuclebrás, Pró-álcool, Superintendência da Zona Franca de Manaus, Sudene, Embraer e Correios. A Capemi, através de sua Agropecuária Capemi, teve um contrato com o IBDF para extração de madeira em área a ser inundada pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, um projeto que visava subsidiar polos minerais e metalúrgicos durante a ditadura.
O livro 'Yellow Cake' de Alexandre von Baumgarten descreve a venda ilegal de 27 toneladas de urânio brasileiro para o regime de Saddam Hussein, destinada a reabastecer reatores nucleares iraquianos. A operação teria contado com a participação do SNI, do proprietário da Engesa, José Luiz Whitaker Ribeiro, e do então governador Paulo Maluf. O yellowcake é um composto de urânio crucial para a produção de combustível nuclear e, potencialmente, para a fabricação de armas atômicas. A confirmação dessa venda ocorreu em 1991, após a Guerra do Golfo, quando inspetores da ONU encontraram o arsenal iraquiano. O livro também sugere que o General Otávio Aguiar de Medeiros, do SNI, atuava como agente do Mossad no Brasil e que, após um bombardeio israelense a instalações nucleares iraquianas em 1981, ele se reuniu com militares israelenses em Paris.


