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Ana de Castro Osório

Ana de Castro Osório OSE • ComMAI foi uma escritora, especialmente no domínio da literatura infantil, jornalista, pedagoga, feminista e activista republicana portuguesa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Biografia

Atenta ao clima de tensão e iminente guerra na Europa, em 1914, Ana de Castro Osório fundou a Comissão Feminina Pela Pátria, com Ana Augusta de Castilho, Antónia Bermudes e Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho. Esta tornou-se na primeira instituição organizada em Portugal com o objectivo de mobilizar as mulheres para o esforço de guerra, inovando também ao conduzir os primeiros cursos de enfermagem em Portugal que não eram ministrados por e para freiras, por iniciativa da médica Sofia Quintino que coordenou toda a operação. Anos mais tarde, com a participação das forças militares portuguesas na Primeira Guerra Mundial, Elzira Dantas Machado, ao tempo Primeira-Dama, remodelou a comissão feminina e fundou a Cruzadas das Mulheres Portuguesas (CMP), um movimento de beneficência que prestava assistência aos soldados mobilizados e às suas famílias. Assumiu ainda, em junho de 1916, a pedido de António Maria da Silva, ministro do Trabalho e Previdência Social, o cargo de subinspectora dos Trabalhos Técnicos Femininos. Ao seu desempenho foram-lhe apontadas várias críticas e acusações, nomeadamente pela jornalista Adelaide Abrantes, no jornal "A Voz", questionando a utilidade do cargo, sendo no seu ponto de vista um caso de favorecimento do ministro às suas "afilhadas", que viviam em conivência com a classe dos patrões ao não aplicarem no terreno as novas leis de trabalho decretadas pelo governo, tais como a abolição dos serões das costureiras.

Nascimento e Família

Nascida em Mangualde, a 18 de junho de 1872, e batizada também em Mangualde a 18 de dezembro de 1872, Ana de Castro Osório era filha de João Baptista de Castro (1845-1920), reputado bibliófilo, notário e magistrado, conservador do registo predial em Mangualde, natural de Eucísia, Alfândega da Fé, e de Mariana Adelaide Osório de Castro Cabral e Albuquerque (1842-1917), activista feminista, natural de São Jorge de Arroios, Lisboa. A sua mãe era filha do Tenente-General José Osório de Castro Cabral de Albuquerque (1799-1857), natural de Algodres e Governador de Macau, e de Ana Doroteia Moore Quintius, de nacionalidade neerlandesa, natural de Macau. Sobre o seu pai sabe-se ainda que publicou um livro sobre "Questões Jurídicas" (1868) durante a sua estadia universitária em Coimbra, quando este era companheiro de casa de Teófilo Braga, e que em 1911 julgou e aprovou o pedido de Carolina Beatriz Ângelo para ser incluída nas listas de recenseamento eleitoral, tornando-se assim na primeira mulher a votar no país. Ana era também a mais nova dos quatro filhos do casal, sendo irmã de Alberto Osório de Castro (1868-1946), juiz, maçon e poeta, João Osório de Castro (1869-1939), juiz e escritor, e de Jerónimo Osório de Castro (1871-1935), comandante e presidente da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, sendo ainda tia do engenheiro e empresário industrial Jerónimo Pereira Osório de Castro (1902-1957), do médico veterinário, professor e autor Jerónimo de Melo Osório de Castro (1910-1976), do dramaturgo e escritor João Osório de Castro (1926-2007) e do ex-bastonário da Ordem dos Advogados e poeta António Osório (1933-2021).

Carreira Profissional e Literária

Em 1895, residindo em Setúbal, e tomando como principal interesse o jornalismo, Ana de Castro Osório começou a publicar os seus primeiros artigos e crónicas no periódico "Mala da Europa", sendo elogiada publicamente pelo político, poeta e escritor ultra-romântico português Tomás Ribeiro, pai da poetisa e futura colega de activismo Branca de Gonta Colaço. Anos mais tarde, envolvida na luta pelo republicanismo e pelos direitos da mulher, nos primeiros anos do século XX, começou a colaborar com a revista "A Sociedade Futura", fundada por Maria Olga de Moraes Sarmento da Silveira e seu marido Manuel João da Silveira, com o objectivo de divulgar o movimento feminista no país, seguindo-se outras colaborações com o periódico "Jornal dos Pequeninos", a revista mensal da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP), "A Mulher e a Criança", e pouco depois, com o jornal setubalense "O Radical", onde desempenhou um papel de destaque com as suas obras, de 1910 a 1911, fundando ainda a Escola Liberal de Setúbal e a Lusitânia Editora Limitada, situada no local de sua moradia, em Lisboa, actuando como um dos principais divulgadores da poesia e obra de Camilo Pessanha. Para além de assinar sob o seu próprio nome, de entre os vários pseudónimos que adoptou, também utilizava os nomes Ann Moore e Ana Doroteia Moore, em homenagem à sua avó materna.

Casamento

A 10 de março de 1898, com 25 anos, Ana de Castro Osório casou-se na igreja paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal, com Francisco Paulino de Oliveira (Nossa Senhora da Anunciada, Setúbal, 1864 - São Paulo, Brasil, 13 de março de 1914), filho de João Vitorino de Oliveira e Maria José Gomes de Oliveira, também naturais de Setúbal (freguesia de Nossa Senhora da Anunciada), guarda-livros, poeta, publicista e membro do Partido Republicano Português, comummente conhecido como Paulino de Oliveira. Anos antes, tinha recusado veementemente o pedido de casamento do poeta Camilo Pessanha, contudo, a amizade entre os dois manteve-se até à morte deste, em 1926.

Maçonaria

Com o virar do século, em 1907, a escritora mangualdense tornou-se membro do Grande Oriente Lusitano, integrando a Loja Humanidade, sendo esta inteiramente feminina, e adoptou como nome simbólico maçónico o nome de Leonor Fonseca Pimentel, em homenagem à revolucionária portuguesa do século XVIII, conhecida como a "Portuguesa de Nápoles".

Activismo Republicano e Feminismo

Com o crescente clima de instabilidade político-social existente na Europa, Ana de Osório Castro começou a focar os seus esforços na luta pela causa republicana e a igualdade de direitos entre homens e mulheres, reflectindo muitas vezes esses mesmos ideais nas suas obras literárias, e assim tornando-se numa das mais reconhecidas pioneiras activistas feministas em Portugal. Mudando-se para Lisboa, em 1905, escreveu "Às Mulheres Portuguesas", o primeiro manifesto feminista português, seguindo-se a sua integração no Grupo Português dos Estudos Feministas e ainda, em 1908, com o apoio do político republicano António José de Almeida, a fundação da organização e associação política Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP), no 2º andar do nº 6 da Rua dos Castelinhos, em Lisboa, juntamente com as médicas e sufragistas Carolina Beatriz Ângelo e Adelaide Cabete, entre outras proeminentes mulheres da sociedade portuguesa de então.

Emigração no Brasil

Em 1911, viajou para o Brasil quando o seu marido foi nomeado cônsul em São Paulo. Trabalhou como professora e escreveu vários livros, entre os quais "Lendo e Aprendendo" e "Lição de História", dois manuais utilizados tanto pelas escolas brasileiras como portuguesas. Três anos mais tarde, Paulino de Oliveira faleceu em São Paulo, a 13 de março de 1914, vitimado pela tuberculose. Após enviuvar, Ana de Castro Osório regressou a Portugal com os seus dois filhos, João de Castro Osório (1899-1970) e José Osório de Oliveira (1900-1964), fixando residência em Lisboa, nomeadamente no primeiro andar do número 17 da Rua do Arco do Limoeiro (atual Rua Augusto Rosa), junto à Sé.

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Obra Literária

Da sua imensa obra literária, que conta com mais de cinquenta títulos, incluindo ensaios, romances e contos, algumas obras de destaque são: "Em Tempo de Guerra" (1918), "A Verdadeira Mãe" (1925), "Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda" (1923), "A Grande Aliança" (1924), "Mundo Novo" (1927), "A Capela das Rosas" (1931), "O Príncipe das Maçãs de Oiro" (1935), e "Histórias Maravilhosas da Tradição Popular Portuguesa" (2 volumes, compilada somente em 1952); assim como várias publicações periódicas de destaque onde colaborou como: "A Ave azul" (1899-1900), "Branco e Negro" (1896-1898), "Brasil-Portugal" (1899-1914), "A Leitura" (1894-1896), "Serões" (1901-1911), "A Farça" (1909-1910) e "Terra portuguesa" (1916-1927). Para além dessas obras, e de o título de criadora da literatura infantil portuguesa, é lhe reconhecida uma extensa e intensiva recolha dos contos da tradição oral do país, e a tradução e publicação de vários contos dos irmãos Grimm assim como muitos outros autores estrangeiros de literatura para crianças.

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