Adelina da Glória Berger
Adelina da Glória Paletti Berger foi uma activista feminista e republicana portuguesa, reconhecida por ter sido dirigente do núcleo da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em Lagos.
Nascimento e Família
Nascida a 28 de março de 1865, na freguesia de São Sebastião, em Lagos, e baptizada a 27 de janeiro de 1866 na mesma cidade, Adelina da Glória Paletti era filha do escrivão Belchior da Costa Paletti (1830-) e de Ana Vitória Marim Paletti (1832-), ambos provenientes de modestas mas respeitadas famílias da região algarvia, sendo o seu pai filho de Maria Magdalena Junoni Faguinete (1805-) e de Giovanni Francesco da Costa Paletti (1800-), maestro italiano, natural de Mântua, região da Lombardia.
Casamento
A 4 de fevereiro de 1890, com vinte e quatro anos de idade, desposou o professor José Júlio Lapelier Berger (1868-1934), natural da freguesia de Santa Maria, em Lagos, que exerceu, ainda durante a Monarquia, como vereador republicano do município e mais tarde como administrador de concelho em Lagos pelo Partido Republicano Português. Do seu casamento nasceram quatro filhos: Reinaldo (1896-1964), oficial do Ministério do Comércio e Comunicações e engenheiro civil, Rogério (1899-1965), professor, escultor e desenhador, Renato (1903-1987), engenheiro sanitarista e civil, e Roberto Paletti Berger.
Activismo Republicano e Feminismo
Durante a noite de 19 de Fevereiro ou 27 de fevereiro de 1909, segundo alguns documentos, Adelina da Glória Berger, então com 43 anos de idade, realizou, por convite, na sua habitação, uma reunião com várias mulheres interessadas em ter um papel activo na sociedade e na luta pela reivindicação dos seus direitos, contando com a presença de familiares como Julieta Augusta Paletti e Dionísia Rosa Paletti, ou ainda as militantes Ana da Conceição Ladeira, Francisca da Conceição Taklim, Maria da Glória Pereira Neto e Maria Teresa Canelas Marreiros, entre outras, tendo oficialmente tido lugar a sessão inaugural do núcleo da Liga Republicana da Mulheres Portuguesas de Lagos. Após a primeira reunião, Maria do Carmo Raimundo foi nomeada presidente da associação, contudo após a recusa desta, foi proposto e aceite o nome de Adelina da Glória Berger para o cargo, tendo posteriormente a activista algarvia sido responsável por inúmeras iniciativas de cariz social e de apoio à luta pelos direitos da mulher na sociedade portuguesa.
Falecimento
Adelina da Glória Berger faleceu a 29 de julho de 1922, com 57 anos de idade, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, na sua residência, situada no 1.º andar do número 31 da rua Filipe Folque, sendo a causa de morte apresentada como "assistolia e anasarca". Encontra-se sepultada no Cemitério de Benfica, na mesma cidade.


