WALL-E
WALL-E é um filme de animação americano de 2008 produzido pela Pixar Animation Studios e dirigido por Andrew Stanton. A história segue um robô chamado WALL-E, criado no ano de 2100 para limpar a Terra coberta por lixo. Ele se apaixona por um outro robô, chamado EVA, que tem a missão de encontrar pelo menos uma planta na superfície do planeta Terra. Ele a segue para o espaço em uma aventura que irá mudar seu destino e o destino da humanidade.
O filme se passa no ano de 2805, época em que a Terra é um planeta abandonado e coberto por lixo, resultado de décadas de consumismo em massa, facilitado pela megacorporação Buy-n-Large (BnL). Desistindo de restaurar o ecossistema, a BnL evacuou a Terra, levando a população a viver no espaço em uma nave estelar chamada Axiom, totalmente automatizada, deixando no planeta apenas um exército de robôs compactadores de lixo chamados "WALL-E" para limpeza durante um período de cinco anos. Entretanto, no ano de 2110, o ar da Terra se tornou muito tóxico para suportar a vida, forçando a humanidade a permanecer no espaço indefinidamente. No começo do filme, apenas uma unidade WALL-E permanece ativa, tendo desenvolvido personalidade própria, e desenvolvendo também personalidades humanas, o hábito de coletar vários artefatos do lixo enquanto realiza seu trabalho e se tornando amigo de uma barata. Um dia, WALL-E descobre uma pequena planta crescendo em meio ao lixo e a leva para casa, em um depósito.
Roteiro
DE VOLTA PARA M-O E WALL-eM-O termina de limpar o chão.Wall-E está fascinado.Maliciosamente faz outra marca.M-O (bipa): [Olhe, continua limpo. Entendeu?]Wall-e enxuga a parte de baixo de sua esteira no rosto de M-O.M-O perde o controle.Esfrega seu próprio rosto. Stanton escreveu o roteiro para se focar nos visuais e como umguia para os efeitos sonoros necessários. Andrew Stanton concebeu WALL-E durante um almoço com os parceiros John Lasseter, Pete Docter e Joe Ranft em 1994. Toy Story estava quase completo e eles tiveram as ideias para os próximos projetos—A Bug's Life, Monsters, Inc. e Finding Nemo—nesse almoço. Stanton perguntou, "E se a humanidade tivesse de deixar a Terra e alguém se esquecesse de desligar o último robô?". Tendo lutado por anos para fazer os personagens de Toy Story parecerem atraentes, Stanton achou que sua simples ideia no estilo Robinson Crusoe de um robô solitário em um planeta deserto era muito forte. Stanton fez de WALL-E um coletor de lixo já que essa era uma ideia instantaneamente compreensível, e porque era um trabalho servil de baixa categoria que o fez simpático. Stanton também gostou da imagem de cubos de lixo empilhados. Ele não achou a ideia sombria porque ter um planeta coberto de lixo era, para ele, um desastre infantil.
Desenho de produção
WALL-E foi a produção mais complexa da Pixar desde Monsters, Inc. devido ao mundo e a história que precisava ser transmitida. Enquanto a maioria dos filmes da Pixar tem por volta de 75.000 storyboards, WALL-E precisou de por volta 125.000. O diretor de arte Ralph Eggleston queria que a iluminação do primeiro ato fosse romântica, enquanto o segundo ato na Axiom fosse frio e estéril. Durante o terceiro ato, a iluminação romântica é lentamente introduzida ao ambiente da Axiom. A Pixar estudou Chernobyl e a cidade de Sófia para criar um mundo arruinado; o desenhista de produção Anthony Christov era da Bulgária e lembra que Sófia tinha problemas em guardar seu lixo. Eggleston desbotou os brancos da Terra para fazer WALL-E parecer vulnerável. A luz superexposta faz a locação parecer mais vasta. Devido a bruma, os cubos que constituem as torres de lixo tinham de ser bem grandes, de outra forma eles perderiam o formato (em troca, isso reduzia o tempo de renderização). O castanho maçante da Terra sutilmente se torna rosas e azuis claros quando EVA chega. Quando WALL-E mostra à EVA seus itens colecionados, todas as luzes que ele colecionou se acendem criando uma atmosfera convidativa, como uma árvore de natal. Eggleston tentou evitar as cores amarela e verde para que WALL-E—feito de cor amarela para lembrar um trator—não se misturaria com a Terra deserta, e para fazer a planta mais proeminente.
Animação
WALL-E não foi desenvolvido durante a década de 1990 parcialmente porque Stanton e a Pixar ainda não estavam confiantes o bastante para fazer um filme cujo personagem principal se comportava como Luxo Jr. ou R2-D2. Stanton explicou que havia dois tipos de robôs no cinema: "humano[s] com pele de metal", como o Homem de Lata, ou "máquina[s] com finalidade", como Luxo e R2. Ele achou a segunda ideia "forte" porque permitia que o público projetasse personalidades nos personagens, como fazem com os bebês e animais de estimação: "Você está compelido... você quase não consegue parar de terminar a sentença 'Ah, eu acho que ele gosta de mim! Eu acho que ele está com fome! Acho que ele quer ir passear!'". Ele completa, "Nós queríamos que o público acreditasse que eles estavam testemunhando uma máquina que veio a vida". Os animadores visitaram estações de reciclagem para estudar as máquinas, e também se encontraram com desenhistas de robôs, visitaram o Jet Propulsion Laboratory da NASA para estudar os robôs, assistiram a gravações de um Mars rover, e pegaram emprestado um robô detector de bombas do Departamento de Polícia de San Francisco. A simplicidade foi preferida em suas performances já que dar muitos movimentos iria fazê-los parecer humanos.
Som
O produtor Jim Morris recomendou Ben Burtt como o desenhista sonoro de WALL-E porque Stanton ficava usando R2-D2 como uma referência para os robôs. Burtt havia terminado de trabalhar em Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith e disse à sua esposa que ele nunca mais iria trabalhar em filmes com robôs, porém achou WALL-E, e sua substituições de vozes por sons, "fresco e excitante". Ele gravou 2.500 sons para o filme, que era duas vezes o número médio de um filme de Star Wars, e um recorde em sua carreira. Burtt começou a trabalhar em 2005, e experimentou filtrar sua voz durante dois anos. Burtt descreveu suas vozes de robô "uma língua universal de entonação. 'Oh', 'Hum?', 'Ah!', sabe?".
Música
Thomas Newman colaborou com Stanton em WALL-E , após ambos já terem tido um bom relacionamento em Finding Nemo. Ele começou a escrever a trilha sonora em 2005, esperando que ao começar a tarefa cedo o deixasse mais envolvido com o filme final. Porém, Newman comentou que como a animação é tão dependente de programação, ele deveria ter começado a escrever a trilha mais cedo ou quando Stanton e Reardon ainda estavam trabalhado no roteiro. O tema de EVA foi arranjado pela primeira vez em outubro de 2007. Seu tema, quando tocado pela primeira vez, na cena em que ela voa pela Terra, originalmente usaria mais elementos orquestrais, e Newman foi encorajado a fazê-lo soar mais feminino. Newman disse que Stanton teve várias ideias sobre como ele queria que a música soasse, e o compositor geralmente tentou segui-las já que ele achou difícil o trabalho de compor para um filme parcialmente mudo. Stanton queria que toda a trilha fosse orquestral, porém Newman se achou limitado por essa ideia, especialmente nas cenas abordo da Axiom, indo usar eletrônicos também.
Stanton descreve o tema do filme como "amor irracional derrota a programação da vida": O diretor percebeu que muitos comentaristas colocaram ênfase no aspecto ambiental da complacência humana, porque "essa desconexão será a causa, indiretamente, de tudo que acontecerá de ruim na vida da humanidade ou do planeta". Stanton disse que ao tirar o esforço do trabalho, os robôs também tiraram a necessidade da humanidade de investir em relacionamentos. O jornalista cristão Rod Dreher viu a tecnologia como a complicada vilã do filme. O estilo de vida artificial dos humanos abordo da Axiom os separou da natureza, transformando-os em "escravos da tecnologia e de seus próprios apetites básicos, tendo perdido aquilo que os faz humanos". Dreher contrastou o trabalhador, e coberto de sujeira, WALL-E com os robôs limpos da nave. Porém, são os humanos que são os redundantes e não os robôs, e durante os créditos finais os humanos e os robôs trabalham juntos para reconstruir a Terra. "WALL-E não é um filme sobre o ludismo", disse ele, "Ele não demoniza a tecnologia. Ela só afirma que a tecnologia é usada adequadamente para ajudar os seres humanos a cultivar sua verdadeira natureza—que deve ser subordinada ao florescimento humano, e ajudá-lo a seguir em frente".
Lançamento
Continuando com a tradição da Pixar, WALL-E foi anexado com um curta para seu lançamento nos cinemas, Presto. O filme foi dedicado a Justin Wright, um animador da Pixar que trabalhou em Ratatouille e morreu de um ataque do coração antes do lançamento de WALL-E. A Walt Disney Imagineering (WDI) construiu WALL-Es animatrônicos para promover o filme, que fizeram aparições na Disneyland Resort, o Instituto Franklin, o Museu de Ciências de Miami, o Seattle Center e o Festival de Cinema Internacional de Tokyo. Por questões de segurança, os robôs de 317 kg sempre eram estritamente controlados e a WDI sempre precisava saber com o que exatamente eles precisavam interagir. Por essa razão, eles geralmente se recusavam fazer os WALL-Es encontrar e saudar crianças nos parques para o caso do robô passar por cima do pé de alguém. Aqueles que queriam tirar uma fotografia com o personagem deviam fazer isso com um boneco de papelão.
Bilheteria
WALL-E estreou nos Estados Unidos e Canadá em 3992 cinemas no dia 27 de junho de 2008. Durante seu fim de semana de estréia, chegou ao número um das bilheterias com 63 087 526 dólares, que é atualmente a sexta melhor estréia de um filme da Pixar, e a quinta melhor para filmes lançados em junho. O filme arrecadou 94,7 milhões de dólares em sua primeira semana, cruzando a marca dos 200 milhões em seis semanas. WALL-E arrecadou 223 808 164 dólares na América do Norte e 297 503 696 em outros territórios, para um total absoluto de 521 311 869 dólares.
Crítica
WALL-E foi aclamado pela crítica especializada. O site Rotten Tomatoes reporta que 96% dos críticos deram uma resenha positiva ao filme, baseado em uma amostra de 229 resenhas, com uma nota média de 8,5/10. O consenso é "charmoso, audacioso e oportuno, a magia despreocupada de WALL-E e seus visuais estelares confirmam mais uma vez a engenhosidade da Pixar". No agregador Metacritic, o filme possui um índice de aprovação de 94/100, baseado em 39 resenhas, indicando "aclamação universal". A indieWire elegeu WALL-E como o terceiro melhor filme do ano, baseado em uma pesquisa anual envolvendo 100 críticos de cinema, enquanto que o Movie City News mostrou que o filme apareceu em 162 listas diferentes de melhores do ano, de um total de 286 listas pesquisadas, o maior número de menções do que qualquer outro filme lançado em 2008.
Imagem: A l'origine · BY-SA · Openverse
WALL-E venceu o Meus Prêmios Nick 2008, Oscar de Melhor Filme de Animação (Andrew Stanton) e foi indicado para Melhor Roteiro Original (Andrew Stanton, Jim Reardon e Pete Docter), Melhor Trilha Sonora (Thomas Newman), Melhor Canção Original (Thomas Newman e Peter Gabriel por "Down to Earth"), Melhor Edição de Som (Ben Burtt e Matthew Wood) e Melhor Mixagem de Som (Tom Myers, Michael Semanick e Ben Burtt) no Oscar 2009. A Walt Disney Pictures também tentou uma indicação para Melhor Filme, porém sem sucesso, provocando controvérsias se a Academia deliberadamente restringiu WALL-E a categoria de Melhor Animação; Peter Travers comentou que "se alguma vez houve um momento quando um filme de animação merecia uma indicação a melhor filme, é WALL-E". Anteriormente, Beauty and the Beast foi o único filme de animação a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, em 1992. Um refletivo Stanton disse que não estava desapontado por ficar restringido a Melhor Filme de Animação porque ele estava maravilhado pela recepção positiva do filme, e eventualmente "A linha [entre animação e realidade] está ficando tão embaçada que acho que a cado ano vai ficar mais difícil dizer o que é um filme de animação e o que não é".


