Sérgio Vieira de Mello
Sérgio Vieira de Mello ONM foi um filósofo e diplomata brasileiro, funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) durante 34 anos e Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos desde 2002.
Sérgio Vieira de Mello era o segundo filho de Gilda dos Santos com o diplomata Arnaldo Vieira de Mello, posteriormente aposentado compulsoriamente pela ditadura militar no Brasil. Sérgio Vieira de Mello acompanhou o seu pai em várias missões pelo mundo. Depois de cursar o colegial no Colégio Franco-Brasileiro do Rio de Janeiro, estudou na Universidade de Paris (Sorbonne) onde obteve a sua licenciatura e o mestrado para o ensino em filosofia, em 1969 e 1970, respectivamente. Durante os quatro anos que se seguiram, Vieira de Mello prosseguiu seus estudos de filosofia na Universidade de Paris I, (Panthéon-Sorbonne), ao fim dos quais obteve um doutoramento do terceiro ciclo e, em 1985, o doutorado de estado em letras e ciências humanas, com a tese Civitas Maxima. Tornou-se funcionário da ONU em 1969 - mesmo ano em que seu pai, então cônsul-geral em Stuttgart, Alemanha, foi aposentado compulsoriamente dos quadros do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Passou a maior parte de sua vida trabalhando no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, ou ACNUR, em português), servindo em missões humanitárias e de manutenção da paz: em Bangladesh, durante sua independência, em 1971; no Sudão e em Chipre, após a Invasão por tropas turcas em 1974. Pelos três seguintes foi um dos principais responsáveis pelas operações de auxílio do ACNUR aos refugiados em Moçambique, que fugiam tanto do regime de apartheid na Rodésia quanto da Guerra civil na Rodésia. Em 1978 foi para o Peru, onde ficou como o representante do ACNUR para o norte do Continente Sul-americano.
Atentado terrorista
Em maio de 2003, foi enviado como representante oficial do Secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, país que estava mergulhado em um sangrento conflito. Em julho daquele ano, Sérgio fez parte de uma equipe que vistoriou a Prisão de Abu Ghraib antes do local ser reformado. Foi na capital iraquiana, Bagdá, que acabou sendo morto em 2003 durante o ataque suicida ao Hotel Canal, com a explosão provocada por um caminhão-bomba. O hotel era usado como sede da ONU em Bagdá havia mais de uma década. Além dos 22 mortos, cerca de 150 pessoas ficaram feridas no ataque - o mais violento realizado contra uma missão civil das Nações Unidas até então. Abu Musab al-Zarqawi, um dos líderes da organização terrorista Al Qaeda, assumiu a responsabilidade pelo atentado. Segundo os autores do ataque, Mello foi assassinado pois ele era um "cruzado" que teria ajudado a extrair uma parte (o Timor-Leste) do país muçulmano da Indonésia. O atentado provocou a retirada dos funcionários estrangeiros da ONU do território iraquiano.
Em Timor-Leste, Sergio conheceu Carolina Larriera, uma economista de nacionalidade argentina do Departamento de Missões de Manutenção da Paz das Nações Unidas, formada na Universidade de Harvard. Sergio e Carolina tinham uma união civil que durou até a sua morte. O julgamento da união estável civil foi o resultado de um processo ganho por Larriera contra Annie, seus herdeiros e o Espólio, e foi concedido por um painel de três juízes liderado pela juíza Regina Fábregas da Vara da Família da Comarca da Capital, Poder Judiciário, Rio de Janeiro, Brasil, após um processo de mais de dez anos. Vieira de Mello estava legalmente separado de sua ex-mulher Annie, uma francesa, no momento da sua morte, conforme ordem assinada pelo Juiz Presidente do Tribunal de Família, Daniel Delpeuch, no Tribunal Civil de Thonon-les-Bains, Haute Savoie, França. Eles tinham separação de corpos há mais de quinze anos, desde o final dos anos 80. O tribunal francês ordenou que o casal separasse seus bens pessoais, que Sergio pagasse uma pensão alimentícia à sua ex-mulher e aplicou uma ordem de não-contato entre o ex-casal. Após a morte de Sergio, as Nações Unidas esvaziaram os apartamentos de Sergio e Carolina em Bagdá e Genebra, e entregaram todos os pertences pessoais do casal à sua ex-mulher Annie. Com Annie, Mello teve dois filhos: Laurent (n. 1978) e Adrien (n. 1980), ambos atuando na área científica.
Vieira de Mello obteve êxito e visibilidade no cenário internacional por sua atividade profissional. Até a sua trágica morte, esteve dedicado a apoiar a reconstrução de comunidades afetadas por guerras e violências extremas. Seu modelo de atuação, por sua firme defesa dos princípios da independência e da imparcialidade, foi o sueco Dag Hammarskjöld (1905-1961), ex-Secretário Geral das Nações Unidas, morto a serviço da ONU em missão de paz no Congo (1961), e Prémio Nobel da Paz (1961). O caráter humanista da formação de Mello, associado ao seu talento para a negociação e a defesa da democracia, mesmo em situações adversas, foram fatores-chave do sucesso de muitas de suas iniciativas. Seu exemplar desempenho em defesa dos direitos e dos valores humanos inspira a perpetuação de sua memória e o permanente debate do seu pensamento.
Dia Mundial Humanitário
Em sessão plenária de 11 de dezembro de 2008, a Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu designar o 19 de agosto, dia do ataque à sede da ONU em Bagdá, como Dia Mundial Humanitário, em memória de todos os trabalhadores que perderam suas vidas na promoção da causa humanitária.
Centro Sérgio Vieira de Mello
O Centro Sérgio Vieira de Mello, criado por Gilda Vieira de Mello e Carolina Larriera em 2008. “Nossa visão, assim como refletida nas ações de Sérgio e nos valores que ele liderou, é contribuir para a criação de uma sociedade justa que lembre seu passado, ouça todas as vozes e busque dignidade e tolerância para todos. Sérgio Vieira de Mello levou sua vida com honra e integridade. Nosso objetivo é honrar a vida e o legado de Sérgio, e inseri-lo em todo o tecido de nossa sociedade internacional, para perpetuar uma vida que vale a pena compartilhar e lembrar. É por isso que o Centro opera nesta estrutura”.
Fundação Sérgio Vieira de Mello
Dedicada à promoção do diálogo visando a resolução pacífica de conflitos, a Fundação Sérgio Vieira de Mello tem como objetivo prosseguir a missão de Sérgio através de:
Prêmio de Direitos Humanos Sérgio Vieira de Mello
Timor-Leste criou o Prémio de Direitos Humanos Sérgio Vieira de Mello, destinado a reconhecer e a destacar a atividade de cidadãos timorenses e estrangeiros, de organizações governamentais e não governamentais, na promoção, defesa e divulgação dos Direitos Humanos em Timor-Leste.
Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) no Brasil
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) é uma iniciativa da ACNUR estabelecida em homenagem ao diplomata brasileiro, com o objetivo de promover o ensino, a pesquisa e a extensão sobre temas de direito humanitário, migração, refúgio e apatridia em instituições de ensino superior. Desde 2003, a CSVM cresceu para formar uma rede de mais de 40 universidades no Brasil, tem como foco o atendimento humanitário, a educação protetora e o desenvolvimento de pesquisas aplicadas para o acolhimento de pessoas em situação de migração e refúgio na região.


