Liga Republicana das Mulheres Portuguesas
A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP) foi uma organização e associação política e feminista criada em 1908, por ideia de Ana de Castro Osório e António José de Almeida, apoiada pelo Partido Republicano Português. O voto, o direito à instrução, ao trabalho e à administração dos bens, o combate à prostituição e à mendicidade infantil constituíram-se como temas que rumaram a sua ação.
Em 1907, um grupo de mulheres instruídas e cultas fundou o Grupo Português dos Estudos Feministas, com o objectivo de difundir os ideais da emancipação feminina, fundar uma biblioteca e publicar estudos destinados a instruir e educar a mulher portuguesa, a fim de melhor desempenhar um papel activo na sociedade, fosse como mãe e educadora da sociedade futura ou activista e interveniente na luta contra a desigualdade no país. Este grupo, dirigido pela autora e jornalista Ana de Castro Osório e que agregava intelectuais, médicas, escritoras, jornalistas e, sobretudo, professoras, teve uma existência efémera, no entanto ainda publicou folhetos que reproduziam discursos, conferências e outros textos de autoria das principais dirigentes. É em torno deste núcleo que se vai fundar a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP). A ideia é lançada em agosto de 1908 por Ana de Castro Osório e António José de Almeida, sendo fortemente apoiada por Bernardino Machado e Magalhães Lima, mas só em fevereiro de 1909, sendo acarinhada pelo Partido Republicano, é efectivamente formada a associação de carácter político e feminista, com o objectivo de "orientar, educar e instruir, nos princípios democráticos, a mulher portuguesa, fazer propaganda cívica, inspirando-se no ideal republicano e democrático e promover a revisão das leis na parte que interessa especialmente à mulher e à criança". A sua sede teria lugar no 2º andar do nº 6 da Rua dos Castelinhos, em Lisboa.
«Conforme consta das disposições estatuárias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (L.R.M.P.), a publicação desta revista tem por objetivo tratar “questões político-sociais, históricas e educativas, sobretudo da mulher e da criança”.» Composta por vários artigos, algumas rubricas, noticiário, ilustrações, contos e poemas, recorrendo ainda à transcrição, por vezes comentada, de textos de imprensa e de discursos de individualidades importantes, a revista A Mulher e a Criança era liderada por Ana de Castro Osório, Fausta Pinto da Gama e Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho. Distribuída quinzenalmente de forma gratuita para todas as suas associadas, abordava diversos temas como a filosofia da sua própria organização, as relações com o ideário republicano, o direito ao voto, a importância da autonomia económica, de uma instrução e de um trabalho qualificado, ou até mesmo sobre a protecção das crianças e sua educação.


