Pesquisa · Mapa mental

Anticomunismo

Anticomunismo é um movimento político e ideológico contrário ao comunismo. Tem sido proeminente em movimentos de resistência contra o comunismo sob estados socialistas governados por partidos comunistas ao longo da história. O anticomunismo organizado se desenvolveu após a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia e alcançou dimensões mundiais durante a Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma rivalidade intensa. O anticomunismo tem sido um elemento de movimentos que sustentam muitas posições políticas diferentes, incluindo conservadorismo, fascismo, liberalismo, nacionalismo e social-democracia, bem como pontos de vista anarquistas ou libertários e até socialistas e anti-stalinistas de esquerda.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
01

Divisões

Anticomunismo liberal

Políticos e intelectuais liberais condenaram a Revolução de Outubro e combateram os partidos comunistas, a quem acusavam de autoritarismo. Economistas filiados ao Liberalismo económico, como Hayek, Mises e Milton Friedman desenvolveram uma crítica teórica ao socialismo em geral, afirmando que qualquer política de justiça social e nacionalização de riquezas é uma ameaça à liberdade individual e prejudicial à eficiência econômica e tecnológica. O livre mercado, segundo os liberais, é o único sistema econômico compatível com a liberdade humana e com a moralidade. Os liberais vão mais longe, condenando toda redistribuição de riquezas como coercitiva. Por esta razão, os liberais opõem-se a toda a esquerda política, e não apenas aos partidos comunistas. Na Argentina e no Chile, as ditaduras militares de extrema-direita continuaram o liberalismo econômico, embora rejeitassem o liberalismo democrático.

Anticomunismo na Igreja Católica

O Magistério da Igreja Católica sempre condenou oficialmente qualquer forma de comunismo, porque o comunismo nunca poderá ser compatível com a Doutrina Católica. Em 1846, na encíclica Qui pluribus, o Papa Pio IX afirmou que o comunismo é "sumamente contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana." Em 1878, na encíclica Quod Apostolici muneris, o Papa Leão XIII disse que o comunismo é uma "peste mortífera, que invade a medula da sociedade humana e a conduz a um perigo extremo"; assim como Papa João Paulo II foi um duro crítico do comunismo. As posições anticomunistas dos Papas foram levadas a cabo na Itália pela Democracia Cristã (DC), o partido centrista fundado por Alcide De Gasperi em 1943, que dominou a política italiana durante quase cinquenta anos, até à sua dissolução em 1993, impedindo o Partido Comunista Italiano (PCI) de chegar ao poder.

Anticomunismo de extrema-direita

O anticomunismo era uma das bandeiras dos movimentos e regimes fascistas e salafistas, sendo estes vistos muitas vezes como uma reação ao crescimento dos movimentos socialistas e comunistas. Os fascistas justificavam seu anticomunismo como uma forma de defender a propriedade privada, a religião, o nacionalismo e a ordem social contra o internacionalismo, o ateísmo e a socialização dos meios de produção, defendidas pelos movimentos e teorias socialistas. O líder dos nazistas alemães, Adolf Hitler, alegava ainda que havia uma conspiração judaico-marxista internacional, e atribuía aos judeus tanto o marxismo dos partidos comunistas, socialistas e social-democratas, quanto o liberalismo. O anticomunismo de Hitler, portanto, mesclava-se com o preconceito antissemita e racista:

Esquerda anticomunista

Desde a divisão dos partidos comunistas dos socialista na Segunda Internacional, os socialistas democráticos e os social-democratas têm estado em conflito com o comunismo criticando-o por sua natureza antidemocrática. Exemplos de críticos de esquerda aos partidos comunistas, são Max Shachtman, George Orwell, Bayard Rustin, e Irving Howe, que era profundamente crítico dos abusos do capitalismo mas era ainda mais repelido pelo totalitarismo de esquerda na União Soviética, Cuba ou noutro local.

Anarquistas

Embora alguns anarquistas se descrevem como comunistas, praticamente todos os anarquistas criticam os Estados e os partidos comunistas autoritários. Eles argumentam que os conceitos marxistas, como a ditadura do proletariado e a propriedade pelo Estado dos meio de produção são anátema para o anarquismo. Alguns anarquistas criticam o comunismo a partir de um individualista ponto de vista. O anarquista Mikhail Bakunin debateu com Karl Marx na Primeira Internacional, argumentando que o Estado marxista é outra forma de opressão. Ele detestava a ideia de um partido governando as massas sem consultá-las. Ele também rejeitou fortemente o conceito marxista de "ditadura do proletariado", por manter o poder concentrado no estado.

Ex-comunistas

Muitos ex-comunistas transformaram-se em anticomunistas: Mikhail Gorbachev passou de comunista para social-democrata. Milovan Đilas, foi um político e escritor comunista na ex-jugoslava e que se tornou um proeminente dissidente e crítico do comunismo. Leszek Kołakowski foi um comunista polonês que se tornou um famoso anticomunista. Ele foi mais conhecido por suas análises críticas do pensamento marxista, especialmente a sua aclamada história em três volumes, "Principais Correntes do Marxismo", que é considerado por alguns como um dos livros mais importantes sobre a teoria política do século XX. The God That Failed é um livro de 1949 que recolhe seis ensaios com os testemunhos de uma série de famosos ex-comunistas, que eram escritores e jornalistas. O tema comum dos ensaios é a desilusão dos autores e ao abandono do comunismo.

02

História do anticomunismo

A ideologia conservadora de Joseph de Maistre, desde o século XIX, adotou uma oposição de princípio ao ateísmo, secularismo, racionalismo, revolução, hedonismo, democracia e socialismo, considerados pelos conservadores como produtos nefastos do Iluminismo. Os conservadores acreditam que a crítica racional à religião, à tradição e ao absolutismo produz apenas a dissolução da família, da moral, da propriedade privada e da ordem social e política. Contra isso, advogam o princípio da autoridade hierárquica. Os movimentos socialistas, comunistas e social-democratas foram alvos de críticas semelhantes. O político e escritor nazista Alfred Rosenberg criou a ideia de revolução conservadora.

Guerra Fria

Nas décadas subsequentes à Segunda Guerra Mundial, a política externa dos EUA assumiu explicitamente sua posição anticomunista, especialmente na presidência de Ronald Reagan, ainda que, nestes anos, jamais tenham cessado os diálogos diplomáticos entre este país e a URSS. O anticomunismo nas igrejas protestantes norte-americanas teve como um de seus principais representantes o evangelista Billy Sunday que, em certa oportunidade, defendeu o fuzilamento de comunistas. O conservador Pat Robertson também pode ser considerado anticomunista. Alguns analistas entendem que a origem desse sentimento residiria no fato de que o protestantismo foi duramente perseguido durante os regimes comunistas do Leste Europeu. Isso aconteceu, por exemplo, com o pastor romeno Richard Wurmbrand e com refugiados batistas e menonitas que fugiram da antiga União Soviética. O grupo anticomunista John Birch Society foi assim nomeado em homenagem ao missionário cristão John Birch (1918-1945), assassinado por comunistas chineses.

No Brasil

Alguns setores da Igreja Católica e movimentos afiliados (como a Tradição, Família e Propriedade) tiveram papel importante no repúdio ao comunismo no Brasil, principalmente nos anos pós-Segunda Guerra Mundial, respaldados pelo Decreto contra o Comunismo, promulgado em meados década de 40 pela Santa Sé. No âmbito literário Gustavo Corção, José Guilherme Merquior e Nelson Rodrigues se destacaram dentre os que fizeram oposição ao comunismo. O escritor, colunista e ex-comunista Olavo de Carvalho é considerado um notório anticomunista. Alguns outros jornalistas engajados na crítica ao comunismo são Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Percival Puggina e Felipe Moura Brasil. Ainda no jornalismo, o colunista Paulo Francis foi um grande expoente do conservadorismo e um dos mais fortes intelectuais anticomunistas do Brasil. Entre os políticos, o economista Roberto Campos foi um importante anticomunista.

03

Críticas

Alguns acadêmicos ocidentais argumentam que as narrativas anticomunistas exageraram a extensão da repressão política e da censura em estados sob regime comunista. Alguns, como Albert Szymanski, fazem uma comparação entre o tratamento de dissidentes anticomunistas na União Soviética após a morte de Stálin e o tratamento de dissidentes nos Estados Unidos durante o período do macarthismo, alegando que "no todo, parece que o nível de repressão na União Soviética no período de 1955 a 1980 estava aproximadamente no mesmo nível que nos Estados Unidos durante os anos de McCarthy (1947-1956)". Mark Aarons afirma que regimes autoritários de direita e ditaduras apoiadas por potências ocidentais cometeram atrocidades e assassinatos em massa que rivalizam com o mundo comunista, citando exemplos como o massacre na Indonésia de 1965-66 e as mortes associadas à Operação Condor em toda a América do Sul. Escrevendo na revista Current Affairs em outubro de 2017, o editor-chefe Nathan J. Robinson postula que se "as atrocidades soviéticas indiciam o socialismo", então "a crença consistente e baseada em princípios" sustentaria que "o apoio dos Estados Unidos à morte de 500 000 comunistas indonésios acusa a democracia capitalista americana".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando