A Origem
Inception é um filme estadunidense de 2010, dos gêneros ficção científica e ação, escrito, dirigido e produzido por Christopher Nolan. É estrelado por Leonardo DiCaprio, Elliot Page e Joseph Gordon-Levitt, além de Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Dileep Rao, Tom Berenger e Michael Caine. DiCaprio faz o papel de Dom Cobb, um ladrão especializado em extrair informações do inconsciente dos seus alvos durante o sonho. Incapaz de visitar seus filhos, Cobb tem a chance de vê-los em troca de um último trabalho: fazer a inserção, plantar a origem de uma ideia na mente de um rival de seu cliente.
Dom Cobb, juntamente com seu organizador e braço direito Arthur, estão em uma missão de invasão da mente do poderoso empresário japonês Saito usando uma técnica de espionagem industrial através dos sonhos. A dor é sentida nos sonhos, porém a morte leva a pessoa a acordar. Cobb carrega consigo um totem na forma de pião, que originalmente pertencia à sua falecida esposa Mal, para determinar se ele está sonhando ou não. A extração falha devido à intervenção de Mal, cujas lembranças assombram a mente de Cobb e sabotam suas missões. Saito revela que ele estava, na verdade, fazendo um teste para saber se a equipe tinha capacidade de fazer uma inserção, ou seja, usar os sonhos de uma pessoa para implantar a origem de uma ideia. Em troca, ele promete livrar todas as acusações de assassinato contra Cobb, se a missão for bem sucedida, para que ele possa rever seus filhos nos Estados Unidos. O alvo de Saito é Robert Fischer, filho do inimigo empresarial dele, Maurice Fischer. O objetivo é convencer Fischer a dividir o império do pai após a morte dele. Cobb recruta Eames, um falsificador capaz de mudar de aparência física dentro dos sonhos, Yusuf, um químico que formula sedativos, e Ariadne, uma estudante que ele e Arthur treinam para criar os cenários dos sonhos. Quando o velho Fischer morre em Sydney, Saito e a equipe dividem um voo com Robert Fischer para Los Angeles a fim de sedá-lo. Com Fischer inconsciente, eles entram no sonho de Yusuf, uma área metropolitana chuvosa, e sequestram Fischer. Entretanto, são atacados pelas projeções treinadas do inconsciente de Fischer, e Saito é ferido gravemente. Devido à influência dos sedativos e as múltiplas camadas de sonhos, a morte leva a pessoa para o limbo, um mundo de sonhos não construídos, por um tempo aparentemente indefinido. Cobb revela a Ariadne que ele passou anos no limbo com Mal, onde eles moldaram um mundo de acordo com suas ideias e que, ao acordarem, Mal ficou convencida de que eles ainda estavam sonhando e cometeu suicídio, incriminando Cobb para persuadi-lo a fazer o mesmo. Porém, ele fugiu dos EUA e das acusações.
Imagem: renesarli · BY · Openverse
Origens
Inception foi desenvolvido por Christopher Nolan, baseando-se na noção de "explorar a ideia de pessoas dividindo um espaço de sonhos. Isso te dá a habilidade de acessar o inconsciente de alguém. Como isso seria usado e abusado?" Ainda mais, ele pensou "extrair uma informação do cérebro de alguém seria o uso óbvio disso, porque computadores podem ser roubados... até certo ponto, ou até esse filme eu digo, a ideia de que alguém pode roubar algo da cabeça de outra pessoa era impossível. Então, para mim, pareceu fascinante o abuso e o mal uso dessa tecnologia." Nolan tirou inspirações dos trabalhos de Jorge Luis Borges. Nolan ficou pensando nessas ideias desde que tinha dezesseis anos, intrigado de como ele iria acordar e depois, quando se cai em um sono leve, saber e ter consciência de estar sonhando. Ele também teve consciência que poderia estudar o lugar onde se pode alterar os eventos do sonho. Ele disse, "Tentei trabalhar a ideia da manipulação e do arranjo de um sonho consciente ser uma habilidade que essas pessoa possuem. O roteiro é baseado nesses conceitos e experiências básicas."
Desenvolvimento
Inicialmente, Nolan escreveu um tratamento de 80 páginas sobre os ladrões de sonhos. Originalmente, Nolan via Inception como um filme de terror, porém eventualmente ele o re-escreveu como um filme de ação mesmo pensando que "eles são deliberadamente superficiais em termos emocionais." Enquanto revisava o roteiro decidiu que nesse gênero o filme não funcionava porque a história "se baseia fortemente na ideia de um estado interior, a ideia de sonhos e memória. Eu percebi e precisei aumentar os ganhos emocionais." Nolan trabalhou no roteiro por dez anos. Quando começou a pensar no filme, Nolan se inspirou em outras produções tais como The Matrix, Dark City e Memento, dizendo "são baseados nos princípios que o mundo a sua volta pode não ser real."
Filmagens
As filmagens principais começaram em Tóquio no dia 19 de junho de 2009, com a cena em que Saito contrata Cobb em um passeio de helicóptero pela cidade. A produção foi para o Reino Unido, em um hangar ao norte de Londres. Foi lá que o bar do hotel foi construído em um estrutura que podia ser virada até 30º. Um corredor de hotel foi construído pelo desenhista de produção Guy Hendrix Dyas, o supervisor de efeitos especiais Chris Corbould e o diretor de fotografia Wally Pfister. O corredor tinha a capacidade de virar 360º para criar o efeito de diferentes vetores da gravidade para as cenas onde a física do sonho fica caótica. A ideia foi inspirada por uma técnica semelhante usada por Stanley Kubrick em 2001: Uma Odisseia no Espaço. Nolan disse, "Eu fiquei interressado por essas ideias, técnicas e filosofias e aplicá-las em cenário de ação". Os cineastas planejaram um corredor de 12 metros de extensão, porém, quando a sequência ficou mais elaborada, cresceu para 30 metros. O corredor ficou suspenso por oito anéis concêntricos que foram espaçados equidistantemente e movimentados por dois motores elétricos gigantes. O ator Joseph Gordon-Levitt, que interpreta Arthur, passou várias semanas treinando no corredor. Nolan disse que o aparelho era "uma grande máquina de tortura, onde prendemos Joseph por semanas, porém, no final nós assistimos as filmagens e pareceu algo que nunca, nenhum de nós, tivesse visto antes. O ritmo é único e quando você assiste, mesmo sabendo como foi feito, tem confundidas suas percepções". Em 15 de julho de 2009, as filmagens foram na biblioteca da University College London. A placa na biblioteca foi mudada para "bibliothèque" ("biblioteca" em francês).
Efeitos visuais
Para as sequências de sonhos, Nolan manteve os efeitos gerados por computação no minímo e preferiu os métodos convencionais quando possível. O supervisor de efeitos visuais Paul Franklin construiu uma miniatura da fortaleza da montanha e a explodiu para o filme. Para as cenas sem gravidade ele usou a computação para sutilmente alterar elementos como espaço e tempo. O efeito mais difícil foi a Cidade do Limbo, porque foi sendo desenvolvida constantemente durante a produção. Franklin pediu para artistas construirem conceitos baseados na visão ideal de Nolan: "Algo glacial, com uma arquitetura claramente modernista, porém, se desfazendo como icebergs". Franklin e sua equipe criaram algo que "parecia uma versão iceberg de Gotham City". Eles criaram um modelo básico de um glacial e depois os desenhistas criaram um programa que adicionava elementos como ruas, intersecções e ravinas até terem uma cidade complexa e orgânica. Para a sequência onde as ruas de Paris se dobram, Franklin e sua equipe criaram desenhos conceituais e depois uma animação por computador básica, para dar uma ideia de como a sequência iria ficar. Durante as filmagens, Nolan usou essa animação para dirigir Leonardo DiCaprio e Elliot Page na locação. Inception teve aproximadamente 500 cenas com efeitos visuais, um número que é considerado baixo para os filmes épicos atuais que possuem por volta de 1 500 a 2 000 cenas com efeitos visuais.
Hans Zimmer compôs a trilha sonora do filme, sendo essa sua terceira colaboração com Christopher Nolan depois de Batman Begins e The Dark Knight, ambas em colaboração com James Newton Howard. Zimmer descreveu a trilha como algo "bem eletrônico". Nolan pediu que Zimmer terminasse a trilha durante as filmagens. Em certo ponto Zimmer incorporou uma guitarra e pediu a permissão de Nolan para ter Johnny Marr, antigo guitarrista da banda The Smiths, tocando na trilha. Nolan permitiu e Marr aceitou o pedido, passando 12 horas por dia trabalhando nas gravações. Para ganhar inspiração, Zimmer leu Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid, de Douglas Hofstadter. Enquanto escrevia o roteiro, Nolan usou a música Non, je ne regrette rien, de Edith Piaf, porém quase a tirou quando ele escalou Marion Cotillard para atuar no filme, que tinha vencido um Oscar por interpretar Piaf no filme La Môme. Zimmer convenceu Nolan a manter a música no filme e até usou algumas partes na trilha sonora.
Bilheteria
Inception foi lançado tanto em cinemas convencionais como IMAX no dia 16 de julho de 2010. Teve sua estreia mundial em Londres no dia 8 de julho. Arrecadou 23,7 milhões de dólares em seu dia de estreia e 62,7 milhões de dólares em seu primeiro fim de semana. Ficou em sua primeira, segunda e terceira semana como número um em bilheteria, até cair para segundo em sua quarta semana, sendo ultrapassado por The Other Guys. O filme arrecadou 292 587 330 dólares nos EUA e 546 794 568 milhões de dólares internacionalmente, para um total de 839 381 898 dólares. É o segundo filme de Christopher Nolan em arrecadação, atrás de The Dark Knight; e o segundo de Leonardo DiCaprio, atrás de Titanic. É o quarto filme de maior arrecadação do ano de 2010, atrás de Toy Story 3, Alice in Wonderland e Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I.
Crítica
O filme foi aclamado pelas críticas, e chegou a ser comparado com Matrix. Um dos aspectos repetidamente comentado de forma positiva pelos críticos, foi o bom trabalho realizado na edição entre as cenas e a trilha sonora, composta por Hans Zimmer. No site Rotten Tomatoes o filme possui um indíce de aprovação de 86%, baseado em 274, com uma média de 8/10. O consenso do Rotten Tomatoes é "Esperto, inovativo e emocionante; Inception é aquele raro blockbuster de verão que tem sucesso visceralmente e também intelectualmente". No site Metacritic o filme tem uma aprovação de 74/100, baseado em 42 críticas, indicando "críticas geralmente favoráveis". Pablo Villaça, do site Cinema em Cena, deu ao filme cinco estrelas de cinco, enaltecendo os aspectos técnicos do filme, as atuações, seu roteiro, direção e complexidade; dizendo que o filme permite "múltiplas conclusões" e que a narrativa não se perde em parar "periodicamente para mastigar os acontecimentos". Fábio Freire, do site Cinema com Rapadura, chegou a dizer, em sua análise, que o filme "é uma mostra da capacidade que o cinema tem de nos manipular por meio de imagens e sons e nos jogar sem pena em uma trama complexa e explosiva". Geo Euzébio, do site "Cineplayers", comparou o filme com Matrix, atribuindo-lhe uma nota 7 (em 10) e afirmando que "apesar da ótima premissa original sobre a expertise na manipulação dos sonhos, o filme se perde justamente na institucionalização de seu elemento narrativo mais forte, que é o procedimentosde inserção e permanência nos chamados sonhos compartilhados". Roberto Cunha, do site "Adoro Cinema", também viu no filme similaridades com Matrix e apontou o mesmo como forte concorrente ao Oscar 2010.


